O presidente da Assembleia da República portuguesa, Aguiar Branco (à direita na foto), destacou hoje “o nível muito bom” das relações parlamentares entre Portugal e Angola. Traduzindo para o sentimento dos angolanos, são relações entre o governo português e o governo de Angola, do MPLA há 50 anos.
Aguiar Branco, que se encontra em Luanda no quadro da XV sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), foi hoje recebido pelo Presidente do MPLA, que por inerência é também Presidente da República e Titular do Poder Executivo, general João Lourenço.
Em declarações à imprensa, Aguiar Branco disse que o encontro serviu para a troca de impressões sobre a política internacional, nomeadamente sobre uma maior harmonia e actuação na resolução dos vários conflitos que se registam actualmente.
“Por outro lado, nas relações entre Portugal e Angola também houve uma breve troca de impressões sobre o estado e aquilo que são as acções que entre os nossos países irmãos vão acontecendo”, referiu.
O presidente do parlamento português frisou que abordou também com o chefe de Estado do MPLA a situação interna de Portugal, sobre o momento actual e o que vai acontecer no próximo futuro.
“Foi uma reunião com muito detalhe, com uma grande confiança na troca de impressões e, mais uma vez, a mostrar que as relações entre Portugal e Angola, nomeadamente em termos parlamentares, pautam num nível muito bom”, realçou.
O Presidente angolano recebeu na manhã de hoje os responsáveis dos parlamentos da CPLP, tendo Aguiar Branco sido ainda recebido em audiência privada.
VELHOS E GRANDES AMIGOS
Em Dezembro de 2014, Portugal e Angola anunciaram que iam aprofundar a cooperação na área da Defesa, segundo um acordo então assinado, nomeadamente na formação de militares angolanos, e que poderia permitir a participação conjunta em exercícios de vigilância no golfo da Guiné.
Nesse ano, os ministros da Defesa português, José Pedro Aguiar Branco, e angolano, general João Lourenço, assinaram no forte de São Julião da Barra, em Oeiras (Portugal), um programa-quadro de cooperação na área da Defesa, a vigorar entre 2015 e 2017.
O acordo privilegiava a formação e treino de militares angolanos, “nos diferentes níveis de ensino — básico, intermédio e superior”, anunciou o ministro João Lourenço na conferência de imprensa que se seguiu à assinatura do documento, adiantando que Luanda tinha também interesse nos conhecimentos de Portugal em termos de Marinha de Guerra, “mais concretamente sobre o controlo de fronteiras marítimas” e “está a ver em que medida pode contar com a experiência de Portugal nas indústrias de Defesa”.
João Lourenço referiu ainda que o acordo seria efectivado mediante a assinatura de “cinco ou seis protocolos” mais específicos, no próximo mês”.
Segundo o governante português, esta cooperação poderia ter “uma expressão prioritária, do ponto de vista geoestratégico, naquilo que é a ameaça iminente” no golfo da Guiné, região afectada por problemas de “narcotráfico, pirataria e segurança do transporte marítimo”.
Aguiar Branco considerou que “será possível traduzir” a experiência da formação “na possibilidade de militares angolanos estarem em navios portugueses para participar em exercícios” de vigilância e fiscalização marítima” naquela região.
Na conferência de imprensa que se seguiu à assinatura do programa-quadro, o ministro angolano afirmou que o seu país “necessita de comprar meios marítimos, navios-patrulha e outros”, mas rejeitou que essa intenção esteja relacionada com a existência de algum problema com algum país vizinho”, nomeadamente com a República Democrática do Congo.
Os dois governantes enalteceram a qualidade das relações e da cooperação entre Lisboa e Luanda no domínio da Defesa.
Aguiar Branco salientou a “excelência da relação na área da cooperação na Defesa” e sublinhou que o acordo hoje assinado representa “uma continuidade” de um trabalho “num pilar estruturante da cooperação”.
Para João Lourenço, que então realizou a sua primeira visita oficial a Portugal, “as relações entre os dois países são históricas”.
“Mas nós não podemos de forma nenhuma sentirmo-nos satisfeitos com o nível em que essas mesmas relações estão em determinado momento. Temos o dever de procurar aperfeiçoar e aprofundar cada vez mais o nível das relações entre os nossos dois países”, sustentou.
O general angolano mencionou que, na reunião que antecedeu a assinatura do programa-quadro, Aguiar Branco referira que, “como é normal nas relações entre países amigos, às vezes estas têm altos e baixos, mas a nível da Defesa, só tem altos e até ao presente não se conhecem baixos”, acrescentando: “Vamos trabalhar para que continue a ser assim”.
