Ao que parece o regime angolano está a dar as últimas e opta por produzir os sururus mais escabrosos que possamos imaginar assim como as mais descabidas leis. A última, segundo notícia da Lusa, foi a de que o parlamento produziu uma lei que expatria centenas de milhares de angolanos, talvez próximo de um milhão – feitas bem as contas.

Por Mário Motta
Jornalista e Editor

Da notícia da Lusa podemos extrair na íntegra o primeiro parágrafo e ficamos logo a perceber a enormidade de prepotência e imbecilidade que mais de 140 deputados do MPLA (só podia ser) exibiram ao regular a nova lei de atribuição da nacionalidade angolana.

Atentemos no que dá a saber a Lusa: “O parlamento angolano aprovou hoje, depois de vários adiamentos, a Lei da Nacionalidade, diploma que impede agora cidadãos estrangeiros e seus descendentes, nascidos em Angola no tempo colonial português, de serem angolanos.”

Esta lei significa que os que viveram décadas em Angola ou nasceram angolanos foram expatriados, apesar de Angola ser a sua Pátria (tenham ou não segunda nacionalidade).

Não se compreende e é inaceitável que Angola passe a ser – pelas idiotices do MPLA – muito abaixo que uma pátria madrasta para os que nasceram em Angola, tenham nascido ou não nos tempos coloniais. É evidente que para todos os efeitos de ordem sentimental e patriótica as centenas de milhares de angolanos agora expatriados jamais deixarão de se sentir e ser angolanos. Angola é a sua Pátria.

As intenções relativas à elaboração desta lei, agora aprovada, são dúbias para alguns. Para outros é mesmo uma questão de non sense de um regime que está de cabeça perdida nesta fase tão difícil e conturbada da economia e da sociedade angolana. Quer parecer que será isso tudo mas também uma punição conveniente aos que nascidos em Angola discordam e são opositores do regime no exterior. Opositores dos 1% muito ricos à custa do que pertence aos outros 99% e que são “remediados”, pobres ou completamente miseráveis.

Bem pode o MPLA expatriar os filhos da nação angolana. Bem pode o regime grasnar o canto do cisne e produzir leis inconcebíveis. O que não pode é evitar que os expatriados pelo regime do MPLA tenham nascido angolanos e sejam angolanos quando morrerem. Nem pode evitar que as suas prepotências e opacidades não contribuam para uma queda mais rápida dos que agora se sentem senhores de Angola e dos angolanos. É uma questão de tempo. Então, um dia, até os agora expatriados deixarão de o ser, em nova lei.

Como diz o poeta: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…”

Nota: Título e ilustração do Folha 8

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