Os acólitos internos e externos não têm dúvidas; Angola é um exemplo. Qual será o termo de comparação, mesmo que nos limitemos ao continente africano? Cabo Verde, Zimbabué, Guiné Equatorial? Certo é que regime de Eduardo dos Santos não tem a força da razão mas tem, e de que maneira, a razão da força.

Dando sequência ao seu ADN, o regime de Eduardo dos Santos conseguiu manter Angola entre os seis países considerados mais corruptos no Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional.

No espaço de um ano, como revela a DW, Angola desceu duas posições no Índice de Percepção de Corrupção de 2015, divulgado recentemente pela organização Transparência Internacional. Está agora entre os seis países considerados mais corruptos, num total de 168 Estados analisados. Ficou na posição 163 em ex-aequo com o Sudão do Sul. Atrás ficam apenas o Sudão, Afeganistão, Coreia do Norte e Somália.

A Transparência Internacional acentua as dificuldades em levar “responsáveis públicos corruptos” às barras dos tribunais angolanos. Alerta ainda para a “intimidação de cidadãos que denunciam corrupção”.

Enquanto Angola desce, todos os outros Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) sobem no Índice da Transparência Internacional (embora alguns apenas devido ao sobe e desce dos outros Estados no ranking).

A Guiné-Bissau, por exemplo, subiu três posições, para o lugar 158, mas teve pior avaliação do que em 2014 . Moçambique ficou em 112˚ lugar (no ano anterior, ficou em 119˚). São Tomé e Príncipe subiu dez posições, para o lugar 66, mantendo, no entanto, a mesma avaliação que em 2014.

Cabo Verde continua a ter a melhor nota de todos os PALOP: subiu, duas posições, para o lugar 40. O Botswana continua a liderar o ranking da África subsaariana. Cabo Verde ocupa também a 32ª posição no “Ranking da Democracy Index 2015” da revista The Economist Intelligence Unit, é 6º no conjunto dos países em desenvolvimento e 3º em África, depois de Maurícias e Botswana.

A nível global, a Dinamarca mantém-se na dianteira como o país considerado menos corrupto. De acordo com a Transparência Internacional, em 2015, houve mais países que melhoraram a pontuação no Índice do que os que pioraram. Para a organização, o ano passado “mostrou que cidadãos trabalhando em conjunto podem alcançar sucessos na batalha contra a corrupção”.

O Brasil foi o país que teve a pior queda, para o 76º lugar, no índice de corrupção percepcionada no sector público, divulgado pela Transparência Internacional, que mantém Portugal na 28ª posição entre 168 países.

“O Brasil foi quem teve a maior queda, perdendo cinco pontos e descendo sete posições, para o 76º lugar”, lê-se na 21ª edição do relatório “Índice de Percepção da Corrupção”, da Transparência Internacional.

“O escândalo da Petrobras, actualmente em curso, levou as pessoas às ruas em 2015 e o início do processo judicial poderá ajudar o Brasil a frear a corrupção”, acrescenta o documento.

De acordo com esta análise, que já leva mais de duas décadas, “ao todo, dois terços dos 168 países listados no índice de 2015 têm uma pontuação abaixo de 50, numa escala de 0 (considerado o mais corrupto) a 100 (considerado o menos corrupto)”.

“Se trabalharmos juntos, podemos vencer a corrupção; para acabar com o abuso do poder, o suborno e revelar negociatas, os cidadãos devem juntar-se e dizer aos seus governos que já chega”, diz o presidente da Transparência Internacional, José Ugaz, citado no relatório.

O documento afirma que os países mais bem colocados têm vários aspectos em comum, entre os quais o “alto nível de liberdade de imprensa; acesso a informação sobre orçamento público — para que a população saiba de onde vem e como é gasto o dinheiro; altos níveis de integridade entre as pessoas no poder; e sistemas judiciários que não diferenciam ricos e pobres, e que são realmente independentes das outras esferas do governo”.

Pelo contrário, “para além dos conflitos e guerras, a fraca governança, instituições públicas débeis — como a polícia e o judiciário, e a falta de independência da imprensa caracterizam os países que ocupam as posições mais baixas”.

O Índice de Percepção da Corrupção baseia-se em opiniões especializadas sobre a corrupção do sector público. As pontuações dos países são potenciadas por governos abertos, nos quais os cidadãos são capazes de responsabilizar os seus representantes, enquanto uma pontuação baixa é um sinal da prevalência de subornos, impunidade da corrupção e instituições públicas que não atendem às necessidades dos cidadãos, segundo o relatório.

Do melhor para o pior. Dinamarca, Finlândia, Suécia, Nova Zelândia, Holanda, Noruega, Suíça, Singapura, Canadá, Alemanha, Luxemburgo, Reino Unido.

Seguem-se na 28ª posição o Botswana, 28ª Portugal, 40ª Cabo Verde, 66ª São Tomé e Príncipe, 66ª Macedónia, 66ª Turquia, 76ª Brasil, 112ª Honduras, 112ª Malaui, 112ª Moçambique, 112ª Vietname, 123ª Gâmbia, 123.ª Timor-Leste, 158ª Guiné-Bissau, 158ª Venezuela, 163ª Angola, 163ª Sudão do Sul, 167ª Coreia do Norte e 167ª Somália.

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