O Serviço de “mortologia da reipública” de Angola acaba de fazer mais uma previsão do estado do tempo: a esperança média de vida na “reipública” subiu para os 61 anos.

Por Domingos Kambunji

Quer isto dizer que Zédu já deveria estar, há muito tempo, a fazer companhia ao Fidel Castro? Ou será que quem recebe tratamento médico em Barcelona consegue viver para além dos 61 anos? Os que recebem acompanhamento médico (ou não) nos serviços hospitalares do Sistema Nacional de Saúde da “reipublicana monarquia” de Angola desaparecem das estatísticas, como que por milagre?

Que credibilidade merecem as estatísticas manipuladas pelo governo da “reipública”? Ainda não há muito tempo o MPLA obrigou os órgãos oficiais de informação e propaganda a vomitar a notícia de que a malária estava em vias de extinção. Depois dessa aberração alguns milhares de angolanos morreram devido à malária. Mais recentemente a população foi informada, pelos mesmos chicos-espertos, de que a febre Amarela estava controlada. Infelizmente, não foi com grande admiração que soubemos que surgiram mais casos dessa doença. Poderíamos discutir os números camuflados de lepra, raiva, tuberculose, subnutrição… Não vale a pena porque, infelizmente as estatísticas oficiais, para além de manipuladas, são exageradamente boçais.

Não nos cansamos de relembrar uma notícia/reportagem, publicada há alguns anos no Jornal de Angola, sobre o Hospital (?) de Icolo e Bengo. Dizia o “journalista” que os serviços eram de elevada qualidade. A única contrariedade era a de que o Hospital (?) não tinha medicamentos para tratar os doentes. Os doentes, que não morriam, melhoravam graças ao carinho e à atenção dos enfermeiros.

(No século XXI os “jornalistas” do Jornal de Angola ainda acreditam na teoria da geração espontânea e nos poderes milagrosos do presidente da “reipública” para resolverem todos os males)

Estas são as estatísticas de um governo que, quando aconteceu o abaixamento drástico no preço do petróleo, dizia que o país não iria entrar em crise porque o Presidente Zédu, atempadamente, diversificou a economia. Depois, quando o sofisma começou a ser desmascarado, dizia que a exportação de diamantes iria compensar a perda nas receitas com a exportação do petróleo. Essa falácia caiu por terra. Então, o mesmo governo, que publica estas estatísticas, disse que iria diversificar a economia (que dizia inicialmente já estar diversificada) para combater a crise.

Agora a desculpa é a de que a falta de crescimento em Angola é provocada pela “crise internacional”, como se Angola fosse um país altamente industrializado e se encontrasse impossibilitado de exportar os seus produtos tecnológicos.

Que credibilidade tem um governo que está mais orientado para matar do que para educar e tratar? O Ministério da Guerra (erradamente designado da Defesa) recebe uma fatia muito maior do orçamento nacional do que os da Saúde e Educação, em tempo de “paz”. O Ministério da Guerra não necessita da solidariedade internacional para poder esbanjar dinheiro, satisfazendo a megalomania e a “kapercentagem” dos generais. O Ministério da Saúde, muitíssimo doente, necessita da solidariedade internacional para combater as epidemias. Quando as dádivas internacionais chegam, elas são vendidas nos mercados paralelos, enriquecendo assim os “generais” da Saúde.

Em Angola tudo se mede em ostentação do novo riquismo e em dinheiro. Usando esses padrões, se fosse verdade que o nível médio de vida subiu para 61 anos, quanto é que o MPLA deve, por danos morais e por impedimento de atingirem o nível médio de vida, aos familiares de Cassule, Camolingue, Ganga, Rufino António e tantos outros milhares de angolanos que morreram durante a guerra civil iniciada pelo MPLA?

Haja um mínimo de decência! Não brinquem com o respeito que os cidadãos angolanos merecem. Não tentem inventar mais falácias para encobrirem a vossa incompetência.

As culturas e as civilizações não melhoram as sociedades obedecendo aos patrulheiros pistoleiros e aos seus trinta-dinheiros.

A esperança media de vida subiu para 61 anos, onde? No Comité Central do MPLA?

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