A última vez em que o Rafael Marques foi detido pela PIDE de Angola, perdão o KGB de “Sua Excelência o Digníssimo Senhor Engenheiro de Bá Cu José Eduardo dos Santos”, e espiaram o seu telefone celular para “centrifugarem” informação, tivemos uma agradável surpresa, 48 horas após essa detenção. Os espiolhos, perdão, os espiões resolveram enviar-nos uma mensagem, com um endereço electrónico do gmail.

Por Domingos Kambunji

Eles, fazendo-se passar por elementos do departamento de recursos humanos de uma companhia petrolífera americana, muito conhecida, a operar em Angola, afirmavam ter lido o nosso resumé, online, e estavam muito interessados nos nossos serviços. Pediam, então, que lhes enviássemos o curriculum completo.

É óbvio que o departamento de recursos humanos das grandes companhias petrolíferas não usam endereços gmail. Nós estamos muito familiarizados com as empresas de recrutamento de pessoal, principalmente porque estamos numa fase da vida em que podemos rejeitar ofertas de trabalho.

Nós achámos muita piada aos matumbos do KGB de “Sua Excelência o Digníssimo Senhor Engenheiro de Bá Cu José Eduardo dos Santos” e decidimos participar nessa brincadeira.

Iniciámos a nossa resposta pedindo que dessem cumprimentos nossos ao Rafael Marques e ao William Tonet e aos Jovens Revolucionários. Depois perguntámos qual era o curriculum que pretendiam receber: da nossa actividade literária, da nossa actividade na docência ou da nossa actividade numa das outras carreiras profissionais que seguimos ao longo da nossa vida, sem especificarmos qual.

Também lamentámos o facto de uma companhia de patrulheiros, com endereço gmail, usando o nome de uma empresa americana muito conhecida, tivesse um departamento de recursos humanos com pessoal a redigir, na língua oficial de Angola, num nível que classificámos como dos primeiros anos do ensino elementar, muitíssimo matumbo e sanzaleiro.

A empresa gmailada dos espiões ao serviço de “Sua Excelência o Digníssimo Senhor Engenheiro de Bá Cu José Eduardo dos Santos” nunca respondeu ao nosso pedido de esclarecimento. A única certeza com que ficámos foi de que esses serviços de espiolhagem têm, entre os seus associados, pessoas social e academicamente mal formadas, pouco civilizadas. Talvez seja esse o motivo porque o reigime que servem prefira o de bate em vez do debate, e eles são usados sem terem consciência da estupidez que irradiam.

Quando estes matumbos recebem “ordens superiores” para serem monangambés até chegam a pensar que são inteligentes. Quando lhes oferecem uma gravata e um fato, usados, pensam imediatamente que atingiram o topo da carreira profissional como “intelequetuais patriotas”. Esse é o grande problema dos bufos do sistema.

Em muitos países, quando aconteceram revoluções democráticas e estes moços serventes pretenderam demonstrar arrependimento pela actividade desenvolvida, já tinham as mãos e as consciências manchadas de muito sangue derramado das vidas das suas vítimas.

Eles acham-se os mais patriotas de todos os patriotas que frequentam as aulas de educação patriótica do reigime de “Sua Excelência o Digníssimo Senhor Engenheiro de Bá Cu José Eduardo dos Santos” e agora, para demonstrarem a sua fidelidade, dizem, até vão passar a ser clientes da Dona do Hipermercado Roubando.

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