CONTRA A UNITA, MATAR, MATAR!

Uma pessoa morreu e seis ficaram feridas num ataque armado a uma caravana da UNITA, na província do Cuando Cubango, segundo o líder da bancada parlamentar do partido da oposição angolana.

Liberty Chiaca disse que os carros circulavam no troço Longa-Cuito Cuanavale e depararam-se pelas 10:30 com uma barreira da qual saíram pessoas armadas que dispararam tiros e arremessaram paus e pedras contra a caravana onde seguiam os dirigentes da UNITA.

Entre estes encontravam-se três deputados, um assessor e o secretário provincial da UNITA no Cuando Cubango, não tendo sido revelada a identidade da pessoa que morreu.

Liberty Chiaca lamentou os “actos de intolerância política” que se têm verificado no Cuando Cubango e sublinhou que a Polícia Nacional, que costuma acompanhar as caravanas dos parlamentares, “não se tenha feito presente”.

O dirigente responsabilizou “militantes do MPLA”, o partido no poder há 49 anos, pelo ataque e acrescentou que a UNITA já tinha recebido ameaças.

Uma fonte da Polícia Nacional angolana disse que não há ainda informação concreta sobre o ocorrido, estando nesta altura as autoridades a averiguarem o que se passou e a recolher dados a partir da província do Cuando Cubango, remetendo detalhes para mais tarde.

UM MERO EXERCÍCIO DE MEMÓRIA

Estávamos em 2011. A Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI) sobre a intolerância política na Província do Huambo não tinha dúvidas e, é claro, nunca se enganava. Assim sendo, ficou “provado” que “não foi provada a acusação da UNITA segundo a qual teria havido alguma orientação por parte do governador, dos administradores municipais e comunais e das autoridades tradicionais, com o fim de promover a intolerância política”. Não. Não é engano. Foi em 2011. Hoje estamos em 2024.

A democracia é isso mesmo. A referida CPI, presidida então pelo deputado Higino Carneiro, membro do Comité Central do MPLA, era composta de 15 deputados, dos quais 12 do MPLA e os restantes três divididos “democraticamente” pela UNITA, PRS e FNLA.

Como seria de calcular, a CPI apurou que “os assassinatos invocados pela UNITA como tendo ocorrido nos municípios do Bailundo, Katchiungo, Tchikala Tcholohanga, Ukuma, Ecunha, Londuimbali e Caála não resultaram de intolerância política, mas, de crimes do foro comum, relacionados, com práticas ligadas à feitiçaria”.

E apurou muito bem. Aliás, sendo o MPLA dono absoluto da verdade, estava fácil de ver que a teoria da UNITA era uma manifesta mentira. E a CPI foi, mesmo assim, muito condescendente com a malta do Galo Negro porque, num acto de assinalável magnanimidade, não acusou a UNITA de ter sido ela própria a provocar as mortes só para acusar, denegrir e enxovalhar a impoluta imagem do MPLA.

No final de 2014, a IX Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, presidida por Isaías Samakuva, debateu – entre outras matérias – “o agravamento dos actos de intolerância politica em quase todo o país e da propaganda hostil do regime no poder contra os actores políticos na oposição, mormente a UNITA”.

Foi feita uma análise exaustiva ao estado dos direitos humanos em Angola, tendo os membros do Comité Permanente manifestado a “sua apreensão face à violação sistemática das liberdades fundamentais dos cidadãos, pelo regime, contrariando a versão do relatório apresentado pelo Executivo angolano ao Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, durante a reunião havida em Genebra”.

Neste particular, “o Comité Permanente da Comissão Política da UNITA louvou a coragem e a determinação das organizações da sociedade civil angolanas que em Genebra, nesta audição organizada pelas Nações Unidas, apresentaram o real estado dos Direitos Humanos no país.”

O Comité Permanente da Comissão Política da UNITA “condena a inadequada utilização em todo o país, da Casa Militar da Presidência da República, em acções de activismo político-partidário, com campanhas de aliciamento e instrumentalização enganosa de ex-militares.”

Folha 8 com Lusa

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