A empresária angolana Isabel dos Santos quer utilizar a revista Forbes, cuja distribuição garantiu para as versões em Angola e Portugal, para divulgar internacionalmente o momento actual das empresas e economias da lusofonia.

“E u sempre apostei muito na lusofonia, acho que é muito importante termos um meio de comunicação como o nosso, baseado na língua portuguesa”, disse hoje a empresária, filha do presidente vitalício de Angola (36 anos de poder sem ter sido nominalmente eleito), na apresentação, em Luanda, da primeira edição da Forbes Angola.

“Ter uma revista que consiga espalhar para o mundo o que se passa nas nossas economias, nas nossas empresas, acho que era uma matéria interessante e que não está ainda suficientemente tratada”, afirmou Isabel dos Santos, em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia.

Os direitos de exploração para esta versão lusófona da revista económica Forbes, cujo primeiro número é lançado esta sexta-feira em Angola com periodicidade mensal, foram entretanto adquiridos por Isabel dos Santos, que promete versões próprias para Portugal, Moçambique e outros países de língua portuguesa, para divulgar a realidade dos negócios comuns.

“Não só Angola, mas das oportunidades que existem no universo dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] e no universo dos países de língua portuguesa. Porque são economias muito dinâmicas, também bastante interligadas. Há hoje muitas ligações entre Portugal e Angola, há também ligações entre Angola e Moçambique, Cabo Verde e Santo Tomé”, apontou.

Classificando o primeiro número da Forbes Angola como um “marco histórico” para o país, a empresária, igualmente filha do Presidente do MPLA (partido no poder há 40 anos) e do Titular do Poder Executivo (36 anos), garante que a publicação vai tratar das empresas, mas também do entretenimento.

“Acho que vai ser bastante apreciada, tanto em Angola como em Portugal. Espero eu”, apontou.

A revista norte-americana, na sua versão internacional, publicou, em Setembro de 2013, um artigo relacionando Isabel dos Santos com enriquecimento ilegítimo, alegando que “todos os grandes investimentos angolanos detidos por Isabel dos Santos vêm ou de ficar com uma parte de uma empresa que quer fazer negócios no país ou de uma assinatura presidencial que a inclui na acção”.

Estas acusações foram então refutadas pela empresária angolana, que garantiu, em comunicado, que “nunca o Presidente nem o governo angolanos transferiram ilegalmente acções de empresas para Isabel dos Santos” ou “para quaisquer empresas controladas” por si.

Se os não podes vencer… compra-os, terá pensado Isabel dos Santos. E se bem o pensou, melhor o executou.

O segredo é a alma do negócio. Contudo, sabe-se que o orçamento inicial da nova revista deve rondar três milhões de euros. A primeira edição de 7.500 exemplares e vai custar Kz 800.

A edição em português surge de uma parceria entre a editora dos EUA e a ZAP, onde Isabel dos Santos detém uma participação de 70% e a portuguesa NOS 30%.

Segundo o director-executivo das edições em português da Forbes, Luís Leitão, o objectivo é vir a dominar o segmento das revistas de negócios nos três mercados lusófonos. O conteúdo das revistas inclui uma parte nacional e cerca de 25 a 50% de conteúdo partilhado pelas edições internacionais.

A equipa é composta, além do director, por três jornalistas, um director gráfico, um tradutor e um revisor, além de fotógrafos e jornalistas em regime de freelance.

Pelos menos numa fase inicial o processo foi conduzido por António Costa, ex-director do Diário Económico, hoje na Direcção da portuguesa TVI e que é consultor do grupo de Isabel dos Santos.
Para melhor compreender a motivação de Isabel dos Santos registe-se que, recentemente, a Forbes considerou José Eduardo dos Santos como o segundo pior presidente em África, logo a seguir ao seu homólogo e velho amigo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema. Essa constatação, que todo o mundo vê, não impediu – por exemplo – que Angola seja membro do Conselho de Segurança da ONU.

A revista Forbes lembraa que o chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, chegou ao poder 1979, depois da morte do seu antecessor, Agostinho Neto, e para seu descrédito tem conduzido o país como se gerisse a sua própria empresa.

Num artigo, assinado por Mfonobong Nsehe, pode ler-se que a governação do Presidente Eduardo dos Santos se tem pautado por casos de nepotismo, onde o primo ocupa o cargo de vice-presidente e a sua filha Isabel é a mulher mais poderosa em Angola.

A Forbes destacou ainda que, segundo a Agência Internacional para o Desenvolvimento, o país é extremamente rico em recursos naturais, sendo o segundo maior produtor de petróleo na África Subsariana e ocupa o quarto lugar no ranking mundial na produção de diamantes em bruto.

Todavia e apesar dos recursos existentes no país, 68% da população vive no limiar da pobreza, a educação é gratuita, mas sem qualidade, 30% das crianças estão subnutridas, a esperança média de vida é de 41 anos e o desemprego elevado.

O artigo avançava que em vez de partilhar o crescimento económico de Angola com a população, José Eduardo dos Santos conduz uma política de intimidação, sobretudo nos meios de comunicação social e canaliza os fundos do Estado para contas pessoais ou de familiares.

A Forbes deu ainda o exemplo de que a família do chefe de Estado controla o sector económico no país, e que a sua filha Isabel serve-se do poder do pai para comprar activos em empresas portuguesas.

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