Cerca de 200 ex-militares angolanos juntaram-se hoje à porta das instalações da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (FAA), em Luanda, em protesto contra os cortes nas pensões que já dura há sete anos.

Os ex-militares pensionistas manifestam-se descontentes por aquilo a que chamam de “descontos exorbitantes” nas pensões mensais conforme relataram aos jornalistas, no local.

“O Estado angolano faz um pagamento de acordo com o grau militar, mas o que se passa é que a Caixa de Segurança Social e o Ministério da Defesa, através da divisão de Finanças, fazem-nos descontos exorbitantes, à margem da lei. Então nós queríamos saber por que razão é que há tenentes que ganham mais que um capitão, um capitão que ganha mais que um major”, questionou Esteves Lino, oficial reformado.

A Caixa de Segurança Social é o órgão de gestão do Sistema de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas que garante o processo normal de atribuições dos direitos aos beneficiários, como protecção na doença e acidente comum, na maternidade, na invalidez, na velhice ou pensões de sobrevivência.

Os antigos militares dizem que aguardam há mais de sete anos por respostas da direcção da Caixa de Segurança Social e de outras entidades, mas até ao momento sem sucesso.

“O mais agravante é que há viúvas dos nossos colegas que faleceram e que há quatro anos que não recebem as suas pensões, mas o Estado angolano continua a pagar. Nós queremos saber quem são esses indivíduos, que estão por detrás desta situação. Porque é um dinheiro que é dado e que não chega até nós”, apontou.

De acordo com os ex-militares, milhares de pensionistas encontram-se nesta situação, daí reivindicarem a realização de uma auditoria, para “investigar por onde vai o dinheiro”, que serviria, afirma, para bolsas de estudos ou bónus de família, entretanto “cortados”.

“Nós recebemos uma pensão completamente reduzida, significa dizer que o que eles nos pagam agora é a pensão de sangue, mas nós ainda não morremos. Não é pensão a verdadeiramente dita porque se fosse seria a pagar pelo grau militar”, desabafou Esteves Lino.

No local, estes antigos militares sublinharam que não pretendem promover qualquer acto de vandalismo ou revolução, muito menos danificar bens públicos, apenas reivindicar os seus direitos.

“Nós não somos revolucionários, não estamos aqui para partir carros nem fazer manifestação mas apenas para reivindicar publicamente aquilo que nos é devido de direito. Mas, infelizmente, continuamos a não ser ouvidos, nem atendidos. São muitas regalias a que temos direitos, mas que não vimos”, atirou David Costa, outro antigo oficial das FAA, de 66 anos.

São antigos militares afectos aos três antigos movimentos de liberação de Angola, nomeadamente Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) e Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

Em Dezembro arrancou em Angola o processo de prova de vida dos pensionistas da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas, com intuito de aferir o real número de beneficiários e eliminar os pensionistas “fantasmas”, segundo as autoridades.

“Já fizemos a prova de vida mas temos conhecimento de que há ainda muitos infiltrados na caixa que nunca foram militares mas que estão a passar na prova de vida. Isso é estranho, porque os verdadeiros militares, muitos deles não entraram na caixa. Há muitos civis na caixa”, assinalou Esteves Lino.

Dados fornecidos recentemente pelo director da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas, Jacinto Pedro Cavungo, indicam que mensalmente são pagos mais de nove mil milhões de kwanzas (50 milhões de euros) em pensões a cerca de 50.000 antigos militares.

Lusa
Foto de arquivo

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