Quando a notícia me chegou, fiz-lhe um título que cobriria o que me ia na alma, tal era a emoção: FOGO! GANHASTE MIÚDO.

Por William Tonet

C om a idade, que morreu Jesus Cristo, para nos salvar, como reza a Bíblia, poucos destes dirigentes que nos (des)governam, alguma vez tiveram a tua dimensão e, não acredites, que a tiveram, porquanto, hoje pelas suas posições, se vê, que muitos, em 1960 foram para o maqui, não com a verdadeira convicção de libertar os povos angolanos colonizados. Não!

A realidade do que injustificadamente fazem sofrer os nossos povos com esta abjecta colonização, demonstra terem ido, para as matas, como forma de pressionar as autoridades salazaristas (como fizeram, entre outros, agora, Bento Bembe da FLEC-Cabinda e Jorge Valentim da UNITA), a concederem-lhes uns tachos (cargos), que se contentariam, como chefes de posto e de repartição, uma vez, terem-se convertido à política de assimilação, negando as nossas culturas e línguas.

Prova evidente é o art.º 19.º da CRA, uma pretensão antiga de António de Oliveira Salazar, materializada pelo actual regime JES/MPLA de subalternizar e política de extinção das línguas angolanas, falada pela maioria; 75% da população.

FOGO! MIÚDO GANHASTE

Muitos, se não fossem os capitães de Abril do exército colonial português, que fizeram o golpe de Estado em Portugal, no 25 de Abril de 1974, estariam a trabalhar no Gabão, outros abandonado a luta, entregando-se às delícias de uma vida boémia, pois não tinham convicções de LIBERDADE, JUSTIÇA, CIDADANIA E DEMOCRACIA, como tu. Logo é gente de baixo quilate, que nunca soube o que é lutar por convicções e causas. Eles lutam pela manutenção de um regime, mesmo déspota que lhes garanta, “Emepelisticamente”, mordomias, poder e corrupção.

FOGO! MIÚDO GANHASTE

36 dias depois, mostraste que se a democracia, tivesse governado 36 anos, Angola seria melhor e não teria no poder negros racistas, que exploram a maioria preta e utilizam as minorias, na sua estratégia de poder.

Basta ver como te diabolizaram, por seres mulato, massacrando as vigílias e obrigando certos padres a faltar com a verdade. Mas, ainda assim, orgulhosa e assumidamente mostraste seres filho de chão angolano, sem coluna de corrupção, mas com mente de elevada dignidade moral.

Hoje (26.10.15) o regime está pior, saiu, nacional e internacionalmente, derrotado, numa luta, qual bisonte, que travaste, com este elefante, que sucumbiu às letras de um livro que te alfabetizou e aos demais…

PORRA, MIÚDO! ESTÁS DE PARABÉNS

Depois deste regime, caduco e insensível, um regime que não respeita o art.º 30.º da CRA (Direito à vida), teremos LIBERDADE, JUSTIÇA E DEMOCRACIA!

FOGO, muito obrigado, em nome de todos, quantos definham, injustamente, nas masmorras do regime e daqueles barbaramente assassinados, por ingenuamente acreditarem na eficácia do art.º 23.º da “Constituição jessiana”: “todos são iguais perante a Constituição e a Lei”, mas, com o actual regime, desenganem-se, pois o que impera é a visão sectária de Orwell: “todos são iguais, mas uns mais iguais do que outros”.

Basta ver como os filhos, familiares e dirigentes do regime, corruptamente enriqueceram, abandonando a visão social de Estado. E, o pior nisso tudo, é que a tua luta destapou a cobardia e insignificância de muitos dirigentes do MPLA, apresentados como nacionalistas e arautos da independência nacional, mas que são verdadeiros cobardes e arautos, sim, da INJUSTIÇA E CORRUPÇÃO NACIONAL.

FOGO MIÚDO! Mostraste que as mordomias tornaram o MPLA não num partido de ideologias e causas de cidadania, mas numa central de negócios e corrupção, cujos políticos se transformaram em comerciantes vorazes…

PORRA, GANHASTE…

OBS: Aqui chegado, o meu amigo e velho companheiro de longa trajectória, desde os tempos de meninice, no Huambo (ele sempre foi meu mais velho), Orlando Castro disse: “mano este texto é insuficiente, tens de parir outro, só depois liberto este”.

E, nos finalmente disse: “entende como quiseres, aprendi com o regime a agir assim, mas democraticamente e por uma causa nobre, pois nunca te espancarei, prenderei injustamente, nem assassinarei”…

E, à boa moda angolana e africana, aceitei as condições impostas pelo Orlando Castro e assim, quem sabe, amanhã, estarei em condições de ver publicado, a minha visão mais profunda, sobre o gesto do Luaty, dos 14+1 e dos demais presos políticos, que definham nas fedorentas masmorras do regime.

Leia amanhã: Luaty coerente – a vitória da razão

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