A CASA-CE, segundo maior partido da oposição angolana, apontou hoje o eminente “colapso financeiro” em Angola, afectando milhões de cidadãos, nomeadamente com atrasos nos pagamentos salariais da função pública.

O assunto foi abordado em conferência de imprensa, em Luanda, dirigida pelo líder da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, que abordou a crise económica em Angola, provocada pela quebra nas receitas do petróleo.

O líder da CASA-CE disse ainda que o impacto negativo da crise financeira está confirmado na subida vertiginosa dos preços dos produtos básicos e o aumento da pobreza “e em particular o desmoronar da nascente classe média angolana”.

Segundo Abel Chivukuvuku, este impacto resulta, em parte, de medidas monetárias e bancárias, adoptadas pelo Executivo do MPLA, no que toca às normas dos recursos monetários em moeda estrangeira em contas bancárias no país.

Para o político, qualquer alteração nessa matéria devia resultar de uma ampla auscultação pública e melhor clarificação “para que não sejam arbitrárias e discriminatórias”.

“O Conselho Presidencial da CASA-CE exprime o seu mais firme repúdio às medidas emanadas pelo Titular do Poder Executivo, que mais se assemelham a um furto qualificado das pequenas poupanças em moeda estrangeira, arrecadadas ao longo de anos, com muito sacrifício por parte dos cidadãos honestos, os quais estão agora impedidos de efectuar qualquer levantamento do seu próprio dinheiro [moeda estrangeira]”, disse o líder da CASA-CE.

Abel Chivukuvuku exprimiu ainda preocupação com o que apelidou de “a mais vergonhosa burla”, aludindo à alegada intenção do Governo de, em Fevereiro de 2016, avançar com a conversão em moeda nacional de todas as contas tituladas em moeda estrangeira, sem prévio consentimento dos titulares das mesmas.

De acordo com Abel Chivukuvuku, esta estratégia será adoptada “depois de muitos dignitários do regime terem transferido para o exterior os seus recursos em moeda estrangeira”.

A segunda maior força da oposição angolana recomenda ao Governo que respeite os direitos e garanta a todos os angolanos, detentores de contas bancárias, tituladas em moeda estrangeira e domiciliadas em Angola, o acesso aos seus recursos.

No entendimento de Abel Chivukuvuku, a proibição de aberturas de contas em moeda estrangeira deve ser submetida à Assembleia Nacional para a aprovação de uma lei para o efeito.

“O Conselho Presidencial da CASA-CE alerta as instituições públicas, que tenham em conta, que essas políticas podem levar a reacções imprevisíveis por parte dos cidadãos”, referiu o líder da coligação, exortando ainda todos os angolanos a não permitirem que as instituições públicas se transformem em “agentes de furto dos seus parcos recursos”.

O apelo feito vai igualmente no sentido de todos os cidadãos assumirem uma postura e espírito pacífico, mas reivindicativo, em defesa das cidadanias.

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