Um alto dirigente da RENAMO, que por razões de segurança, solicitou o anonimato, disse, no 27.01, em exclusivo ao F8, que “a Polícia de Moçambique não age como um órgão do Estado, imparcial e apartidário, mas como braço policial do partido FRELIMO, que cumpre ordens do Presidente Filipe Nyusi, para matar os dirigentes da RENAMO”.

A declaração surge na sequência da recente tentativa de assassinato do secretário-geral do maior partido da oposição e deputado na Assembleia da República de Moçambique, Manuel Bissopo (foto), na tarde do dia 20 de Janeiro, na cidade da Beira, província de Sofala.

“Os bandidos, na realidade, para nós, são homens armados, pertencentes a um esquadrão da morte ao serviço exclusivo da FRELIMO, treinado por agentes angolanos, que tem a cobertura da Polícia e da Segurança, no cumprimento destas missões assassinas”, denunciou a fonte, acrescentando ser “objectivo principal destes “bandidos institucionais”, assassinar, primeiro, o presidente Afonso Dhlakama (já sofreu três atentados), tal como fizeram em Angola, com Jonas Savimbi, aliás uma receita, que Filipe Nyusi recebeu de Eduardo dos Santos, aquando da mais recente visita que efectuou a Luanda”.

Recorde-se que o Presidente da República de Moçambique, esteve em Luanda, por ocasião das comemorações dos 40 anos de Independência de Angola, em 11 de Novembro de 2015, e de entre outras oferendas, recebeu de José Eduardo dos Santos, o perdão da dívida e outras mordomias. Se “o plano FRELIMO/MPLA, da Beira resultasse, seguir-se-iam, o secretário-geral, que agora sofreu a tentativa de assassinato, mas graças à Deus, não faleceu e demais dirigentes do partido”.

Questionado se tinha noção da gravidade das acusações, principalmente, as feitas contra o MPLA e ao seu presidente, José Eduardo dos Santos, foi peremptório: “os comunistas que tomaram o poder nos países africanos de expressão portuguesa, converteram-se num clube de ditadores, que têm as mesmas tácticas de assassinatos dos adversários políticos para se perpetuarem no poder, casos da Guiné Bissau, Angola, Moçambique e ainda o Zimbabwe, na Região Austral, onde querem manter a ditadura ao invés da democracia de que têm medo”.

A RENAMO, segundo o político, está a ser provocada, pela FRELIMO, partido no poder desde 1975, para a guerra, “mas, infelizmente, nós queremos garantir a paz, para impedir a continuidade da ditadura e isso está a enervar o regime e os seus aliados, que aquando da ocupação da casa na Beira, do nosso presidente e consequente desarmamento forçado, dos seguranças, havia na coordenação oficiais angolanos, o objectivo era claro: matar o presidente Dhlakama, mas agimos com serenidade, não reagindo e isso está a frustrar os planos de Nyusi e Dos Santos”, afirmou. O dirigente do partido da Perdiz, garantiu ao F8, “que só haverá guerra caso a FRELIMO a comece, pois os seus actos preparatórios estão a tomar grandes proporções e a desestabilizar o país, que precisa de paz e eleições sem fraude e batota eleitoral”.

Por tudo isso, “a RENAMO propôs o Presidente Jacob Zuma, da África do Sul, e à Igreja Católica, para ajudarem a mediação do conflito, mas o regime tem medo. E tem medo devido a batota eleitoral, pois não é aceitável que tendo nós ganho em seis das 11 províncias do país, não tenhamos ganho as eleições e não possamos indicar governadores. Pedimos a alteração da Constituição, para que os partidos, indiquem governadores, lá onde ganharam, ou estes, passem a ser eleitos e não nomeados, pelo presidente da República da FRELIMO desde 1975 e assim influenciar, através destes, a batota a nível nacional”.

Recorde-se que o secretário-geral do partido da Oposição foi alvejado por bandidos, que se faziam transportar numa carrinha cabine dupla e dispararam com arma de Guerra AKM, contra o veículo de Manuel Bissopo, que estava a respeitar os semáforos na avenida Moisés Serpa, em frente à Direcção Regional do Instituto Nacional de Transportes Terrestres (INATTER), na Beira.

“Perdemos, na hora, o ajudante de campo e o secretário-geral teve ferimentos graves, estando internado numa clínica, onde o seu estado de saúde, ainda inspira cuidados”, assegurou.

Os actores de tão bárbaro incidente, continuam a monte, com a Polícia a fazer, no dia 26.01, uma declaração surpreendente de estar a espera das melhorias de Manuel Bissopo, por este, após ter sido alvejado, afirmar que teria reconhecido um dos assassinos. “Estava parado no stop, logo apareceu uma viatura dupla cabine e disparou três tiros”, afirmou.

O dirigente que temos estado a citar, considera esta posição da Polícia “uma autêntica palhaçada de um órgão que se assume como braço armado da FRELIMO, cúmplice nas duas tentativas de assassinato ao nosso líder, Afonso Dhlakama, ocorridas nos finais do ano passado. A Polícia da FRELIMO sabe quem está a fazer estas brincadeiras, pois eles, no final, vão se esconder nas esquadras”.

Por sua vez a Polícia da República de Moçambique (PRM) afirmou, ter elementos confortáveis para investigar e considerando ser a vítima fundamental para o esclarecimento do caso, pelo facto, desta ter afirmado, no momento do fatídico acontecimento, reconhecer um dos bandidos.

“Há elementos confortáveis para investigação. A clareza que foi usada, uma arma de fogo do tipo AK-47, há testemunhas que estão a ajudar bastante que viram o cenário todo a acontecer, neste caso, a característica da viatura, o número de integrantes, a direcção tomada e informações que possam ligar à rotina das vítimas podem levar ao esclarecimento”, explicou o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Inácio Dina, que acrescentou que “Bissopo é uma peça-chave neste processo investigativo. Ele sofreu atentado, conseguiu visualizar as pessoas que o atentaram e, por isso mesmo, dizemos que é uma peça-chave para o esclarecimento deste crime”.

Ironia ou não o dirigente da RENAMO, fonte do F8, concluiu dizendo que a peça chave deveria ser a investigação imparcial da Polícia, “mas como eles são parte do grupo, não vai, um bandido denunciar outro, logo este processo vai se arrastar como todos os outros de elementos da oposição ou incómodos para o regime corrupto da FRELIMO”.

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