Enquanto poucos dispõem de muito, muitos dispõem de pouco. Essa é uma das mazelas da sociedade humana, que super-estima o supérfluo. Todos os dias, milhões de pessoas travam batalhas pela sobrevivência, enfrentando inúmeras intempéries.

Por Gabriel Bocorny Guidotti (*)

A pobreza é um problema global que vitima inocentes. Um mundo melhor caminha na esteira de garantir, a todos, condições dignas de vida. Ainda estamos muito distantes dessa realidade, mas, paulatinamente, é possível chegar lá.

A Organização das Nações Unidas (ONU) não ficou parada perante o contexto degradante da pobreza. Semanas atrás, um encontro em Nova Iorque traçou um plano ambicioso para o desenvolvimento sustentável. Os países reunidos estabeleceram 17 metas, divididas em 169 objectivos para os próximos 15 anos. Na pauta, a busca pela protecção de vidas humanas, bem como a conservação do meio ambiente.

O programa visa acabar com a pobreza, garantindo um mínimo de dignidade aos indivíduos afectados, e combater as mudanças climáticas no planeta a um custo que flutua entre 3,5 a 5 bilhões de dólares por ano. O plano intenta também garantir o acesso à educação, à saúde, à igualdade social, especialmente no caso das mulheres, e compartilhar boas práticas de governança, para que os países desvalidos se consigam auto-administrar.

Para se compreender o drama da pobreza: cerca de 836 milhões de pessoas ainda vivem com 1,25 dólares por dia. Um valor irrisório, que não evita severas indignidades. Consequentemente, estas pessoas sofrem de desnutrição, doenças, violência de grupos militarizados e, inevitavelmente, a impossibilidade de projectar uma vida melhor. O sofrimento é tamanho que muitos, simplesmente, desistem da dramática vida que a natureza lhes deu.

Esse é o pior atentado que pode ser cometido contra nosso espírito colectivo: a morte da esperança. A humanidade sempre conviveu com violações de direitos humanos. A riqueza de um é a pobreza de outro, de modo que é obrigação da comunidade internacional trabalhar para atenuar as desigualdades. Promover o desenvolvimento de nossa espécie é um acto de amor ao próximo, algo que nos diferencia de outros seres. A nossa razão, portanto, deve ser usada para o bem. Que a iniciativa da ONU seja um tremendo sucesso.

(*) Jornalista e escritor – Porto Alegre, Brasil

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