«É com muita tristeza que vimos expressar a nossa insatisfação com o Ministério do Ambiente (Minamb), pois somos um grupo de funcionários desta instituição em regime de contrato que vê os seus direitos violados pelo facto de haver muitíssimas irregularidades no que toca ao pagamento dos ordenados bem como da regularização dos contratos», afirmaram ao Folha 8 trabalhadores afectos a este Ministério.

Pormenorizando as questões supracitadas que, dizem, “nunca são resolvidas de forma definitiva”, acrescentam que se tornou “normal” para os contratados desta instituição “ficarem períodos que vão dos 5 aos 12 meses sem salários por alegada falta de fundos para cobrir os mesmos”, o que – contudo – não impede a realização regular de “workshops, exposições, palestras, etc. em alguns hotéis de luxo para difundir os trabalhos realizados na instituição”.

Embora compreendendo esses eventos, realçam que são iniciativas “que nos deixam de certa forma revoltados pois para este tipo actividades milagrosamente existe capital até demais”, entendem que deveria “existir a consciência de que por trás de cada projecto realizado existe uma equipa técnica formada não só por funcionários efectivos que trabalha arduamente para que o Ministério dê passos rumo ao crescimento institucional, mas que no final de cada mês estes mesmos funcionários que dedicam o seu tempo e conhecimento são incapazes de levar um prato de comida às suas mesas, fruto da má-fé por parte de quem manda”.

Acrescentam que “muitos dos mesmos são profissionais formados nas mais diversas áreas do conhecimento mas que se vêem confinados num lugar onde pouco podem esperar por não obterem qualquer oportunidade de crescimento profissional nem de realização pessoal”.

“Nós, funcionários contratados do Ministério do Ambiente sentimos que não somos levados em conta nesta instituição pelo facto de termos tocado nestes pontos durante as auscultações realizadas, onde diversos funcionários reclamaram da principal inquietação que é a falta de salários, havendo relatos de trabalhadores que não recebiam os seus salários há mais de 10 meses e que, sendo chefes de família, viam-se forçados a acumular inúmeras dívidas para poder pagar as suas contas, mas pelo que se vê acreditamos não sermos humanos o suficiente, nem tão pouco uma espécie de ser vivo que mereça atenção quando reclama pelos seus direitos”, contam com visível desespero.

De uma forma assertiva dizem que, “infelizmente, na sociedade em que vivemos os nossos gastos fixos (luz, água, saúde, alimentação, propinas dos nossos filhos, etc.) não podem ser pagos semestral ou trimestralmente (a fome não se sente de 6 em 6 meses por exemplo) coisa que ao que tudo indica algumas pessoas não percebem”.

Estes funcionários recordam que existem diversas direcções no Ministério do Ambiente que, acreditam, “geram capital suficiente para o pagamento dos salários de todos os funcionários nesta situação, como é o caso da Direcção Nacional do Ambiente, os Serviços Nacionais de Fiscalização Ambiental e a Direcção Nacional de Prevenção e Avaliação de Impactos Ambientais, que são as direcções responsáveis pela aplicação de multas aos infractores do meio ambiente bem como emissores de licenças ambientais, etc..”

Assim sendo, referem que “só nos resta dizer que estamos extremamente cansados desta situação e desmotivados”, salientando que “quando questionamos sobre a resolução dos nossos problemas são incapazes de dar respostas com cabeça, tronco e membros, aumentando ainda mais o nosso stress porque acreditamos que como trabalhadores não devíamos ser tratados desta forma, sendo que pensamos ser seres humanos, temos a mesma carga horária ainda que em funções diferentes e estamos sempre dispostos a dar o nosso melhor para o progresso tanto do Ministério como da nossa pátria amada”.

Por último, registe-se que o país deve saber como muitos funcionários da função pública “sofrem calados pelo medo que se foi criando nesta sociedade nos anos anteriores”, sendo imperiosa “a grande necessidade de combater este cancro”.

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