A União Europeia (UE) diz estar (o que é diferente de estar) preocupada com a “deterioração geral” da situação política e de segurança em Moçambique, dizendo mesmo que quer o fim imediato dos ataques atribuídos à Renamo no centro do país.

Em vésperas de uma visita a Moçambique da alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, a UE considera que os recentes ataques na N1, a principal estrada do país, prejudicam a segurança das pessoas, a lei e a ordem e quer que os seus autores “parem imediatamente” com o uso da violência.

Não importa de que lado esta a razão. Se não são da Frelimo têm de estar quietinhos e calados. Se são, podem disparar à vontade, prender opositores e continuar a sua senda.

Segundo a mesma fonte, além dos ataques atribuídos à Renamo, a UE manifesta-se preocupada com recentes confrontos entre as forças de segurança e os homens armados da oposição e que estão a manter estudantes fora das escolas nas províncias de Tete e Zambézia e a levar à fuga de milhares de pessoas para o vizinho Malaui.

Apelando às partes que se abstenham de usar a violência e que reconstruam a confiança mútua com vista ao diálogo, a fonte diplomática da UE lamenta (pois!) que não tenham sido ainda tornados públicos os resultados das investigações ao atentado contra o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, a 20 de Janeiro, na Beira, bem como dos ataques envolvendo a comitiva do líder da oposição, Afonso Dhlakama, em Setembro, na província de Manica.

Do mesmo modo, apela para que se investiguem os casos que têm vindo a ser tornados públicos de raptos e assassínios de membros da Renamo e Frelimo, partido no poder desde a independência, e que sejam colocadas de lado ameaças ou intimidações, que “parecem agravar mais o ambiente político em Moçambique”.

A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros é esperada em Maputo no próximo dia 24 para encontros com as autoridades moçambicanas.

A UE pronunciou-se em Bruxelas a 22 de Janeiro sobre o ataque a tiro contra o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, ocorrido dois dias antes na cidade da Beira, pedindo uma investigação da responsabilidade pela “tendência de violência” no país.

Também os EUA, num comunicado da sua embaixada em Maputo, manifestaram “profunda preocupação” com o ataque a tiro contra Bissopo e condenaram “os assassinatos e perseguições” em Moçambique.

Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

O Governo e Renamo têm-se acusado mutuamente de ataques e raptos dos seus membros.

Nos últimos dias foram também relatados ataques de homens armados da Renamo contra viaturas em circulação na província de Sofala.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo, que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só retomará o diálogo após a tomada de poder no centro e norte do país.

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