Angola. Novos casos de febre-amarela voltaram a ser registados no município de Viana, o epicentro da epidemia que Angola enfrenta desde Dezembro de 2015, pelo que as autoridades decidiram realizar nova campanha de vacinação a partir de amanhã, sexta-feira.

A decisão, segundo a coordenadora do Programa de Vacinação contra a febre-amarela, Felismina Neto, tem como objectivo reforçar a primeira fase da campanha, iniciada em Fevereiro passado, para não pôr em risco os esforços de interrupção da circulação do vírus.

“Estamos com 5,1 milhões de pessoas já vacinadas, são dados provisórios. Em princípio essa repescagem é para toda a extensão da província de Luanda e queremos atingir os seis milhões que Luanda tem”, disse a responsável, em declarações à rádio pública de Angola.

Segundo Felismina Neto, Luanda notificou até à presente data 150 mortes por febre-amarela num total de mil casos suspeitos registados, dos quais 400 foram confirmados laboratorialmente.

Este é um valor que, segundo fontes não oficiais, peca por defeito. “O número de mortes e de casos suspeitos é muito, mas muito mesmo, maior”, comentou ao Folha 8 um médico que presta serviço em Luanda e que, por razões óbvias, o fez sob anonimato.

“O Governo está a esconder a verdadeira amplitude deste problema, bem como a mascarar a sua incapacidade para líder com a doença”, acrescentou.

“Logo, a situação está controlada, porque já criamos uma imunidade de rebanho. O desafio para Luanda para fazer essa campanha foi muito grande e nós sentimo-nos com dever cumprido apesar de não termos atingido ainda os 95%”, frisou Felismina Neto.

Por sua vez, o director municipal de saúde de Viana, Mateus Neto, disse que no dia 28 houve um caso confirmado naquele município, que vai contar com o trabalho de mais de 100 técnicos sanitários para a realização da campanha, bem como com a colaboração de igrejas e escolas.

“Só o simples facto de termos um caso confirmado e que saiu de Viana implica dizer que temos que redobrar ainda os esforços para que não tenhamos nenhum caso, nem suspeito e muito menos confirmado”, disse Mateus Neto.

De acordo com o mais recente boletim diário sobre a epidemia de febre-amarela, Angola regista até ao momento um total de 244 mortes em 1.822 casos.

De uma forma geral, com excepção para aqueles que têm de dizer o que o regime manda, existe a firme convicção de que são graves as distorções no combate à epidemia de febre-amarela.

Por alguma razão a Oposição, tanto política como social, apela às autoridades governamentais para adoptarem urgentemente acções que resguardem o sector da saúde da crise económica que Angola enfrenta actualmente, decorrente da baixa do preço do barril do petróleo.

A UNITA, por exemplo,pede que sejam alocados atempadamente os recursos financeiros e outros necessários para a prossecução dos diversos programas em curso e a serem delineados em virtude da presente situação crítica.

Numa análise ao estado da saúde em Angola, a UNITA deplorou o que considerou a “catastrófica degradação da situação sanitária a que se assiste no país”, afirmando que o surto de febre-amarela é o “corolário da falência do sistema sanitário do país em relação ao qual o executivo tem respondido com tibieza, com medidas pouco articuladas e com falhas gritantes no que diz respeito à comunicação, aspecto fundamental para assegurar a adesão das populações e o êxito das acções a empreender”.

De acordo com a análise do partido de Isaías Samakuva, a campanha de vacinação, particularmente, tem sido pautada por uma estrondosa desorganização, que leva a que nos postos de vacinação ocorram filas enormes onde as pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, passam horas a fio, muitas vezes sob sol intenso ou mesmo chuva.

A UNITA considera que as medidas de controlo do surto de febre-amarela não se devem circunscrever à campanha de vacinação, mas também a outras medidas como a melhoria do sistema de informação, que permita uma notificação célere dos casos e, mais importante, um conjunto de acções individuais e colectivas, tendentes a combater o vector da doença.

“Quaisquer destas acções precisam estar acopladas a uma campanha dirigida, intensificada de informação, comunicação e educação para a saúde, a fim de promover a participação consciente das populações e das comunidades”, exemplificou a UNITA.

Foto: Joaquina Bento/Angop

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