Pelo menos 81 escolas angolanas vão passar a ter salas de informática com ligação à Internet, no âmbito do “Ngola Digital”, um programa do Governo angolano que visa aumentar a literacia digital e tapar o Sol com uma peneira esburacada… durante a noite. É obra!

A informação foi transmitida hoje pelo secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, Manuel Oliveira, no final de cerimónia de inauguração de três salas de informática em escolas de Luanda.

No âmbito do programa “Ngola Digital”, coordenado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MTTICS) angolano, escolas primárias do distrito do Rangel, do município do Cazenga e de Cacuaco, em Luanda, ganharam hoje salas de informática. Para além de Angola ser do MPLA, Luanda é o reino e o resto paisagem.

Segundo o governante, a entrega das referidas salas às instituições escolares faz parte de um programa do MTTICS que visa o aumento da literacia digital por parte das crianças, adolescentes e jovens.

“[Estamos a criar] ferramentas que permitem que os nossos jovens estejam integrados no mundo tecnológico. É responsabilidade do Governo trabalhar com as instituições de ensino e outras de forma a que as tecnologias de informação e comunicação sejam ferramentas ao serviço da comunidade”, disse em declarações aos jornalistas.

Mário Oliveira referiu também que o “Ngola Digital” é um projecto de âmbito nacional e que já instalou pelo país cerca de 81 pontos que vão beneficiar o mesmo número de escolas, sendo que em Luanda foram já inauguradas 46 estações de internet.

Sem revelar os custos envolvidos no projecto, o secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação afirmou que em projectos dessa natureza o “dinheiro é que menos preocupa”. Tem razão. Tal como dar às crianças, ao menos, uma refeição por dia “é o que menos preocupa”.

“E o resultado final é o que mais nos interessa, com este projecto o ITEL [Instituto de Telecomunicações de Luanda] vai formar formadores para que as instituições possam gerir essas salas ora entregues”, notou.

A escola primária Maria Mazzarelo nº 3.066, no município do Cazenga, foi uma das beneficiárias, sendo contemplada com uma sala com 21 computadores, para satisfação da madre Maribel González, responsável da instituição.

Para a freira, a sala de informática “será uma mais-valia para a instituição, sobretudo na formação integral que tem como objectivo capacitar jovens, crianças e adolescentes no domínio das tecnologias”.

“Ngola Digital” conta com os apoios do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento das Comunicações, do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade da Informação de Angola e do ITEL, que vai formar os formadores.

Em Julho já o ministro das Telecomunicações Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, defendera (também em Luanda), a promoção do acesso à Internet em todos os estratos sociais e em todo o país. Embora dê jeito haver electricidade, crê-se que o Governo a vá tornar “potável” através de ligação a candeeiros a petróleo ou a velas de cera…

Por todos os cantos e esquinas do país multiplicaram-se as manifestações de júbilo e elogios à tese de Manuel Homem e, é claro, também ao seu actual mentor, João Lourenço. A população dos Gambos, por exemplo, e daquelas localidades do Cuando Cubango, onde, só este ano, já morreram 51 crianças devido à fome, receberam a notícia com muita alegria. Já foram comprar computadores para os filhos e velas para fornecer energia para os computadores poderem funcionar.

Alguns pais, pouco informados sobra e ciclópica e nunca vista capacidade do governo, perguntam se as crianças, para terem acesso a electricidade, irão ligar os computadores no tronco ou nos ramos das árvores. Esquecem-se, lamentavelmente, que a os computadores podem funcionar ligados a candeeiros ou a velas de cera.

Manuel Homem, que falava à imprensa no termo de uma visita de constatação ao Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI), considerou que a expansão do sinal da Internet deve permitir e facilitar o acesso a todos.

“Temos de continuar a trabalhar na promoção do acesso à Internet em todos os estratos sociais por via dos programas de massificação e inclusão digital em curso um pouco por todo o país”, frisou o ministro sem que alguém lhe lembrasse que não fica bem falar de coisas como electricidade (mesmo que na versão “potável”) a um povo que tem 20 milhões de pobres. Isto se é que esses pobres são gente, se é que são… angolanos.

Manuel Homem manifestou-se, igualmente, satisfeito com o nível de organização do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação do ponto de vista técnico e administrativo, o que vai facilitar o processo de apoio à modernização dos sistemas da administração pública em curso no país, no âmbito dos programas e projectos de massificação digital.

Com a implementação dos Programas e Inclusão Digitais, o Ministério das Telecomunicações Tecnologias de Informação e Comunicação Social tem vindo a desenvolver também o Projecto “Angola Online” (mais um dos 999 que tem em carteira), que já permitiu montar 111 pontos públicos de acesso à Internet, em todo o território nacional.

Acresce que, com esse acesso à Internet, os nossos pobres podem mostrar ao mundo que são dos melhores na disciplina basilar implementada pelo MPLA há 45 anos e que, por isso, constitui o seu ADN: Aprender a viver sem comer. É claro que o resultado não é 100 por cento positivo. Isto porque muitos quando estão quase, quase mesmo, a saber viver sem comer… morrem.

Manuel Homem disse ainda que, além do Projecto “Angola Online”, existem outros, com destaque para “Andando com as TIC”, que permitiu, igualmente, melhorar os índices de acesso às tecnologias de informação e comunicação nas zonas mais recônditas do país.

O ministro garantiu, igualmente, estarem criados os programas e plataformas tecnológicas em todos os departamentos ministeriais e instituições públicas para a realização de reuniões e outros encontros de trabalho, nesta fase em que o mundo e, de modo particular, o país enfrenta a pandemia da Covid-19.

“Estão criadas as condições para assegurar que os serviços públicos continuem a funcionar de forma normal”, disse.

Por outro, reconheceu a necessidade de se continuar a imprimir esforços para garantir que mais serviços possam surgir com o ambiente digital, de maneira a garantir que os cidadãos, em casa, durante a época da Covid-19, continuem a realizar contacto com a administração pública de forma mais célere e segura.

Recorde-se igualmente que, no dia 18 de Junho de 2019, O vice-presidente angolano, Bornito de Sousa, afirmou (na abertura do Fórum Internacional de Tecnologias de Informação, Angotic Angola 2019), que os investimentos feitos por Angola nas telecomunicações vão continuar “fortes” e que já constituem uma “referência” na África subsaariana.

Segundo Bornito de Sousa, o Governo tinha em curso um vasto programa de modernização no quadro das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), investimento que iria permitir, em breve, a chegada do “5G”, após a consolidação do “3G” e do “4G”.

“Vamos continuar a investir na infra-estrutura de banda larga, através da fibra óptica, em Abril a Angola Cables completou o cabo submarino entre Cabo Ledo [130 quilómetros a sul de Luanda] e Fortaleza [Brasil], com ligação a Miami [Estados Unidos da América], a cobertura de satélite [a Airbus está a construir o Angosat-3]. Estamos a melhorar o mundo digital em Angola”, afirmou Bornito de Sousa.

A intenção, prosseguiu, é tornar Angola uma “plataforma da modernização tecnológica no continente africano”, à semelhança do que está a ser feito no Ruanda, com as políticas de inclusão tecnológica do Presidente ruandês, Paul Kagamé.

“Estamos a criar parques tecnológicos, a promover a investigação científica, já criamos o SETI, um programa de modernização administrativa destinado a eliminar burocracia, e a massificar o uso da Internet nas escolas e nos espaços públicos”, sublinhou, destacando o polo importante da cibersegurança, que está no centro das preocupações da estratégia do executivo angolano.

Governo do MPLA (o único que os angolanos conhecerem desde 1975) não está com meias medidas e promete acabar com os 20 milhões de pobres. Ou, melhor, promete o lançamento de satélites de teledetecção remota no âmbito do programa de Estratégia Espacial até 2025 que tinha como ponto central o lançamento do satélite AngoSat-1.

A estratégia prevê o estudo da viabilidade da construção e lançamento de satélites de teledetecção remota, para observação da terra e meteorologia, por parte do Governo, entre 2019 e 2025. Em complemento, uma das estratégias constantes do programa espacial angolano implicaria ainda a construção de estações terrestres para recepção directa de imagens de satélite.

Outras estratégias a implementar até 2025 prevêem a implementação de um sistema de informação geográfica, um programa de observação da terra através de imagens de satélite, um sistema nacional de comunicações por satélite e o lançamento do AngoSat-1.

“A estratégia especial permitirá à República de Angola construir um edifício ambicioso e sustentável como instrumento do seu progresso socioeconómico e de afirmação internacional, cumprindo deste modo, de forma eficaz e inovadora, os propósitos estratégicos gerais e sectoriais do país”, diz o Governo.

O AngoSat-1 iria – disse então o ministro José Carvalho da Rocha – “não só prestar serviços à população, como a toda a região, e também provocar uma revolução no mundo académico angolano, com a transferência de conhecimento”.

“O satélite vai cobrir todo o continente africano e uma parte da Europa. Nós vamos ter capacidade para servir as nossas necessidades e prestar serviços a outros países da região de cobertura do AngoSat. Temos que procurar aqueles projectos que possam trazer divisas para o nosso país”, explicou o ministro.

Ao contrário do que pensavam os angolanos, o satélite e projectos similares não vai trazer comida, nem medicamentos, nem casas, nem escolas, nem respeito pelos direitos humanos. Importa, contudo, compreender que há prioridades bem mais relevantes. E o satélite é uma delas.

“Este Satélite é o primeiro e marca a entrada de Angola numa nova era das telecomunicações, o que pressupõe a condução de um programa espacial que inclua, futuramente, o lançamento de satélites subsequentes,” referiu em 2012 o então coordenador do projecto, Aristides Safeca.

Ao que tudo indica, com esta estratégia espacial bem como a internet “potável” o nosso país deixará de ter 68% da população afectada pela pobreza, ou uma das mais alta taxas de mortalidade infantil no mundo.

Será também graças a essa estratégia que não mais se dirá que apenas um quarto da população tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, ou que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Do mesmo modo, com essa estratégia do Governo não mais se afirmará que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino. Ou que 45% das crianças sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Folha 8 com Lusa