O crédito concedido pelos bancos angolanos já aumentou mais de 7% desde o início do ano, tendo renovado em Setembro máximos de 2015, fixando-se em cerca de 23,1 mil milhões de euros.

S egundo relatórios mensais, sobre a actividade, do Banco Nacional de Angola (BNA), trata-se ainda de um aumento superior a 3% face ao mês anterior, de Agosto, num ano marcado por várias oscilações no total de crédito concedido.

Esse total atingiu em Setembro o máximo de ano, cifrando-se em 3,335 biliões de kwanzas (22,3 mil milhões de euros), renovados em Setembro, para 3.445 (23,1 mil milhões de euros), de acordo com os dados do banco central angolano.

Deste total, 640,7 mil milhões de kwanzas (4,3 mil milhões de euros) – um aumento superior a 3% face a Agosto – correspondem a crédito concedido ao sector do comércio por grosso e retalho, logo seguido pelas actividades ligadas ao imobiliário e serviços de construção, com 479 mil milhões de kwanzas (3,2 mil milhões de euros).

O crédito total concedido directamente a particulares, segundo os dados do BNA, elevou-se 2,4% em Setembro, para 666,1 mil milhões de kwanzas (4,4 mil milhões de euros).

Angola vive uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que motivou uma descida para cerca de metade nas receitas fiscais com a exportação de petróleo e por consequência na entrada de divisas no país, condicionando toda a actividade económica.

Os lucros da banca angolana caíram para metade em 2014, influenciados pela situação no ex-Banco Espírito Santo Angola (BESA), segundo a análise que a consultora Deloitte apresentou a 22 de Setembro último, em Luanda.

Angola contava em 2014 com 23 bancos e o resultado líquido do sector caiu para 45,4 mil milhões de kwanzas (300 milhões de euros), comparando com o ano anterior, devido ao ‘caso BESA’, que foi transformação em Banco Económico, após intervenção do BNA.

“Não considerado esse efeito [ex-BESA], os resultados líquidos do sector teriam registado um crescimento de 12%”, conclui a 10.ª edição do estudo “Banca em Análise”, que analisou dados do BNA.

“A banca angolana mostrou mais uma vez a resiliência que tem demonstrado nos últimos anos, crescem os principais indicadores, ao nível do crédito e dos depósitos, do volume total de activos. Face ao contexto em que estamos, eu diria que [o sector] está bem”, enfatizou na ocasião Nuno Alpendre, da Deloitte.

O estudo da Deloitte refere ainda que o crédito líquido a clientes em Angola aumentou 8% face a 2013, ultrapassando, em valores agregados, os 2,930 biliões de kwanzas (19,2 mil milhões de euros).

Contudo, o crédito vencido também disparou, 11,2%, e ascende actualmente a 14,5% do total, equivalente por isso a cerca de 2,8 mil milhões de euros.

“Continuam a manter-se alguns desafios relevantes, devendo o sector estar atento à evolução desfavorável dos rácios de crédito vencido que se verificou neste último ano”, alertou Nuno Alpendre.

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