O órgão oficial do regime de sua majestade o rei de Angola, José Eduardo dos Santos, escreve hoje que a Polícia Nacional deteve ontem, na localidade de Luassingua, a 30 quilómetros da cidade de Menongue, um camião alugada pelo secretariado provincial da UNITA, transportando cerca de quatro mil litros de gasóleo e gasolina e três armas de fogo, sendo uma caçadeira e duas AKM.

José Eduardo dos Santos e o seu regime já estão mortos. Só que ainda não sabem. E como preferem essa estratégia, tudo fazem para se manter no poder. Campanhas como a do Pravda, Boletim Oficial ou Jornal de Angola são recorrentes.

Esta é uma matéria em que as forças de segurança do regime (militares, polícias e outros) vão com certeza beneficiar da assessoria pragmática de Kundi Paihama que, enquanto ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, mostrou ser perito nesta questão de armamento clandestino.

O actual governador do Huambo, reconheça-se, é também perito noutras matéria relevantes para a democracia norte-coreana que o regime quer solidificar em Angola. Relembre-se que Kundi Paihama continua certo de que no nosso país existem dois tipos de pessoas, os angolanos e os kwachas, sendo que estes eram, ou são, os ovimbundos que apoiavam a UNITA.

Em Agosto de 2012, no Estádio Nacional de Ombaka, Kundi Paihma garantiu que os que lutarem contra o MPLA e contra José Eduardo dos Santos “vão ser varridos”. Muitos já foram, outros estão em lista de espera. E quando se anunciam eleições para 2017, nada melhor do que começar a pôr a circular a questão das armas de guerra clandestinas para, daqui a uns meses, se reeditar o fantasma de nova guerra.

Ao contrário do que aconteceu em 2008, o regime tem cada vez indicações fidedignas de que, nas eleições de 2017 (se as houver), também os mortos se vão recusar a votar no MPLA. Isso não é, reconheça-se, impeditivo de uma solução alternativa, testada com êxito nas anteriores eleições, em que em alguns círculos eleitorais apareçam mais votos do que votantes.

Se se estivesse a falar de um Estado de Direito e de uma comunidade internacional honesta, seria criticável que o partido que nos desgoverna desde 11 de Novembro de 1975, que tem como seu líder carismático e presidente da República alguém que está no poder desde 1979 sem ter sido nominalmente eleito, sentisse necessidade de usar a intimidação violenta para ganhar eleições.

Mas como nada disso se passa, tudo vai continuar a ser feito por medida e à medida do MPLA. É para isso que o petróleo, os diamantes e tantas outras riquezas existem. E é para isso que as FAA não estão ao serviço do país mas do regime. É para isso que a Polícia não é nacional, é do regime.

E porque o regime só reconhece a existências de um único “escolhido de Deus”, Eduardo dos Santos, não admite que existam dúvidas, não aceita que a sua liberdade termine onde começa a do Povo. Vai daí, intimida, ameaça, espanca, rapta e mata quem tiver a veleidade de contrariar o “querido líder”.

Por alguma razão Kundi Paihama, tal como os restantes “yes man” do regime, continua a pedir aos militantes do seu partido para que controlem “milimetricamente” todas as acções da oposição, para não serem “surpreendidos”.

Na senda do que tem feito ao longo dos anos, o MPLA acusa a Oposição de enveredar por “manifestações violentas e hostis, provocando vítimas, inventando vítimas, incentivando a desobediência civil, greves e tumultos, provocando esquadras e agentes e patrulhas da polícia com pedras, garrafas e paus”.

Certamente graças ao árduo trabalho de Kundi Paihama, o MPLA sempre disse que tinha em seu poder “informações secretas que apontam que a UNITA e outros opositores estão prestes a levar a cabo um plano B”.

Plano que prevê, segundo os etílicos delírios dos dirigentes do regime, “uma insurreição a nível nacional”, sendo as províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Uíge e, claro está, Huambo as visadas.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, a possibilidade de alguma mudança, o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver outro partido que não o MPLA a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação. E para esse papel, reconheça-se, não há ninguém melhor do que Kundi Paihama, nomeadamente numa província que, apesar de alguma submissão, continua a ser uma espinha entalada na garganta do regime.

Aliás, um dia destes vamos ver por aí Kundi Paihama afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de armas são terroristas da UNITA que devem “ser varridos”.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada que tem na primeira linha das suas opções e que é tão do agrado das potências internacionais, ou seja a de que há perigo de terrorismo, de guerra civil.

Kundi Paihama não tardará (por ele já o teria feito) a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, no Huambo por exemplo, para além de já ter dito que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou estão com ele ou vem aí o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados. E não precisa de fazer grande esforço para que os amigos acreditem. Aliás, essa estratégia é mesmo aconselhada pelos seus submissos parceiros.

Como também dizem os manuais marxistas, se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “paihamas” para criar a confusão mais útil.

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