Uma associação de voluntários e uma empresa tecnológica portuguesa juntaram-se para desenvolver uma plataforma de triagem da Covid-19, sob supervisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), para testar gratuitamente a população dos países lusófonos.

O sistema de triagem foi desenvolvido pela MACIV Technologies Corp, através da rede social de língua portuguesa KIOXK, e “possibilita a triagem em massa de forma gratuita a toda a população”, segundo um comunicado das três organizações.

Todas as pessoas que façam o teste e que a plataforma identifique como casos suspeitos serão automaticamente encaminhados para o ‘call center’ da associação Nova Fénix, uma organização angolana de voluntários, que informa sobre os procedimentos de segurança e ajuda a encaminhar o caso para as autoridades nacionais.

A plataforma já está a funcionar em Angola e disponível para outros países africanos de língua portuguesa.

“O software só precisa da informação dos serviços de emergência e saúde desses países”, adiantou o responsável da Nova Fénix, Manuel Castanho, à agência Lusa.

Segundo o comunicado, o serviço de triagem permite avaliar em minutos a probabilidade de infecção, descartar os casos improváveis, mapear focos geográficos de contágio e gerar estatísticas de apoio instantaneamente.

O responsável da ONS em Angola, Javier Aramburu, citado no mesmo documento, sublinha que “em todos os territórios nomeadamente onde os recursos são mais escassos é imperativo maximizar os recursos e agir com extrema rapidez”, pelo que iniciativas como esta devem ser “acarinhadas” pelas entidades oficiais.

“Com o pico da crise a aproximar-se a passos largos de África em geral e de Angola em particular, é urgente que se activem todos os recursos disponíveis, para bem da população”, reforçou.

União Africana pede ajuda

A União Africana nomeou um grupo de enviados especiais para mobilizar a comunidade internacional no apoio à economia dos países africanos que enfrentam a pandemia da doença Covid-19.

Em comunicado, a União Africana, liderada pelo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, explica que os enviados especiais irão solicitar medidas rápidas e concretas a entidades como a União Europeia e o grupo G20.

“À luz do devastador impacto político e sócio-económico da pandemia nos países africanos, estas instituições podem apoiar as economias, que estão a passar por sérios desafios, com um compreensivo pacote de estímulos, incluindo dívida diferida e pagamento de juros”, afirmou Cyril Ramaphosa.

Da equipa de enviados especiais fazem parte os ex-ministros das Finanças Ngozi Okonjo-Iweala (Nigéria), Donald Kaberuka (Ruanda) e Trevor Manuel (África do Sul) e o banqueiro e antigo director executivo do Credit Suisse Tidjane Thiam.

No entender de Cyril Ramaphosa, o trabalho destes enviados especiais poderá agilizar o apoio económico aos países africanos para que estes possam responder rapidamente a esta emergência de saúde pública originada pela Covid-19.

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em África é de 744 e estão registados 13.686 casos em 52 países, de acordo com a mais recente actualização dos dados da pandemia naquele continente.

A pandemia afecta já 52 dos 55 países e territórios de África, com quatro países – África do Sul, Argélia, Egipto e Marrocos – a concentrarem mais de metade das infecções e mortes associadas ao novo coronavírus.

Todos os países africanos lusófonos registam casos da doença, com a Guiné-Bissau a ser o mais afectado, contabilizando 39 pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Angola soma 19 casos confirmados de covid-19 e duas mortes. Moçambique tem 20 casos declarados de infecção pelo novo coronavírus e Cabo Verde totaliza oito casos de infecção desde o início da pandemia, entre os quais um morto. Na quinta-feira, as autoridades cabo-verdianas anunciaram que morreram 12 cidadãos de Cabo Verde no estrangeiro vítimas da doença. São Tomé e Príncipe, o último país africano de língua portuguesa a detectar a doença no seu território, tem quatro casos confirmados.

A África do Sul tem o maior número de casos (2.028), com 25 mortos, mas o maior número de vítimas mortais regista-se na Argélia (275), em 1.825 infectados.

Na Guiné Equatorial, que integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estão confirmados 18 casos positivos de infecção.

O continente europeu, com mais de 932 mil infectados e 77 mil mortos, é o que regista o maior número de casos, e a Itália é o segundo país do mundo com mais vítimas mortais, contando 19.899 óbitos e mais de 156 mil casos confirmados. Em Espanha, as autoridades sanitárias apontam 16.972 mortos e mais de 166 mil casos de infecção.

Além de Estados Unidos da América, Itália e Espanha, os países mais afectados são França, com 14.393 mortos (cerca de 132 mil casos), Reino Unido, com 10.612 mortos (84 mil casos), Irão, com 4.474 mortos (71 mil casos), China, com 3.341 mortos (82 mil casos), e Alemanha, com 2.673 mortes (120 mil casos).

Folha 8 com Lusa