O Presidente angolano, João Lourenço, admitiu hoje, em Luanda, a possibilidade de um recuo nas medidas de desconfinamento da Covid-19, doença de que há já registo no país de 244 casos positivos, caso haja necessidade. É bom saber que se não houver necessidade… não haverá recuo.

João Lourenço falava à imprensa à margem da cerimónia de inauguração de uma nova ala de Serviço de Urgência, Internamento de Curta Duração, Consulta Externa e Hospital Dia da Pediatria de Luanda e apontou o exemplo de outros países.

O chefe de Estado frisou que em outros países está a acontecer um recuo e, caso haja um descuido, “também pode acontecer em Angola”. Ou então, quiçá, fazer como quer Donald Trump, nos EUA, e que, teme-se, também esteja a acontecer em Angola. Ou seja, para não haver mais casos… devem acabar com os testes.

“Angola não é especial. Angola pode ser diferente, dependendo sempre do nosso comportamento, das nossas atitudes”, referiu João Lourenço. Dava, aliás, uma boa máxima para o país, substituindo a velhinha O MPLA é Angola e Angola é (d)o MPLA: “Não somos especiais, somos diferentes”.

Segundo João Lourenço, o alívio das medidas de prevenção e combate da pandemia depende do comportamento dos cidadãos. Eis outra afirmação que, além de oportuna, é sábia e digna de registo. Desde logo porque o Presidente coloca a resolução deste caso nas mãos dos cidadãos. É pena que não coloque nas mesmas mãos a resolução do futuro de Angola. Mas aí… para o baile. Aí só mesmo os escolhidos de Deus têm voz na matéria.

“Se o desconfinamento for paulatino e responsável, com responsabilidade dos cidadãos em continuarem a utilizar as máscaras, lavarem as mãos com frequência, manterem o distanciamento entre as pessoas, pode-se fazer o desconfinamento sem que haja o grande risco de aumentar os casos positivos, portanto, tudo depende de nós”, frisou João Lourenço.

E frisou muito bem como, aliás, é seu timbre. Parecido só mesmo aquele caso em que a comunidade internacional mandou toneladas de antibióticos para o Biafra para acudir, com extrema urgência, à situação catastrófica do país. Tempos depois as autoridades do Biafra devolveram, intactos, todos os antibióticos. Quando os doadores, estupefactos, pediram uma explicação, foi-lhes dito: Os medicamentos que enviaram são para tomar depois de uma coisa que o nosso povo não tem, refeições.

Questionado sobre se a existência dos 26 casos de Covid-19 com vínculo epidemiológico por esclarecer significa que já há contaminação local, João Lourenço respondeu que a declaração obedece a critérios definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo que, se não foi ainda anunciada pelas autoridades sanitárias angolanas, “significa que a situação de Angola ainda não se enquadra nos critérios que a OMS definiu”.

“Se isso vier a acontecer, ou quando isso vier a acontecer, com certeza que as autoridades competentes vão anunciar que o país já entrou em contaminação local”, disse.

Depois da terceira prorrogação do estado de emergência que vigorou no país entre 27 de Março e 25 de Maio, foi declarada situação de calamidade pública, tendo havido algum alívio nas medidas iniciais de prevenção e combate à pandemia.

Angola contabilizou, sexta-feira, 32 novos casos de Covid-19, o maior registo de sempre, elevando para 244 o total de infecções do país, desde o início da pandemia no país, em Março passado. Luanda é o epicentro da pandemia, que se alastrou também à província do Cuanza Norte.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 494 mil mortos e infectou mais de 9,82 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em África, há 9.250 mortos confirmados em quase 360 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de infecções e de mortos (2.001 casos e 32 mortos), seguida da Guiné-Bissau (1.614 casos e 21 mortos), Cabo Verde (1.027 casos e nove mortos), Moçambique (839 casos e cinco mortos), São Tomé e Príncipe (711 casos e 13 mortos) e Angola (244 infectados e 10 mortos).

Folha 8 com Lusa

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