Angola vai dar conta das mudanças reais que o país está a registar, na conferência promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal/Angola, disse hoje em Luanda o director-geral da Unidade Técnica de Investimento Privado (UTIP). Ou seja, vai mostrar a sua face “A”.

Norberto Garcia falava à margem de um encontro daquele órgão do Governo com representante ministeriais e de governos provinciais para a identificação de projectos de cariz produtivo e as necessidades reais de cada país.

A conferência subordinada ao tema “Construir um Futuro Sustentável” realiza-se segunda-feira em Lisboa, e vai contar com a presença da ministra do Comércio de Angola, Rosa Escórcio Pacavira, e tem como objectivo a captação de investimentos para ajudar a diversificar a economia angolana.

De acordo com Norberto Garcia, nessa conferência Angola vai apelar ao investimento no país, que apesar das dificuldades económica e financeira que enfrenta “é possível a concretização de projectos de investimentos”.

“Os projectos estão a acontecer, há uma série de propostas que temos estado a receber de vários cantos do mundo, há investidores que todos os dias nos batem à porta, por isso o momento é agora, é o momento de agir, de caminhar, de fazer o investimento acontecer”, referiu Norberto do Santos.

O responsável frisou ainda que em Lisboa, a delegação angolana vai “dar conta que as referências em sede do ‘doing business’, que se fala de Angola, já não correspondem à verdade”.

“Nós estamos muito mais avançados do que as pessoas imaginam e é isso que queremos dizer ao mundo, queremos dizer ao mundo que Angola é um bom país para se investir”, destacou.

Segundo o director-geral da UTIP, o encontro de hoje teve como objectivo melhorar a organização daquele órgão estatal, com vista a proporcionar aos investidores um sistema bem estruturado.

“Porque há investidores que chegam aqui com financiamentos sem projectos e há projectos sem financiamento, e nós precisamos então fazer coincidir o quadro operacional – que os financiamentos passem a ter correspondência directa com os projectos de investimentos e que os projectos de investimento tenham relação directa com as perspectivas de financiamento que são apresentadas à nossa unidade técnica”, sublinhou.

A delegação angolana ao encontro integra além da ministra do Comércio, o presidente do Conselho de Administração da Agência de Promoção de Investimentos e das Exportações (APIEX), António Henriques da Silva, o coordenador do Programa de parceria estratégica entre o Banco Mundial e Angola, Olivier Gordon, o presidente da Associação Industrial e Angola (AIA), José Severino, entre outros participantes.

E a outra Angola?

O Povo angolano morre de fome e de doenças. Só agora o surto de febre-amarela já provocou 125 mortes, de um total de 644 casos registados.

Norberto Garcia não virá, até porque não quer ser acusado de tentativa de golpe de Estado, dizer que Isabel dos Santos, a princesa filha do rei Eduardo dos Santos, continue a abarrotar as suas contas milionárias por ordem exclusiva do pai.

Isabel dos Santos recebeu recentemente de bandeja, por ordem do paizinho, uma obra 615,2 milhões de dólares (567 milhões de euros). É fartar vilanagem.

A obra foi adjudicada (forma eufemística que significa doação) através de um despacho do rei Presidente José Eduardo dos Santos, para que a sua filha Isabel dos Santos faça as dragagens na zona costeira da marginal da Corimba, sul de Luanda, em parceria com uma empresa holandesa.

Assim, Isabel dos Santos, através da Urbeinveste Projectos Imobiliários, e uma empresa holandesa, Van Oord Dredging and Marine Contrators, “ganharam”, em consórcio, esse milionário contrato. Mais um.

A adjudicação desta obra foi formalizada através de um despacho presidencial datado de 25 de Janeiro.

O valor total do contrato, de 1,3 mil milhões de euros, contempla também a construção propriamente dita, de reabilitação e acessibilidades da marginal de Corimba, uma obra a realizar em consórcio pelas empresas Landscape e China Road and Bridge Corporation Angola, por 690,1 milhões de dólares (636 milhões de euros).

No despacho do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, igualmente Presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo (entre outros cargos), que autoriza os contratos de empreitada, refere-se que o Governo “está comprometido na reabilitação dos problemas actuais de congestionamento de circulação nos acessos à cidade Luanda”, sendo precisamente a marginal da Corimba um dos pontos críticos.

Esta obra oferecida a Isabel dos Santos, filha do Presidente nunca nominalmente eleito e há quase 37 anos no poer, insere-se na Programação Anual de Investimentos do Programa de Investimentos Públicos, definida pelo Governo.

Em causa está a implementação do Projecto Marginal da Corimba, que “deve garantir a sua reabilitação, além da valorização e melhor preservação da zona costeira” e “uma significativa melhoria das acessibilidades” a Luanda.

O despacho refere ainda que o ministro das Finanças (figura decorativa, como todas as outras do Governo), Armando Manuel, deve “assegurar os recursos financeiros necessários à execução dos referidos contratos”, estando “autorizado” o pagamento inicial de até 15% do valor das empreitadas “com recurso às reservas do Tesouro”.

Relembre-se que Isabel dos Santos está também envolvida no processo de reestruturação da Sonangol, no âmbito de um comité criado em Outubro de 2015, obviamente por José Eduardo dos Santos, com a responsabilidade de desenvolver modelos organizativos, identificar oportunidades operacionais, quantificar “o potencial de melhoria da Sonangol” e estudar o “melhor modelo de organização para condução da indústria nacional de petróleo e gás”.

Em matéria de fome, o Índex Global sobre Fome (IGF) 2015, elaborado pelo Instituto Internacional de Investigação sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla inglesa), revela que Angola, a par do Ruanda e Etiópia, mantém-se com um nível “sério”, obtendo, segundo os critérios da IFPRI, 32,6 pontos. A Guiné-Bissau (30,3 pontos), Moçambique (32,5) estão igualmente na mesma lista de Angola.

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