O líder da bancada parlamentar da UNITA, Raúl Danda, afirmou hoje que o discurso sobre o Estado da Nação não apresentou soluções para a grave situação de crise económica que o país vive.

R aúl Danda reagia ao discurso sobre o Estado da Nação, lido pelo vice-Presidente da República, Manuel Vicente, no arranque o novo ano parlamentar, em nome do Presidente, José Eduardo dos Santos, que oficialmente sofreu uma “indisposição”, conforme anunciado momentos antes da sessão solene.

Segundo o líder da bancada parlamentar do UNITA, o maior partido da oposição, estava à espera (bem sentado, presume-se) que o Presidente fosse à Assembleia Nacional apresentar soluções.

“Porque aquilo que nós achamos que devia ser uma mensagem sobre o Estado da Nação, é um conjunto de políticas conducentes à solução dos graves problemas que o país vive”, disse Raúl Danda.

Para o deputado, o discurso trouxe apenas “alguns dados estatísticos, que a determinada altura pensamos que estivéssemos diante de um relatório do Instituto Nacional de Estatística”.

“Não estávamos à espera que se dissesse, tal como ouvimos aqui há bocado, que está-se a fazer de tudo para que a situação não tenha um impacto negativo sobre as populações. Sabemos que isso não é verdade, porque há impacto na vida de todos nós”, frisou Danda.

O líder da bancada da UNITA referiu que os grupos parlamentares estão sem dotação financeira para o seu funcionamento há alguns meses porque, segundo o Governo – liderado há 40 anos pelo MPLA, “não há dinheiro”.

“E se não há dinheiro a nível de um parlamento, o que é que se poderá dizer a nível das famílias? As pessoas não têm comida, aquilo que as pessoas ganham hoje para quem trabalha e que ganhava ontem, hoje não consegue comprar nem metade daquilo que podia comprar ontem em termos de alimentação, em termos de tudo”, lamentou.

O Governo angolano afastou hoje, com a perspicácia que se conhece há décadas, um cenário de recessão económica no país, este ano, apesar da forte concentração das receitas no sector petrolífero, admitindo apenas uma “ligeira desaceleração” do crescimento.

“Todas as economias têm ciclos altos e baixos. A boa notícia é que não haverá recessão, mas apenas uma ligeira desaceleração do crescimento da economia, sendo essa uma boa base de trabalho para o próximo ano”, anunciou Manuel Vicente.

Sobre os recados lançados a “entidades estrangeiras interessadas em instalar o caos e a desordem” em alguns países africanos, criticadas hoje pelo Presidente, Raúl Danda considerou que “não passa de uma situação de alguém à busca de bode expiatório”.

“Nós, neste país, estamos habituados desde a sua independência a empurrar culpas para outrem quando nós é que dirigimos. Já foi culpa da guerra o impedimento de fazer isto e aquilo, a chuva, enfim”, ironizou.

O deputado disse também que os angolanos não aceitam que nenhuma nação estrangeira venha para desestabilizar Angola, mas o país não se pode escudar “por detrás de tentativas de golpes de Estado e de incitamentos, porque isso é mentira”.

“Há entidades estrangeiras interessadas em instalar o caos e a desordem em alguns países do nosso continente, para provocar a queda dos partidos políticos ou de dirigentes com os quais não se simpatiza. Os angolanos nunca vão ceder diante de quem quer que seja, sempre que se tratar da defesa dos seus interesses essenciais e vitais. Assim, é fundamental que o nosso povo se mantenha unido e coeso”, disse Manuel Vicente.

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