Peritos chineses, médicos cubanos e sipaios do MPLA

Peritos chineses partilharam com médicos angolanos a sua experiência no combate à pandemia da Covid-19, incluindo o tratamento de emergência a dar a doentes em estado crítico. Quem melhor do que os pais deste novo coronavírus (e mentores do MPLA) para ensinar os filhos angolanos a ludibriar o problema?

“T endo em conta as condições médicas locais, partilhei as experiências de tratamento mais simples, mas também mais práticas”, referiu o director da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Provincial do Povo de Sichuan, Huang Xiaobo.

Segundo um comunicado do Governo de Sichuan, província do sudoeste da China, o especialista disse esperar que o simpósio tenha ajudado os médicos em Angola, que está “numa fase inicial” de prevenção e controlo, a conhecer melhor o novo coronavírus.

A directora nacional de Saúde Pública de Angola, Helga Freitas, considerou que a conferência, realizada através da Internet, será muito útil para os angolanos, acrescenta o comunicado.

O simpósio reuniu médicos do hospital de Chengdu, capital de Sichuan, que estiveram na linha da frente na prevenção e tratamento da Covid-19.

Os peritos falaram sobre o diagnóstico da doença, nomeadamente através de tomografia axial computorizada (TAC), o tipo de alimentação e apoio psicológico a dar aos pacientes e métodos de manutenção da saúde pública.

De acordo com as autoridades chinesas, a conferência foi organizada pela Comissão Provincial de Saúde de Sichuan, a pedido do Ministério da Saúde angolano, com o apoio da embaixada da China em Angola.

O comunicado sublinhou que os dois países têm cooperado “intensivamente” na prevenção e controlo da pandemia.

Segundo a Comissão de Saúde de Sichuan, a província enviou desde 2009 cinco equipas médicas para Angola, onde trataram quase 400 mil pacientes.

Angola regista já 24 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus, nomeadamente 16 casos activos, seis recuperados e dois óbitos e cumpre hoje o 12.º dia da segunda fase do estado de emergência que visa contar a propagação da Covid-19.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 178.500 mortos e infectou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 583 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Angola é (continua a ser) nossa, diz Pequim

Os empréstimos da China a Angola totalizam mais de 60 mil milhões de dólares (50 mil milhões de euros), concedidos desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1983, recordou em Janeiro de 2018 o embaixador chinês em Luanda, Cui Aimin.

Num artigo de opinião publicado pelo diplomata no Jornal de Angola, intitulado “Iniciar Nova Jornada na Parceria Estratégica entre a China e Angola”, Cui Aimin recorda as dezenas de anos das relações entre os dois países, que dispararam, em termos económicos, após o fim da guerra civil, em 2002.

Os empréstimos chineses, explicou, destinaram-se “à construção de inúmeras obras de infra-estrutura como centrais de energia, estradas, pontes, hospitais e casas, incentivando o desenvolvimento económico e a melhoria da vida do povo de Angola”.

“Os resultados da cooperação pragmática entre a China e Angola são frutíferos. Actualmente, a China é o maior parceiro comercial de Angola, enquanto Angola é o segundo maior parceiro comercial, o maior fornecedor dos petróleos da China em África, um dos maiores mercados ultramarinos de obras empreitadas”, assumia o embaixador chinês.

No mesmo artigo de opinião, o embaixador chinês recordou (lembrou, avisou) que no final de 2016 foi realizado em Luanda o Fórum de Investimento China-Angola, que resultou na celebração de 48 acordos de intenção de investimento, no valor total de 1.200 milhões de dólares (1.000 milhões de euros).

“Têm-se aperfeiçoado também os mecanismos de cooperação, inclusive, a Comissão Orientadora da Cooperação Económica e Comercial entre a China e Angola. Com a finalidade de apoiar a capacitação de quadros angolanos, a parte chinesa forneceu a formação a mais de 2.500 funcionários angolanos em diversas áreas, assim como 300 bolsas de estudo”, enfatizou o diplomata.

A China enviou ainda, desde 2009, quatro equipas médicas, compostas por mais de 60 médicos, que fizeram 200 mil consultas grátis para cidadãos angolanos no Hospital Geral de Luanda. Este hospital, acrescentou, foi “doado pelo Governo chinês e ainda é a melhor unidade sanitária integrada em Angola até ao momento”.

Cui Aimin afirma que as relações sino-angolanas estão “no melhor nível na história”, sendo “um exemplo da cooperação de benefícios mútuos e desenvolvimento comum entre a China e os países africanos”.

“As relações políticas entre a China e Angola vêm-se intensificando. As duas partes sempre mantiveram, de visão estratégica e de longo prazo, o rumo certo no desenvolvimento das relações sino-angolanas, reforçando a confiança política mútua, apoiando-se uma à outra na escolha do caminho de desenvolvimento, de forma auto-determinante, e que corresponde às próprias realidades, compreendendo e apoiando-se reciprocamente nas questões dos respectivos interesses nucleares e grandes preocupações”, enfatizou.

Angola (mais propriamente o regime) foi o país africano que mais beneficiou de empréstimos concedidos pela China, ultrapassando os 12 mil milhões de dólares, desde 2000, escrevia em 2016 a unidade de investigação sedeada nos EUA, ChinaAid.

O principal receptor das linhas de crédito abertas por Pequim foi o sector transporte e armazenagem, que absorveu 20% do montante global. Logo a seguir surge a produção e abastecimento de energia, que recebeu 18% do crédito chinês.

Governo e sociedade civil, comunicações e abastecimento de água e saneamento, que, no conjunto, acederam a 667 milhões de dólares, surgem no fim da lista.

Depois de a guerra civil em Angola ter acabado, em 2002, a China tornou-se um dos principais actores da reconstrução do país, nomeadamente das suas estradas, caminhos-de-ferro e outras infra-estruturas.

Em troca, o país asiático “obteve condições favoráveis para a exploração de minérios”, lê-se na pesquisa conduzida pela jornalista de investigação espanhola Eva Constantaras.

A China é hoje o maior importador do petróleo angolano, mas, devido à queda do preço daquela matéria-prima, o valor das exportações angolanas para o mercado chinês diminuíram drasticamente.

Entre as nações africanas mais beneficiadas pelos empréstimos chineses surgem ainda o Sudão, Gana e Etiópia.

A maioria dos principais receptores são países ricos em recursos naturais – incluindo petróleo, diamantes e ouro – e muita da ajuda chinesa serve para tornar essa riqueza acessível para exportar.

Desde 2009, o “gigante” asiático tornou-se o principal parceiro comercial do continente africano. A China Aid revela ainda que muito do dinheiro chinês é investido nas cidades de origem dos chefes de Estado dos respectivos países, ou em regiões habitadas pelo grupo étnico do líder político.

Ainda assim, rejeita que Pequim tenha uma estratégia focada em tirar partido do clientelismo político no continente, atribuindo aquela tendência à competição por influência entre diferentes agentes do Governo chinês.

Folha 8 com Agências

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