MPLA ROTO, PAÍS ESFARRAPADO

O país está no fundo do poço. Roto no final de cerca de 10 anos de governação ininterrupta do terceiro clã ideológico do MPLA. Angola, país, nunca esteve tão destroçada, faminta, miserável, desorganizada, mal gerida e esfarrapada, como nos dias de hoje.

Por William Tonet

O actual MPLA secunda o calvário, aplaude o sofrimento, a pobreza, os assassinatos. Abraça a extrema-direita ocidental, coincidentemente, a mais abjecta, para os países, antes escravizados e colonizados.

O “modus operandi” dessa corrente ideológica, advoga, a retirada da riqueza nacional aos autóctones angolanos, para as outorgar ao capital estrangeiro… Garantia “celestial” de manutenção no poder de uma elite, que não precisa de esmero na gestão da coisa pública, em benefício dos cidadãos, porque contam, enquanto capachos, com o apoio dos países ocidentais e da América, que legitimam as batotas e fraudes eleitorais, que inviabilizam a alternância de poder, através do voto popular.

É um engodo, a oposição e a sociedade civil contar com apoio sincero da comunidade internacional, enquanto contarem com a “democracia dos minerais” concedida pelo poder, que escancaram os minerais raros e as terras aráveis, aos novos colonizadores, a baixo preço.

É uma acção criminosa, própria de governantes complexados e assimilados, que continuam a manter, sem contrapartidas de impacto social, o país sob a bota das organizações ocidentais de Bretton Woods: Banco Mundial e FMI, que impõem a privatização de grandes companhias públicas angolanas, tais como a TAAG, SONANGOL, ENDIAMA, ENSA, GIRASSOL, BPC, Angola Telecom, UNITEL, Projectos agro-pecuários do Waku Kungu (Cela), Caminho de Ferro de Benguela, Secil Marítima, etc., em troca de programas de fomento da pobreza e miséria, como o Kwenda.

Outrossim, o regime do MPLA tem tido uma atitude displicente quanto a mudança domiciliar do Banco Nacional de Angola (BNA), da Avenida Marginal, para o BFIM (Banco Fundamentalista Islâmico do Mártires -Luanda-Angola), com um “pipeline” escoador das divisas do oficial, para o mercado negro, convertendo o local na maior lavandaria de dinheiro sujo e de sangue.

BANCO CENTRAL SEM DIVISAS, FUNDAMENTALISTAS COM TODAS

Se um cidadão com dinheiro depositado em conta, necessitar de viajar para consulta e precisar da módica quantia de USD 10.000,00 (dez mil dólares), ou um empresário USD 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil dólares), os bancos comerciais, regra geral, não têm ou levam os clientes a uma engenharia, de mais de dois meses, difícil de transpor, pela burocracia e justificativa de não venda de divisas, por parte do BNA. Mas se forem ao Mártires, mesmo que precisem de 10 milhões de dólares, levam na hora…

E a pergunta que se impõe é: Se João Lourenço, até ao final do seu mandato, privatizar todo património do Estado, a favor dos estrangeiros, como poderá o futuro Titular do Poder Executivo, gizar políticas públicas, nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Desporto, Habitação social, estradas nacionais, para guindar os angolanos, a terem o domínio e conhecimento para serem os artífices do desenvolvimento industrial e agro–pecuário do país?

Os actuais excluídos; 9 milhões de crianças, 2 milhões de jovens do sistema de ensino, visa a propagação da burralização da educação. Os cerca de 6 milhões de desempregados e 20 milhões de pobres, serão escravos dos dirigentes anti-pátria e do capital externo.

O Presidente João Lourenço implantou uma política assente no terror, perseguição aos adversários internos e, com isso, criou ódio a tal ponto que é, hoje, o MPLA digno de figurar no livro do guinness, pela capacidade de ter invertido a lógica matemática.

Os 38 anos ininterruptos de poder autocrático de José Eduardo dos Santos, que cansava a maioria e os jovens activistas, em cartazes cunhavam: “38 é muito!”, na esquina do vento, foram canonizados pelos 9 anos terríveis de má governação, injustiças, prisões arbitrárias e assassinatos.

A soberania económica na mão de especuladores estrangeiros e fundamentalistas islâmicos, empobrece a maioria, tornando uns poucos milionários corruptos… O economista do Banco Nacional, Malaquias André disse ao F8, terem sido delapidados, misteriosamente, dos cofres públicos, mais de 50 mil milhões de dólares, juntando-se outros tantos em contratações por ajuste directo, na base de nepotismo e peculato.

Nunca Angola conheceu tanta delapidação do erário público, a favor de interesses obscuros do capital especulador externo, como nos últimos 9 anos, onde a esperança de ontem gera hoje, uma grande decepção!

O abandono de políticas sociais, a favor da implantação da nova colonização dá cobertura ao aumento da corrupção e a desintegração do MPLA em função dos métodos barrocos de um programa, assente essencialmente na manutenção do poder.

TRAIÇÃO COMO MÉTODO DE GOVERNAÇÃO

A traição com punhais “camaradas”, faz parte do ADN de cada “casta” do MPLA, chegada ao poder. A tarefa inicial é o assassinato de carácter.

Nos últimos nove anos, foram aterradores, desde a designação de marimbondos, ladrões e corruptos, na antiga capital colonial, Lisboa, a mais recente no conclave da JMPLA, acusando os seus camaradas de nunca terem defendido os jovens, os trabalhadores e povo. Esta acusação quando se aproxima o fim de um conturbado mandato, não é avisada. Aumentar adversários internos e externos, quando toda a sua política falhou é mau agouro. E o que indicia? O óbvio: não há qualquer plano de saída de João Lourenço, nem perspectiva do mesmo inaugurar uma democratização interna, no MPLA.

Sem estratégia, salvo a arrogância e imposição do terror através das armas, contra os adversários a ditadura será a meta.

Senão vejamos:

A marcação do congresso ordinário do MPLA, para Dezembro de 2026, a escassos meses das eleições gerais de Agosto de 2027, não indicia preocupação com a realização, pela segunda vez, de um conclave sob o manto da democracia interna, com multi candidaturas (o primeiro e único democrático, sem batota, realizou-se em Lusaka entre 11 a 28 de Agosto de 1974. Mas sabotado por Agostinho Neto, que não assumiu a derrota, ante a vitória de Daniel Júlio Chipenda).

Agora se houver, serão de fachada, com a promoção de lebres, da ala presidencial, a inclusão inicial de Higino Carneiro e António Venâncio, para depois serem copiosamente excluídos. Os argumentos serão espúrios.

A máquina está, até agora, oleada para um qualquer Manico, dirigir o conclave sob o signo da batota e fraude… A manutenção do slogan anti-estatutário: “o militante deve defender o líder”, roça o ridículo. Mas o líder-candidato, será ao mesmo tempo, presidente do congresso, com controlo directo sobre as comissões de candidatura e eleitoral.

Num período tão curto, um partido sério e democrático, não consegue eleger um novo líder, capaz de competir e mobilizar cidadãos-eleitores em 21 províncias, com convicção de vitória. Logo, existem apenas três caminhos: 1. O candidato ser João Lourenço, que afastará todas as outras candidaturas;

2. Batota monumental no congresso do MPLA de Dezembro de 2026;

3. Fraude grosseira do MPLA, CNE, Tribunal Supremo, Tribunal Constitucional, nas eleições gerais de 2027.

Um marco importante, cunhado na geografia mental dos eleitores é o desprezo demonstrado aquando das cheias do rio Cavaco, em Benguela, pelo Presidente da República, que se deslocou à zona sinistrada, 72 horas depois do infausto acontecimento, quando o líder da oposição foi ao local 24 horas depois.

Mas, apenas permaneceu, menos de quatro horas, sem empatia com os cidadãos benguelenses, pressionado pela ida ao Congo para assistir à tomada de posse do ditador congolês, colocado acima de um trama causado pela negligência governamental.

BAZUCA NA EXONERAÇÃO DE FURTADO

A demonstração de força, de não ter medo de nada e de ninguém, nos últimos meses do mandato, com exonerações de altas patentes da Polícia e Forças Armadas, sem fundamentação, explicação e respeito à honra e bom nome dos visados não parece uma estratégia inteligente.

A exoneração estrondosa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, Francisco Pereira Furtado, posterior à circulação de alegados boatos, nas redes sociais, como causa justificativa, sem direito a contraditório poderá ter contornos perigosos, num futuro próximo.

Um general de exército, detentor de segredos, cumplicidades e quejandos, ver a honra e bom nome ser exposta em praça pública, por quem, ontem, dedicou fidelidade canina, até mesmo a de “roubar da família, o corpo do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos”, é uma marca difícil de se apagar.

Foi assim com os comissários-chefes: Paulo de Almeida, Alfredo Eduardo Mingas Panda, Augusto Tomás, Walter Filipe, José Eduardo dos Santos, Hélder Vieira Dias Kopelipa, Leopoldino do Nascimento, Isabel dos Santos, Zenu dos Santos, São Vicente e outros políticos e intelectuais, cuja reputação foram jogadas na pocilga. Mas, coincidentemente, todos têm algo em comum: são do MPLA, tendo-lhes sido atribuído, a bem ou mal, um cartão assinado por João Lourenço, com a profissão: corruptos.

É esta política de raiva, ódio, perseguição, que já fez jurisprudência, que longe de ser repelida “canonizou”, JES, face à política económica falhada de JLO, causadora do aumento exponencial da fome, miséria, desemprego e injustiças. A maternidade de mulheres zungueiras deu dimensão a um sentimento de reconhecimento, quase generalizado, baseado na carestia de vida, na letra de uma música: “Zeduardo leva essa mensagem no Savimbi…nosso povo está sofrereeeeeeeee”

A profundidade da letra e o enquadramento filosófico da mensagem, não deixa dúvidas sobre a rejeição popular, ao actual presidente do MPLA. Não tem empatia, para com o sofrimento do povo! Destila uma imagem de ódio e raiva, contra os outros. Não agrega. Repele. Atemoriza. Estimula a infidelidade, por temor…

Tudo por o MPLA se ter transformado numa máquina mecânica, programada, sem vida, sem alma, sem entrega, por a militância ter sido substituída pela bajulação incompetente, que lambe os sapatos caros do chefe, mas não coloca as botas no terreno para mobilizar… Isso poderá determinar o triste END (fim) de alguém que se julgou maior que a própria realidade.

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