O país está sem pontas, o cidadão desesperado, as empresas a fechar diariamente, o desemprego em alta (como nunca, desde 1975), a economia não despenca, o empreendedor e o empresário não vislumbram uma estratégia de gestão económica, capaz de projectar, com pragmatismo um enfrentar da crise.

Por William Tonet

O regime do MPLA parece estar a criar condições objectivas para uma grande convulsão social ou o deflagrar de uma nova guerra urbana e ou de guerrilha, com os actos de ostentação de riqueza de muitos dos seus membros e ou filhos, quando a maioria definha a fome, sem carteira escolar, aspirina e gasóleo para o gerador num hospital público.

Os erros, o desrespeito, a ganância, o roubo, a corrupção descarada, o nepotismo e as provocações, da elite no poder, contra a maioria dos cidadãos, principalmente os pobres, multiplicam-se, muito também, pela falta de ousadia da classe intermédia, dos partidos da oposição e, principalmente, da cobardia e falta de patriotismo da Polícia Nacional e das Forças Armadas e de Segurança, que ao invés de defenderem a soberania do povo, se comprometem com a “SOBERANIA DO CAPITAL”, que lhes garante algumas mordomias.

Em condições normais, estando o país, num beco sem saída e com o desânimo em espiral, o que fazer? Nada? Sair para uma guerra social, partindo tudo que se confunda com a roubalheira institucional? Não! A violência não se paga com violência e poderá não ser boa conselheira. Mas alguma coisa deve ser feita, com pragmatismo, para não sermos engolidos, por esta desgovernação.

Agora é chegada a vez do cidadão e dos povos, que sofrem, por, alegadamente, não poderem contar com os políticos, principalmente, os da oposição, que se demitem do seu objecto principal, quando a sua agenda deveria englobar; as reivindicações, as acções de denúncia e informação regular e as manifestações permanentes, através de denúncias sobre os males do regime, visando a alternância e conquista pacífica do poder.

Veja-se o ouro a mão de semear, que não indigna estes políticos, que se assemelham aos de pacotilha, que se contenta com algumas parcas mordomias:

a) cabimentação inusitada, de novos jeeps Lexus, para os futuros deputados à Assembleia Nacional, cujo preço, segundo a factura, evidencia vergonhosa sobrefacturação, na ordem dos 150% , que mancha a honorabilidade e imagem dos membros do poder legislativo, particularmente do seu presidente, Fernando da Piedade Dias dos Santos;

b) compra de um relógio (comprador diz, integrar uma colecção de quadros), por Danilo dos Santos, um menino de 23 anos de idade, filho do Presidente da República, por 500 mil dólares, nos Estados Unidos, para espanto do showbizz internacional, quando os hospitais na capital de Angola, carecem apenas de 50 mil dólares, para a compra de anti-paludicos e luvas;

c) aquisição de um iate para 12 pessoas, por 28.5 milhões de Euros por Isabel dos Santos, primogénita do Presidente da República, nesta fase, em que a sua nomeação para Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, continua envolta em polémica entre o nepotismo, a competência e o conflito de interesses.

Diante deste quadro dantesco, alguém tem de fazer alguma coisa, para o país não resvalar na indignação geral e ser surpreendido pelo atear da mecha.

Continuo a defender, o facto do Presidente Eduardo dos Santos, não passar ao largo desta situação, pois com base na sua autoridade e controlo da máquina, deter poder, para estancar os ânimos e pôr ordem no círculo, para se acautelar a estabilidade futura. A verdadeira PAZ não é a de hoje, a verdadeira PAZ é a de amanhã, principalmente se houver um Pacto de Regime, para que todos, angolanos, irmanados e reconciliados, a desfrutem em igualdade de oportunidades e igualdade.

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