A Arquidiocese de Luanda aguarda por informações do superior hierárquico da igreja de São Domingos para se pronunciar sobre a invasão do tempo pela Polícia Nacional do regime, na sequência de uma vigília a favor dos 15 jovens activistas detidos.

S egundo o porta-voz da Arquidiocese de Luanda, padre António Bengui, foi já solicitada aos padres daquela igreja uma informação sobre o que terá ocorrido, na segunda-feira, ao fim do dia naquele local.

Em causa estão alguns populares, de várias idades, incluindo jovens activistas que reclamam a libertação do grupo de 15 pessoas – um dos quais Luaty Beirão, em greve de fome há 24 dias – detidos por suspeita de preparação de um golpe de Estado e de um atentado contra o Presidente de Angola e que assistiam a uma celebração eucarística naquele templo.

Através das redes sociais e confirmadas por jornalistas presentes foram feitas algumas denúncias sobre a entrada de agentes da Polícia na igreja para deterem pessoas no seu interior.

O director provincial da polícia de ordem pública de Luanda, superintendente-chefe Mateus André, refutou e repudiou “com veemência” essas acusações, anunciando que a Polícia Nacional vai responsabilizar os autores dessas denúncias.

Um vídeo de um padre começou a circular nas redes sociais, a denunciar e reprovar o ocorrido.

“O paradoxal nesta situação é o facto de que a pessoa que faz passar esta informação nem sequer está no país. Ao que sabemos encontra-se em Roma, na Cúria Romana, e não no país”, disse aquele responsável da polícia.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Arquidiocese de Luanda disse que depois de informados pelo superior hierárquico da igreja São Domingos, será feita uma comunicação oficial sobre o assunto.

Segundo o superintendente-chefe Mateus André, a polícia “sente-se injuriada, difamada”, por este facto reserva-se o direito de intentar uma acção para quem assim procedeu.

Mateus André disse que a polícia tem estado a acompanhar durante esta semana determinados ajuntamentos, organizados por indivíduos “devidamente conhecidos pelo comportamento que têm na alteração da ordem e tranquilidade públicas”.

“E eles, inteligentemente, entenderam, tendo em consideração aquilo que representa a igreja, acharam que aproximando-se desta instituição, poderiam de facto realizar as suas acções de alteração da ordem e tranquilidade pública”, referiu ainda.

“Eu pessoalmente, na veste de director provincial da ordem pública, acompanhamos dois dias subsequentes, este tipo de ajuntamentos na parte exterior da igreja Sagrada Família [no domingo], ao que, de forma educada, contactamos os responsáveis deste ajuntamento, alertando-os da alteração da ordem naquele espaço”, acrescentou.

Aquele responsável disse ainda que, enquanto decorria o ato religioso no interior da igreja o ajuntamento se fortalecia, “com intenções infundadas”, pelo que foram intimados os responsáveis a desistirem da acção.

“Sabemos é que depois deste facto, no dia posterior, eles pensando que enganariam a Polícia Nacional seleccionaram outro espaço, que é este da Igreja São Domingos e o que nós fizemos foi interditar que a mesma acção tivesse lugar na parte exterior da igreja São Domingos”, frisou Mateus André.

“Convidamo-los a sair, mas em momento algum a Polícia Nacional teria se introduzido, seja a que pretexto, até porque nós procedemos as nossas actuações nos termos dos limites da lei, em momento algum a Polícia Nacional introduziu-se no interior da igreja São Domingos”, sublinhou.

A ser verdade esta tese, porque razão a polícia do regime diz que abriu um inquérito para investigar acusações de que agentes daquela força irromperam, segunda-feira, pelo interior de uma igreja de Luanda onde se concentravam populares que pedem a libertação de 15 activistas detidos desde Junho?

A informação do inquérito foi avançada pelo porta-voz do comando provincial de Luanda da Polícia do regime, inspector-chefe Mateus Rodrigues (foto), e surgiu, explicou, após “denúncias públicas”, nomeadamente nas redes sociais, sobre a entrada de agentes policiais na igreja de São Domingos, na capital angolana, “para prenderem” pessoas no seu interior.

Em que é que ficamos? Simples. Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.

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