A Renamo manifestou hoje a sua disponibilidade para negociar uma saída para a crise política em Moçambique, mas avisa que é irreversível a sua intenção de governar em seis províncias do país”.

“Apresidência da Renamo reitera a sua disponibilidade para negociar com o Governo da Frelimo uma solução definitiva para a actual crise político-militar, que já provocou milhares de refugiados”, declara um comunicado do gabinete do líder da oposição, Afonso Dhlakama, no primeiro dia do mês em que o movimento ameaça tomar o poder no centro e norte do país.

A presidência do maior partido de oposição, prossegue o comunicado, “reafirma que o processo de implantação da governação da Renamo é irreversível e será implementado ainda este mês de Março”, acrescentando que pretende fazê-lo “de forma pacífica e em resposta aos apelos populares”.

Ainda sobre a intenção de governar nas seis províncias (Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala), o gabinete de Dhlakama refere-se a “uma movimentação de grandes contingentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique [FADM] e de armamento pesado do sul para o centro e norte do país”, bem como à presença de instrutores militares norte-coreanos para formação das tropas governamentais.

Todas estas acções, afirma o comunicado, têm “o objectivo de inviabilizar o início da governação da Renamo a partir do mês de Março”, mas que o partido de oposição insiste que vai concretizar, “apesar das incursões militares, dos raptos e assassínios de membros da Renamo e da destruição de habitações e celeiros de cidadãos moçambicanos, principalmente nas províncias de Manica e Tete, perpetrada pelas FADM”.

Esta é a pior crise em Moçambique desde o Acordo de Cessação de Hostilidades Militares, assinado a 5 de Setembro de 2014 pelo ex-Presidente Armando Guebuza e o líder da Renamo, que não reconhece os resultados das últimas eleições gerais e pretende tomar o poder nas seis províncias onde reivindica vitória eleitoral.

Apesar de dois encontros entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e Dhlakama no início de 2015, a violência política voltou a Moçambique e agravou-se nas últimas semanas, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios.

Emboscadas atribuídas à Renamo na província de Sofala levaram as autoridades a montar dispositivos de escoltas militares obrigatórias a viaturas civis em dois troços da N1, a principal estrada do país.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo e que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente Filipe Nyusi tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama, que se encontra numa das bases do movimento na Gorongosa, tem afirmado que só dialogará depois da tomada de poder, a partir de Março, no centro e norte do país.

Entretanto, também a União Europeia (UE) confirma a existência de um pedido de mediação da Renamo para a crise política e militar em Moçambique.

O pedido, noticiado na segunda-feira pelo diário electrónico Mediafax, foi dirigido pela Renamo durante a visita a Maputo, na passada semana, da alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e vice-presidente da Comissão Europeia, Federica Mogherini.

Durante a sua visita, Federica Mogherini alertou que a instabilidade política em Moçambique ameaça os sucessos alcançados nas últimas décadas e considerou decisiva a recuperação de uma dinâmica de reconciliação.

Foto: André Catueira/Lusa

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