Sob a máscara de “colaboração pontual”, António Costa, suposto jornalista português, que abandonou há poucas semanas a direcção do Diário Económico (para qual foi “escolhido” após filiar-se na loja maçónica do patrão) colabora actualmente com Isabel dos Santos mediante uma avença de consultoria para a ZAP, devendo ser o responsável pela versão lusófona da Forbes, comprada por Isabel dos Santos.

O Expresso escreve que António Costa tem “uma avença de consultoria para a área de conteúdos económicos da plataforma de televisão por satélite ZAP”, uma empresa que opera nos mercados de Angola e Moçambique.

António Costa também confirmou que está a apoiar “na avaliação dos conteúdos económicos” da ZAP, mas rejeitou uma eventual possibilidade de vir a integrar os quadros desta empresa da filha do presidente angolano, no poder desde 1979 sem nunca ter sido nominalmente eleito, José Eduardo dos Santos.

“Tenho uma avença com a Media Capital para fazer comentário nos canais da TVI e também para colaborar na área de parcerias editoriais”, disse António Costa ao Expresso. Ainda em declarações reproduzidas pelo mesmo jornal, o suposto jornalista revelou estar a ponderar avançar com um projecto de informação económica online.

António Costa deixou a direcção do Económico em finais de Abril, função que ocupava de forma interina desde que apresentou a sua demissão do jornal detido pela Ongoing a 30 de Março.

Recorde-se que o ex-director do Diário Económico e agora submisso assalariado “pontual” de Isabel dos Santos, garantiu em tempos que, desde que dirigia o jornal, “em nenhum momento” a administração da Ongoing ou o poder político e económico condicionou “o director, um jornalista ou a linha editorial” daquele diário.

O melhor é quem não o conhecer rir a bandeiras despregadas. Os que o conhecem se calhar, como é o caso dos que o viram no Jornal de Notícias a aprender a contar até 12 sem se descalçar, preferem chorar.

Durante a audição na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento português, para avaliar alegados condicionalismos à liberdade de expressão, António Costa aproveitou grande parte das suas intervenções iniciais para responder às referência feitas pelo ex-director do “Público” (hoje Publisher e membro do Conselho de Administração do jornal on-line Observador), sobre as alegadas mudanças no alinhamento do Diário Económico depois da compra pela Ongoing: “José Manuel Fernandes deveria ser o último a falar de credibilidade editorial”, criticou o agora pontual assalariado de Isabel dos Santos e perito da TVI na lavagem de tudo que for necessário.

Em termos profissionais, comparar o jornalista José Manuel Fernandes com o sipaio António Costa é mais ou menos como comparar José Eduardo Agualusa com Artur Queiroz.

Depois de citar o primeiro editorial da nova direcção do “Público” – que defendia a necessidade de recentrar os valores da fundação daquele diário – António Costa defendeu ainda que a quebra de 9% nas vendas do Público em 2009, por contraponto com o crescimento de 10% no Diário Económico demonstrava “que os leitores acreditam no Diário Económico”.

Na altura só faltou dizer (e certamente que o António Costa não o fez por mera modéstia) que todos os socialistas também acreditavam no Diário Económico. Aliás, todos quantos estão no poder – sejam quem for – podem acreditar no que o rapaz faz. É tudo uma questão de euros ou dólares. Ontem foi o Diário Económico, hoje é Isabel dos Santos e a TVI, amanhã será o Pravda do regime do pai querido Eduardo dos Santos. Aliás, reconheça-se, durante grande parte do consulado de António Costa o Diário Económico foi de longe o jornal mais lido no Largo do Rato, em Lisboa.

Sobre as relações do Diário Económico com o poder político, o “pontual” colaborador de Isabel dos Santos relativizou as alegadas pressões de José Sócrates ou dos seus assessores, defendendo que “não é por receber um telefonema do primeiro-ministro ou do líder do PSD” que “a liberdade de expressão fica em causa”. “Mal seria que um director de um jornal não falasse com o primeiro-ministro ou com todos os líderes partidários”, defendeu.

Nem mais. Receber, ou fazer, um telefonema para o primeiro-ministro não tem mal. Não tem mesmo. A não ser que seja para lhe perguntar se tem alguma alteração a fazer ao texto que vai sair no dia seguinte… e que foi escrito de uma forma independente pelos “Press officers e Media consultants” do governo.

“Press officers e Media consultants” que falam todos os dias com os administradores, directores e jornalistas das televisões, das rádios e dos jornais e (no que aos jornalistas respeita) “escrevem notícias com todos os requisitos profissionais, de modo a facilitar a vida aos jornalistas”.

“Press officers e Media consultants” que, segundo o sociólogo português António Barreto, “mentem de vez em quando. Exageram quase sempre. Organizam fugas de imprensa quando convém. Protestam contra as fugas de imprensa quando fica bem. Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricaram. São as fontes. Que inundam ou secam.”

Relativamente às polémica sobre as escutas publicadas pelo jornal Sol e sobre a crónica de Mário Crespo que o Jornal de Notícias decidira não publicar, o agora assalariado pontual da rainha Santa Isabel, garantiu que, no seu jornal, “não publicava conversas privadas”, mas “publicava a crónica”.

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