A província angolana do Namibe formaliza na quarta-feira uma parceria com o município português de Montemor-o-Novo na procura de estratégias para o combate à seca e de soluções para um dos desafios mais prementes do sul de Angola. Ou seja, os portugueses vão a ensinar o MPLA (no Poder há 50 anos) a fazer o que já era feito antes da (in)dependência, em 1975.
Com um clima árido e semiárido, a província do Namibe enfrenta escassez de recursos hídricos com impacto na vida das populações que dependem da agricultura e pastorícia, uma realidade em destaque, na quarta-feira, no seminário “Estratégias Locais de Resiliência e Combate à Seca e à Desertificação na Província do Namibe”.
Financiado pela União Europeia, no âmbito do programa Diálogos UE-Angola, o seminário terá lugar no Namibe organizado pelo Governo Provincial e pela Câmara de Montemor-o-Novo e servirá para formalizar a relação de cooperação entre as autoridades locais de Portugal e de Angola.
A iniciativa encerra, segundo as partes, um ciclo de trabalho que incluiu a elaboração de um estudo sobre a seca e a desertificação e duas missões de intercâmbio, concretamente uma visita de Montemor-o-Novo ao Namibe, em Março de 2026, e uma missão técnica do Governo Provincial do Namibe a Portugal, em Maio de 2026.
O evento servirá para apresentar as iniciativas em curso de combate à seca na província angolana, com uma intervenção do Ministro do Ambiente sobre o papel dos municípios na implementação do Plano Nacional de Combate à Desertificação.
Um segundo painel abre o debate a experiências internacionais, com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, a apresentar o processo de construção participativa do SMEA (Semear em Montemor Estratégia Alimentar), uma política pública municipal assente em redes colaborativas entre o município e os diferentes atores do território, com benefícios sociais, ambientais, económicos e culturais.
Do Brasil a professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Laeticia Jalil, partilha a experiência das “Cadernetas Agro-ecológicas”, uma metodologia que valoriza o papel das mulheres na construção da resiliência e na convivência com o semiárido, num contexto agro ecológico próximo do que se encontra no Namibe.
O professor da Universidade do Namibe Pedro Joaquim Tchivela apresenta o projeto de implantação de uma cortina florestal para travar a desertificação na zona de quebra de ventos da Centralidade da Praia Amélia.
O seminário insere-se na ação de diálogo “Estratégias Locais de Resiliência e Convivência com o Árido e o Semiárido”, que tem como objetivo reforçar a capacidade institucional e comunitária de adaptação aos desafios climáticos e ambientais da Província do Namibe”.
O trabalho que está a ser desenvolvido assenta na identificação de estratégias locais de resiliência, na produção de conhecimento técnico e na partilha de experiências internacionais, contribuindo para soluções sustentáveis e aplicáveis ao contexto angolano.
Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro (1938)
A Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro, situada na histórica Humpata, na província da Huíla, é um verdadeiro ícone da educação agrária em Angola. Planeada pelo renomado arquiteto Vasco Regaleira, esta instituição transcende o papel de centro técnico de formação, destacando-se também como patrimônio histórico e cultural de Angola.
Fundada em 1938 como Escola Agro-Pecuária da Huíla, passou a se chamar Escola Agro-Pecuária Dr. Francisco Vieira Machado, quando teve sua pedra fundamental colocada em 1942. Em 1957, recebeu o nome pelo qual seria eternizada: Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro.
Após a entrega de Angola ao MPLA, a escola evoluiu para atender às novas exigências educacionais e sociais. Em Junho de 1980, foi renomeada como Complexo Escolar Agrário do Tchivinguiro, culminando na sua actual designação como Instituto de Ciências Agrárias e Veterinárias. Essa trajectória demonstra a sua resiliência e capacidade de adaptação às necessidades formativas do país, consolidando-se como referência no ensino técnico e profissional em áreas como Agricultura, Pescas e Indústria Alimentar.
Em tese, as instalações do Instituto são projectadas para proporcionar um ambiente académico e residencial de qualidade.
Destacam-se: Internato com capacidade para 340 alunos, garantindo acesso à educação a estudantes de diversas regiões.
Cozinha industrial e refeitório, oferecendo suporte logístico essencial.
Salas de estudo e vídeo, que complementam o aprendizado em sala de aula.
Lavandaria e áreas administrativas, promovendo funcionalidade e conforto.
Em teoria, esses recursos reflectem o compromisso da instituição com a formação integral de seus alunos, combinando ensino técnico de ponta com uma experiência comunitária enriquecedora.
O legado da Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro vai além dos seus muros. Durante décadas, tem formado profissionais capacitados para enfrentar desafios nas áreas de agricultura sustentável, pesca responsável e indústria alimentar moderna, pilares essenciais para o desenvolvimento económico de Angola.
A sua contribuição para o progresso do sector agrário é inestimável, sendo um exemplo vivo de como a educação técnica pode transformar realidades e promover o bem-estar de uma nação. Ao preparar gerações de profissionais qualificados, o Instituto assegura que Angola continue a prosperar como uma nação rica em recursos e potencial humano.
O Instituto de Ciências Agrárias e Veterinárias do Tchivinguiro é um testemunho do poder da educação agrária no fortalecimento económico e social de Angola. Mais do que um centro de ensino, é uma verdadeira instituição de desenvolvimento sustentável, carregando consigo um legado de excelência, inovação e impacto transformador.
Seja como berço de ideias ou como um espaço de crescimento, o Tchivinguiro continua a ser um farol de esperança e progresso, inspirando gerações a cultivar o futuro de Angola com conhecimento e dedicação.
