A UNITA apelou hoje aos países para que tenham mais cuidado ao disponibilizar verbas para Angola, porque “invariavelmente” são desviadas para alimentar a corrupção. Nem mais. Por alguma razão o reino de sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos, lidera o ranking mundial dos países mais corruptos.

Oapelo, mais um, foi hoje expresso pelo líder da bancada parlamentar do partido, Adalberto da Costa Júnior, em conferência de imprensa para falar sobre a degradação da rede rodoviária do país, com foco para a capital, Luanda.

O assunto, segundo Adalberto da Costa Júnior, mereceu um levantamento minucioso dos diferentes Orçamentos Gerais do Estado, no período entre 2004 e 2015, em que foram atribuídos cerca de 19 mil milhões de dólares para a construção ou reparação de estradas, de pontes e saneamento.

Segundo o deputado da UNITA, decorridos poucos anos, as vias públicas apresentam um estado deplorável, com vias plenas de buracos, porque as estradas foram construídas sem valas para o encaminhamento das águas e ou a rede de esgotos está entupida ou existe a céu aberto.

Para Adalberto da Costa Júnior, o montante atribuído nos últimos 11 anos serviria para “construir auto-estradas a cruzarem todas as províncias do país e para durarem no mínimo 30 anos”.

“Há países no nosso continente, países importantes que em 12 anos não conseguem ter esse orçamento para o país inteiro. E nós tivemos essa disponibilidade, só para infra-estruturas rodoviárias, que se esfumaram. É gravíssimo”, disse o dirigente da UNITA.

Adalberto da Costa Júnior criticou ainda as dívidas que o executivo angolano tem estado a contrair, sem o aval da Assembleia Nacional, e que futuramente os jovens terão de pagar em dezenas de anos.

A UNITA lamenta que não haja responsabilização pela má qualidade das vias, que considera “as estradas mais caras do mundo”, e que por correspondência deveriam ter “melhor qualidade e maior durabilidade”.

“É fácil responsabilizar, porque os gestores públicos são bem conhecidos, os que receberam orçamentos bilionários e fizeram obras descartáveis, enriqueceram vertiginosamente as suas contas, ao ritmo que a população foi empobrecendo”, considerou Adalberto da Costa Júnior.

De acordo com o líder da bancada parlamentar da UNITA, é por causa disso que a UNITA apela para que “alguns países tenham mais cuidado a disponibilizar verbas que vão invariavelmente parar aos desvios e à corrupção e nunca ao serviço das populações”.

“Esperamos que estes alertas sirvam para alterar as más práticas de uma governação não transparente. Muitos dos orçamentos aprovados e feitos desaparecer consumiram riqueza e reservas que nunca mais teremos. Outros foram financiados por endividamento externo, que vamos pagar todos, mas que foi parar ao bolso de uns poucos”, concluiu o deputado.

Já em 2009 o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, afirmava que Portugal se “tornou num destino seguro de fortunas desviadas do erário público angolano”.

Sobre a corrupção em Angola, o líder da UNITA disse que as transferências de avultadas somas para Portugal são “para comprar até empresas falidas para branquear dinheiro roubado ao povo de Angola”.

Servindo-se de notícias na imprensa, Isaías Samakuva apontou a existência de “pressões” sobre o primeiro-ministro português de então, José Sócrates, para “libertar milhões de dólares de dinheiro público (angolano em contas de bancos portugueses) para determinadas contas privadas de mandatários do regime angolano” de forma a poderem “comprar empresas falidas” e “branquear” capitais.

Entretanto, ficou hoje a saber-se que o maior diamante já encontrado em Angola foi vendido à joalharia suíça de Sindika Dokolo, a De Grisogono SA. De acordo com a Bloomberg, não se sabe por quanto a loja do marido de Isabel dos Santos comprou a pedra de 404 quilates e sete centímetros de comprimento ao intermediário do Dubai, Nemesis International DMCC.

A pedra foi encontrada pela companhia mineira australiana no campo do Lulo, na Lunda Norte, no início de Fevereiro. Dias depois, a Lucapa anunciou a venda do diamante por USD 16 milhões. Mas na notícia publicada hoje pela Bloomberg a venda ao intermediário terá ficado por USD 22,5 milhões.

Em 2014, a Forbes publicou um artigo em que falava da ligação da filha do presidente José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, e a venda de diamantes.

Os negócios acontecem com intermediação do seu marido, Sindika Dokolo, que comprou há quatro anos 75% da joalharia De Grisogono, através da Victoria Holding Limited, por USD 100 milhões.

A Victoria Holding é fruto de uma parceria entre Sindika Dokolo e a empresa estatal angolana Sodiam (Sociedade de Comercialização de Diamantes de Angola), tendo sido criada em 2010.

A venda do diamante à joalharia foi anunciada sexta-feira pela Nemesis, mas antes disso a empresária fez questão de partilhar no Instagram uma série de fotografias em que aparece com o marido no Dubai. Exactamente onde o diamante de 404 quilates foi comprado.

Além de ser o maior diamante alguma vez encontrado em Angola, é também o 27º maior do mundo. Deverá levar seis meses para ser polido.

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