ANGOLA SÓ RECOLHE 24% DO LIXO PRODUZIDO

Angola, (des)governada há 50 anos pelo MPLA, produz anualmente 8,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos, mas apenas menos de um quarto são recolhidas, representando um défice de 6,2 milhões de toneladas, segundo um relatório hoje apresentado pelas autoridades angolanas.

O Relatório Anual de Resíduos Sólidos Urbanos 2025 foi hoje apresentado, em Luanda, pela Agência Nacional de Resíduos Sólidos, documento considerado um importante instrumento técnico (se estivéssemos a falar de um Estado de Direito) de suporte ao conhecimento, planeamento e tomada de decisão sobre a gestão do lixo.

A província de Luanda lidera na produção de resíduos sólidos, fruto também da sua densidade populacional, seguindo-se a Huíla, Huambo, Benguela, Bié, Uíge, Cuanza Sul, Cunene, Lunda Norte e Icolo e Bengo.

No documento realça-se que a taxa média de recolha anual é de 24%, percentagem que em Luanda, capital angolana, sobe para os 80%, a mais elevada, existindo ainda alguns focos ao ar livre, mas não permanentes.

Depois de Luanda, o Namibe (70%), Cabinda (71%) e Benguela (51%) são as províncias com maior taxa de recolha, seguindo-se o Bengo, Huambo, Cuanza Norte e Malanje, com a percentagem de 35%.

Em Angola, em termos de caracterização, lideram os resíduos sólidos (57%), seguindo-se os plásticos (17%), papel e cartão (9%), metais (6%), vidro (4%), têxteis (4%) e outros (3%).

Segundo o consultor da Agência Nacional de Resíduos Sólidos, Rui da Silva, que apresentou o relatório, as maiores fontes geradoras de resíduos são domésticas (65%) e as comerciais (15%), construção (8%), industriais (5%), agrícolas (3%), institucionais (2%), petrolíferos (1%) e mineração (1%).

No documento destaca-se que as iniciativas de reciclagem no país ainda são tímidas, mas em Luanda já decorre de forma sustentável.

“Com uma produção diária superior a 19 mil toneladas de resíduos sólidos, Angola enfrenta um desafio significativo, com apenas 10% do total produzido reciclado, enquanto a maioria termina em lixeiras a céu aberto ou é deposta de forma inadequada”, lê-se no relatório.

Rui da Silva referiu que, em Luanda, 15 empresas utilizam recicláveis como matéria-prima, oito estão envolvidas na instalação de ecopontos, existindo já 273 pontos de ecopontos instalados, situação que nas outras províncias ainda é “extremamente tímida”.

Segundo o relatório, as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Benguela são as que apresentam “um risco muito alto” em termos de contaminação por cólera, sendo as de risco baixo o Huambo, Bié, Cubango, Cuando, Moxico, Moxico Leste e Lunda Sul.

Em declarações à imprensa, Rui da Silva frisou que um dos maiores desafios na gestão dos resíduos sólidos são os pontos de deposição do lixo e de tratamento, considerando que todas as províncias do país devem ter um centro de valorização dos resíduos.

“Outro ponto que achamos extremamente interessante, que poderá ajudar muito na gestão de resíduos, é uma ferramenta legal que possa suportar o sistema de contratação dos operadores na gestão de resíduos”, referiu, aclarando que o actual diploma, a Lei de Contratação Pública, desencoraja a realização de investimentos nesta área.

A fonte frisou a necessidade de uma particular atenção às questões de educação ambiental, considerando que o país ainda carece da capacidade de informação e sensibilização sobre a gestão de resíduos e da sua deposição em locais próprios.

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