A “manada” ruidosa, que sob o estalido do chicote, segue, sem pensar, o touro que a comanda, curou de mandar vários recados, uns mais ameaçadores do que outros, por net e carta, acusando -me de tudo e de nada, num extenso repertório-acusatório, como se a cinza ainda se queimasse…

Por William Tonet

“V AIS MORRER COMO UM CÃO, SACANA FILHO DA P…”! Não tenho medo deles. Não me calarei! Não fugirei nunca. Mas não subestimo nunca estes assassinos partidocratas, escudados no poder e doutorados em genocídios, ladroagem e cobardia.

E segue a banda patrulheira. “Antipatriota e anti-nação. Reaccionário ocidental. Corrupto. Fantoche. Estás a brincar demais com o fogo. Que coloca em cheque a estabilidade do país. Agitador contra o plano de reconciliação do camarada presidente João Lourenço. Assalariado de José Eduardo dos Santos e da sua filha Isabel; Caluniador da imagem do herói nacional, Dr. Agostinho Neto; Racista”, etc. etc. e outras boçalidades, num monturo de balelas…

E como sempre é a velha covardia, que se esconde por debaixo da sanita, não merecendo resposta, mas um simples rememorar dos conceitos!

a) ANTI-PATRIOTA E ANTI-NAÇÃO. Como ser anti-patriota e anti-nação se o MPLA não conseguiu, em 45 anos de poder absoluto, burilar um projecto-país? Há incompetência na interpretação e transmissão da neutralidade republicana, que se impõe, através de actos, valores, acções, símbolos e hino, que deveriam ser transversais aos anseios e sentires de todos os povos e micronações angolanas. Pátria não é um conceito geográfico, tal como nação, mas sociológico. Angola seria uma pátria caso o MPLA, desde 1975, não impusesse um hino nacional, parcial, de um só povo e uma só nação: a do MPLA. Um hino apologista da morte; de heróis do 4 de Fevereiro de 1961, discriminando os heróis transversais, como Nzinga Mbandi, Mandume, Ekuikui, Kimpa Vita, Simão Toco, etc., logo, um hino anti-republicano, desrespeitador dos outros povos e heróis consensuais; envaidecendo apenas o seu umbigo partidocrata.

b) REACCIONÁRIO OCIDENTAL são os assimilados que estão no poder, avessos às culturas, tradições, línguas angolanas, tratadas, vergonhosamente, como dialectos de origem africana, daí a exclusão na Constituição atípica do MPLA, onde apenas tem assento a língua portuguesa, que sendo nacional, ela sim, é de origem estrangeira/europeia;

c) CORRUPTO E FANTOCHE. Infelizmente, não posso ser, não fazendo parte dos quadros dirigentes do MPLA, que escancararam as riquezas nacionais, ao capital estrangeiro;

d) ESTABILIDADE. A estabilidade do país não se desmorona com a verdade, liberdade, justiça e democracia, pelo contrário, a mentira e a discriminação é que desestabilizam (para além de envergonharem) um país;

e) RECONCILIAÇÃO. Infelizmente, o presidente João Lourenço não tem um plano e programa de reconciliação. Ele tem um programa, sub-reptício, para submissão das vítimas do genocídio do 27 de Maio de 1977, visando o branqueamento da imagem e crimes de Agostinho Neto e seu regime;

f) ASSALARIADO. Não preciso negar, ser assalariado de JES e sua filha, apenas desafiar a Presidência da República, a Segurança de Estado, que têm o meu telefone, sob escuta 24/24 horas, a apresentar provas. Tão simples quanto isso. Eu sim tenho provas dos assalariados de ontem e de hoje…

g) CALÚNIA. Não preciso caluniar Agostinho Neto por não ser, para mim, herói. Quem tem as mãos manchadas de sangue, em Angola, que nem os elogios de Neruda, limpam da sua biografia o genocídio do 27 de Maio de 1977, carimbado com: “Não vamos perder tempo com julgamentos”! Querem forçar-me a aceitar que alguém que não teve dó em assassinar milhares e milhares de angolanos: 80 mil, tenha, sob o manto da mentira, o meu respeito e consideração. Nunca!

i) RACISTA. Quanto a ser racista estamos entendidos; Neto suplantou muitos e muitos de nós, logo, não lhe chego aos calcanhares… Em 1974, no assassinato de um embaixador da Bulgária ou Roménia, por milícias suas, que tinham ordens para amedrontar os comerciantes, disse: “Camaradas nem todos os brancos são portugueses”! E, no maior cinismo e incoerência, ele estava casado com uma respeitável cidadã portuguesa… Depois ordenou a separação de casais, se um dos cônjuges fosse português. Muitos separaram-se, por força dessa absurda e draconiana “lei netista”, destacando a mulher do José Reis, nosso co-sofredor no 27 de Maio, angolano de todos costados, considerado branco de segunda, teve de ver a mulher embarcar, mesmo estando ela a trabalhar na desminagem.

O meu cadastro está distante deste racismo incubado… de Neto e tantos outros, aliás basta ver a escória mercenária lusa contratada por uma fundação de idoneidade medíocre, que vive à custa do erário público, para atacar o Folha 8.

CONVICÇÃO E LIBERDADE

Como angolano convicto, amante dos ideais da esquerda social, nunca me calarei, quanto à necessidade de defesa dos pobres, dos discriminados, dos miseráveis e dos injustiçados.

O meu alvo principal é ajudar a combater a tirania, o poder unipessoal absoluto, a Constituição atípica, a vergonhosa dependência dos órgãos de soberania e a ausência de uma justiça independente.

Tenho um sério compromisso com a liberdade, a conciliação, a reconciliação verdadeira, a justiça e a democracia.

Sou um soldado contra a brutalidade policial do “poder paradigma”, virada contra os pobres, violentados, todos os dias, por uma milícia, denominada fiscalização, a serviço do executivo do Presidente da República, que rouba, sim rouba, como um qualquer delinquente, os cidadãos honestos, que lutam diariamente pela vida.

São gatunos institucionais, logo o regime sabe das suas barbaridades e do que está a plantar.

João Lourenço (ou o seu gabinete) não está interessado em governar para os pobres, dar emprego, água, saneamento, luz, educação, saúde, pelo contrário a sua raiva é transversal e mais violenta contra os pobres.

FISCALIZAÇÃO OU LADROAGEM

Roubar com violência, envergando colete FISCALIZAÇÃO em carrinhas do executivo, o pequeno negócio de bacia, de uma mulher, as peças de fardo, as quinquilharias é de uma malvadez sem paralelo, pois nem no tempo colonial se via isso.

Será que o Presidente João Lourenço não sabe, que os seus fiscais, em todo país, roubam, espancam, matam e atentam contra os pobres, tornando-os cada vez mais miseráveis, mas também, um exército cada vez mais revoltado e ciente dos seus direitos?

Nunca vi, tanta insensibilidade institucional, como se estivéssemos no período colonial (será que não estamos?), contra quem, trabalha na rua, pela incapacidade do Executivo gerar empregos.

A brutalidade selvática destes “pittbull milicianos”, coloca a fome, por dia, mais de 1 (um) milhão de pobres trabalhadores, por roubo dos seus produtos. Em perigo de vida, ficam, também as respectivas famílias, como acontece neste momento, em Benguela, com o filho da vice-presidente da Associação Nacional dos Vendedores Ambulantes, Luísa Albertina Nicolau, acometido com uma anemia severa, internado na sala 37 do Hospital Central, desta província.

Roubada por quatro vezes, pelos fiscais, nos últimos quatro meses, está impotente para acudir ao filho, uma vez o marido, ser também desempregado.

São situações como estas, senhor Presidente, que podem provocar uma explosão social, se nada for feito, para o desmonte desta milícia (FISCALIZAÇÃO) com métodos delinquentes, causadores de um sentimento de revolta.

A instabilidade e crise social, infelizmente, não tem diminuído com o aumento da luta de egos entre dois líderes do MPLA (presidente e presidente emérito), em torno do “show off” de um, que diz combater a corrupção, mas de forma selectiva, com a fome, o desemprego e as injustiças a aumentarem e o outro, apenas gerindo um silêncio tumular, vendo e ouvindo, por detrás da montanha…

FALSOS HERÓIS

Por tudo isso, também nos batemos contra a tentativa de branqueamento da imagem de falsos heróis Não sou herói, reconheço, mas, também, não sou covarde, tenho a certeza.

Tenho idoneidade para criticar a forma como está a ser conduzido o país, em função do aumento da miséria, inflação, que saiu de 10 mil para os actuais 80 mil kwanzas, agravado pela ausência de um sério programa de governação, politização da justiça e perseguição selectiva.

Faço, hoje, por me ter batido, ontem, à luz do dia, contra a mesma senha, o mesmo “show off” de Eduardo dos Santos, quanto aos desvarios, cometidos enquanto presidente do MPLA e da República (38 anos).

Bati-me contra a selectiva e partidocrata acumulação primitiva de capital, responsável pelo enriquecimento ilícito de todos os dirigentes do MPLA, ordenada por quem, também, tinha todos os poderes de Estado.

Não meti a cabeça na areia como a avestruz, como muitos, dirigentes de ontem, autênticos covardes, enquanto assistiam, beneficiavam e comiam da mesma gamela, que destruiu o país e, hoje querem ser heróis.

Tenho impressões digitais, no processo judicial movido, contra as nomeações de José Filomeno dos Santos, para presidente do Fundo Soberano de Angola e Isabel dos Santos, para a presidência da SONANGOL.

Não me lembro de nenhuma oposição do Presidente da República João Lourenço, quer a nível do comité central, bureau político, vice-presidente da Assembleia Nacional ou ministro da Defesa, em relação à estas nomeações.

Nem mesmo um alerta de tais actos (nomeações dos filhos) lhes poderia reservar, no futuro (actualmente) situações delicadas, de ajuste de contas, radicalismo, raiva, perseguição, denegação de justiça ou maior politização dos tribunais e juízes.

CASO EFACEC: QUEM MAIS TRAIU OS ANGOLANOS?

O Tribunal Supremo chumbou, bem ou mal, uma carta do presidente emérito do MPLA, junta ao processo, logo, mais do que Dos Santos, a banalização atinge o leque onde estão, o Procurador da República, os juízes dos tribunais, por serem todos responsáveis pelo actual desvario e vulgarização da justiça, logo, também, têm imputação de culpa e devem ou deverão um dia ser julgados e não endeusados…

Na mesma senda estão os jornalistas da imprensa pública, os comentadores, o jurista/deputado João Pinto, Paulo de Carvalho e outros mais, que num verdadeiro tempo de amnésia esqueceram a sua macabra participação nos caboucos da ditadura de ontem, hoje, mais truculenta, mas sob o olhar da história.

A raiva e ódio é tão grande contra a família Dos Santos, que os falsos patriotas estão a fazer uma jogada para enriquecer Portugal, como ficou demonstrado com a nacionalização da EFACEC, ao invés de tentarem, com inteligência recuperar o dinheiro dos angolanos, que se lhes acusa de terem desviado, que devem ser biliões.

Um processo mal parido contra Isabel dos Santos, ao que parece, não visava recuperar dinheiro público, mas entregá-lo, de bandeja, a Lisboa, daí a rejeição do Presidente da República e da Procuradoria-Geral da República, em negociar com uma cidadã angolana, acusada da prática de crimes de corrupção.

Quem é o responsável desta estrondosa derrota a favor de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, respectivamente, Presidente e Primeiro-Ministro de Portugal?

João Lourenço ou Pitta Grós? Alguém tem de ser culpado, pois o país está a perder muito nestas vaidades de governar, quando melhores soluções existem.

Agora parece ficar cada vez mais evidente, as suspeições de muitos juristas, advogados, intelectuais e políticos da oposição de o “Luanda Leaks” ter sido criado num laboratório judiciário em Luanda, dado por cerca de 4 milhões de euros, ao hacker português Rui Pinto, para assumir a paternidade, visando criar a aversão contra alguém, que tendo roubado ou descaminhado milhões de euros. Repito, com inteligência e sentido de Estado, poderia devolver ao país, os milhões de que este carece para alavancar o seu desenvolvimento, principalmente, em tempo de pandemia.

Esta é uma pequena amostra que o actual ou futuro presidente de Angola terá de imputar aos responsáveis de tão grosseiro crime, contra a soberania nacional.

PORQUE SE CALAM TODOS OS DO MPLA?

Com este silêncio cúmplice e uma prática tacanha a maioria do MPLA mostra não ter moral, ser boçal e traidora, pois agora todos são rambos, porque Dos Santos está, estatelado no chão, sem ter sequer uma tribuna para se defender, incluindo o jornal do seu partido (EME), pese ser presidente emérito.

Não o desculpabilizando, pois cometeu muitos erros, a favor do MPLA temos de reconhecer, que o actual Presidente em 3 anos de governação tirando a retórica corrupção, cometeu mais erros na gestão da coisa pública, que JES, face ao alto custo dos principais produtos alimentares, a inflação galopante, o desemprego e a injustiça.

Nunca a vida esteve tão cara e sem esperança como agora, dando a sensação de falta de preparo para tão elevada empreitada.

É preciso mudar, com urgência, porque o país está sob um barril de pólvora e os roubos não pararam, logo, devemos continuar a denunciar o enorme regabofe.

Finalmente, que fique claro, não faço parte da escória que no consulado dos 38 anos, se calou, lambuzou, empanturrou, aplaudiu, enriqueceu, corrompeu, afundou o país e, só depois, de desarmarem JES, incluindo a actual liderança, se tornou valente, na acusação e descaracterização da sua gestão, como se não fossem parte do mesmo regime…

Senhores covardes, uma pergunta: Se José Eduardo continuasse presidente do MPLA, detendo o controlo da maioria parlamentar, seria, apunhalado (pelos deputados vira- latas) e vilipendiado pelo Presidente da República, precisando este de estabilidade governativa?

Seguramente não, tão pouco ousariam retirá-lo da moeda e das fotos oficiais, não que estivesse bem nas notas, na companhia de Neto. Ambos estavam mal, porquanto se um é acusado de corrupto outro, tem as impressões digitais cravadas no maior genocídio: 80 mil assassinatos, sem julgamentos, no 27 de Maio de 1977, logo uma justa substituição seria substituir os dois, por verdadeiros e consensuais heróis, por exemplo: Njunga Mbandi, Ekuikui ou Mandume.

Definitivamente, acumular a presidência de um partido com a da República é um verdadeiro atentado à justiça, liberdade e democracia e todos se deveriam levantar para acabar com esta pouca vergonha, enquanto forte aliada da ditadura.

Defenderei isso por não ser caracol, em homenagem à coluna vertebral de valores, liberdade e moral democrática, herdada de meu pai…

Outrossim a maioria dos membros do bureau político do MPLA, que me ataca, através de mentiras e calúnias, não tem perfil para dar-me lições de moral. Por esta razão não preciso de me vitimizar, sendo um alvo a abater, face à diferença que nos divide.

Os exemplos estão à mão de semear e são simples, basta perguntar a alguém sobre o peculato e ele apontará o governador da Huíla; o que é ladroagem partidocrata e um dos dois últimos governadores do Uíge surgirá; corrupção institucional emergirá alguém do gabinete presidencial…