O especialista da indústria petrolífera angolana e ex-director-geral adjunto da multinacional Total no país, Jorge Abreu, defende que Angola deve avançar para a pesquisa de reservas de gás natural e assim aumentar as exportações de hidrocarbonetos, concentradas no petróleo.

E m entrevista à Lusa, o consultor, com 37 anos no sector petrolífero angolano, assumiu que até agora “pouco ou nada se fez” na pesquisa de reservas de gás no país, apesar da potencialidade de Angola, que já é o segundo produtor de petróleo da África subsaariana.

Os únicos passos, explica, foram feitos no sentido de aproveitar o gás associado à produção de petróleo bruto, mas cuja actividade está parada desde Abril de 2014 devido a um problema na fábrica “Angola LNG”, no Soyo, no norte de Angola.

“Em Angola nunca houve exploração para a temática do gás”, afirma Jorge Abreu, aludindo às prospecções, que estão concentradas no petróleo.

A produção de gás natural liquefeito no Soyo, de acordo com anúncio do Governo, só estará estabilizada em Junho de 2015, depois de ultrapassados os problemas que provocaram a paragem da fábrica, em Abril do ano passado.

Só esta unidade, que resulta do aproveitamento do gás da produção de petróleo, tem capacidade para processar, para exportação, o equivalente a mais de 140 mil barris diários de gás.

Desta forma, e somando à produção actual superior a 1,8 milhões de barris de petróleo diários, Jorge Abreu assume que Angola já poderia estar na “marca dos 2 milhões de barris de hidrocarbonetos” produzidos diariamente.

Neste cenário, o ex-quadro da petrolífera Total, garante que o gás natural é um recurso que Angola deve desde já avaliar.

“Só aí é que vamos ter uma ideia de qual é o inventário de gás natural disponível em Angola, que vai poder alimentar no futuro a fábrica actual da LNG e provavelmente outras. Ou uma extensão daquela”, assume.

“Mas, antes de se fazerem os estudos, é uma especulação”, adverte Jorge Abreu.

A fábrica da LNG no Soyo representou um investimento de dez mil milhões de dólares (8,7 mil milhões de euros), só deverá estabilizar a produção em Junho, de acordo com a informação do consórcio e do próprio construtor. Em causa estão problemas técnicos ocorridos a 10 de Abril e que motivaram a interrupção da produção naquela fábrica.

A situação foi alvo de uma investigação e a administração do projecto, liderado pela petrolífera norte-americana Chevron, confirmou em Maio que decidiu avançar com a correcção dos “aspectos ligados ao incidente”, resolvendo igualmente os “problemas relacionados com a capacidade da fábrica”.

A “Angola LNG”, que produz gás natural super-refrigerado para exportação, tinha vindo a sofrer sucessivas quebras de produção desde que foi inaugurada, em Junho de 2013.

Através desta fábrica, está prevista a recolha, processamento, venda e entrega de gás natural liquefeito, além de propano, butano e condensados, a partir da sua instalação no Soyo.

A capacidade de produção da “Angola LNG” envolve ainda de 125 milhões de metros cúbicos de gás natural para consumo doméstico.

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