O sector das águas executou apenas, nos últimos cinco anos, 18 por cento dos projectos que submeteu a concurso no país, sendo que a maioria destes sistemas de abastecimento de água à população foram suportados por linhas de financiamentos externas, afirma o secretário de Estado das Águas, Lucrécio Costa. E assim vai o reino.

Apesar de o país ter disponibilidade hídrica, a fraca capacidade de investimento por falta de financiamento, constitui o maior constrangimento para a execução dos concursos e empreitadas no país, justificou o Lucrécio Costa no espaço a Grande Entrevista da Televisão Pública de Angola (TPA).

Dos projectos executados, constam a construção de um sistema de abastecimento de água na cidade do Huambo, com uma capacidade de 30 mil ligações domiciliárias, a instalação, de igual modo, de um projecto nas províncias do Cunene e Namibe, sendo o último sistema interligado que aumentou cinco vezes o seu sistema de abastecimento de água.

Dos projectos executados no país, consta igualmente a instalação do novo sistema de abastecimento na província do Bié, que aumentou quatro vezes a oferta de água na cidade do Cuito, o projecto de Lucapa já em fase final, em Mbanza Congo a iniciativa permitiu efectuar 10 mil ligações e em Ndalatando o plano de abastecimento está em curso.

Lucrécio Costa apontou também que o crescimento da população em 2,5 a 3 por cento/ano, sendo desproporcional à capacidade de investimento, constitui outro constrangimento no fornecimento de água à população da rede pública. A única vantagem do crescimento demográfico é, na óptica do MPLA, que cada angolano que nasce é mais um militante que o partido ganha…

Neste período da Covid-19, explicou o governante, são distribuídos 3,5 milhões de litros de água/dia em todo o país, quando a necessidade seria de seis milhões para serem distribuídos nos principais centros urbanos.

Mais de 10% da população mundial não tem acesso a água potável. É um drama? É sim senhor. Então imaginemos o que acontece em Angola onde esse valor sobe para mais de 50%. Moçambique e Guiné Equatorial não estão melhor. No nosso caso é o que dá viver num país com 20 milhões de pobres. O regime do MPLA, no poder desde a independência, em 1975, está de parabéns.

A organização WWC, que junta mais de 300 entidades de 50 países, referia em 2017 que mais de 923 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, das quais 319 milhões na África subsaariana (32% da população da região), 554 milhões na Ásia (12,5%) e 50 milhões na América do Sul (8%), situação responsável pela morte de 4.500 crianças por dia.

E por falar em crianças (é só para lembrar), Angola é um país que tem um dos mais elevados índices de mortalidade infantil.

“Entre estas regiões, a Papua Nova Guiné tem a menor disponibilidade, com apenas 40% da população a ter acesso a água potável”, seguindo-se “a Guiné Equatorial com 48%, Angola com 49%, Chade e Moçambique com 51%, a República Democrática do Congo e Madagáscar com 52% e Afeganistão com 55%”, refere um comunicado divulgado pelo WWC.

O WWC alertou todos os governos para a urgência de resolver este problema e realçou que “o custo total da insegurança da água para a economia global é avaliado em 500 mil milhões de dólares”.

Mas, se for incluído o impacto ambiental, aquele valor pode aumentar para 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Além do custo económico, a falta de água potável está relacionada com diversas doenças e epidemias que causam 3,5 milhões de mortes por ano, mais do que aquelas causadas por acidentes de viação e pela SIDA, em conjunto, segundo as contas da organização.

Pode também contribuir para a fome, guerras e migrações “irregulares e descontroladas”, havendo uma “absoluta necessidade” de aumentar a segurança da água para ultrapassar os desafios colocados pelas alterações climáticas e pelas efeitos da actividade humana.

Reafirma a organização que o acesso das pessoas ao saneamento e a água potável “são prioridades fundamentais para os governos locais e regionais”, a fim de alcançar um dos objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, e só pode ser alcançado “com um bom governo local, gestão sustentável dos recursos naturais e urbanização eficaz”.

Assim, “encoraja os governos e os cidadãos a aumentar a segurança hídrica nos seus países, assim como prestar auxílio às nações com maiores dificuldades, nomeadamente na África subsaariana e Ásia”.

Um dos objectivos da ONU é que todas as pessoas tenham acesso a água potável e saneamento até 2030. No caso de Angola, para que tal aconteça será necessário que o MPLA se mantenha no poder aí até 2100.

Nas contas do WWC, é necessário um investimento anual de cerca de 650 mil milhões de dólares até 2030, para garantir a concretização das infra-estruturas necessárias para alcançar a segurança universal da água.

Todos os anos uma em cada cinco crianças com idade inferior a cinco anos morre prematuramente devido a doenças relacionadas com a água e quase 40% da população mundial já enfrenta problemas de escassez de água e pode aumentar para 66% em 2025, realidade a que junta cerca de 700 milhões de pessoas a viver em áreas urbanas sem instalações sanitárias seguras.

Em Setembro de 2016, o secretário de Estado das Águas de Angola, Luís Felipe da Silva, garantia que com o programa “Água para Todos”, 80% da população desfavorecida, que habitava em zonas críticas, iria ser abastecida com água potável.

A garantia, em contexto eleitoral, foi dada na abertura do Fórum de Negócios Angola-Dinamarca 2016. Luís Felipe da Silva sublinhou que o crescimento e a expansão do sector das águas e a entrada de capital privado são eixos estratégicos de longo prazo com impacto no desenvolvimento do país, no horizonte 2025.

“Acreditamos que o potencial e a experiência do Reino da Dinamarca vão conduzir-nos a melhores soluções, face às nossas necessidades”, concluiu Luís Felipe da Silva.

Por sua vez a embaixadora da Dinamarca em Angola, Trine Rask Thygesen, afirmou que Angola entrou no novo milénio com taxas de crescimento impressionantes. E ela ainda não tinha vistas a capacidade de João Lourenço e dos seus muchachos.

A diplomata, que também descobriu o “ovo de Colombo”, afirmou que a redução do preço do petróleo acentuou a necessidade de Angola diversificar a economia, desenvolver a capacidade produtiva e criar infra-estruturas para gerar um crescimento económico sustentável.

“A resposta do Executivo angolano tem sido, entre outras, o foco em fazer crescer a economia em recursos naturais e ambientais”, disse.

“Com este foco na água e na energia, o Fórum será um excelente catalisador para fortalecer os nossos laços políticos e económicos, forjando novas parcerias para o futuro”, ressaltou.

Mais de metade dos cerca de seis milhões de agregados familiares de Angola, um país que é um dos maiores produtores africanos de petróleo e que tem como Presidente da República o mais promissor discípulo de José Eduardo dos Santos, não têm acesso a água “apropriada” para beber e 31,6% têm nas lanternas a forma de iluminação. Iluminação igualmente “potável”, dirá o MPLA.