O Papa Francisco convidou a humanidade a “estender a mão aos pobres”, criticando o “cinismo” e a “indiferença” dos que deslocam fortunas desde os seus computadores ou enriquecem a vender armas e drogas. Como comentaria o MPLA este apelo? Diria ser impossível porque, tendo Angola 20 milhões de pobres, o MPLA não tem mãos que cheguem. Além disso, as que têm são para roubar.

Por Orlando Castro

Numa mensagem destinada ao Dia Mundial dos Pobres, que se celebra no próximo dia 15 de Novembro, hoje divulgada, o chefe da Igreja Católica presta ainda homenagem aos médicos, enfermeiros, farmacêuticos e padres que estão na linha da frente no combate à pandemia de Covid-19, apoiando os mais desfavorecidos.

“Nestes meses em que o mundo inteiro foi dominado por um vírus que causou dor e morte, angústia e perplexidade, quantas mãos estendidas pudemos ver!”, escreve o Papa, na mensagem.

O Papa Francisco considera que a humanidade deve “estender a mão aos pobres”, sobretudo nestas alturas de maiores dificuldades, em sinal de generosidade, criticando os que “mantêm as mãos nos bolsos e não se deixam afectar pela pobreza, de que muitas vezes são cúmplices”.

“Indiferença e cinismo são o seu alimento diário”, conclui o Papa, referindo-se às “mãos estendidas que tocam rapidamente o teclado de um computador para transferir dinheiro de uma parte do mundo para outra, decretando a riqueza das oligarquias e a miséria das multidões ou a falência de nações inteiras”.

“As mãos estendidas para acumular dinheiro com a venda de armas, que outras mãos, mesmo as de crianças, usarão para semear morte e pobreza”, explica o Papa na sua mensagem destinada ao Dia Mundial dos Pobres.

O pontífice argentino critica ainda os traficantes de luxo, os corruptos ou os legisladores que não aplicam a si as leis que fazem. Assenta que nem uma luva nos 45 anos de domínio do MPLA.

Por outro lado, “a generosidade que apoia os fracos” constitui “a condição de uma vida totalmente humana”, insiste o Papa, reconhecendo que a Igreja Católica “não tem soluções globais para oferecer” perante o “grito silencioso de muitas pessoas pobres”.

O Folha 8 agradece ao Papa Francisco

Em Novembro de 2018 o Papa Francisco elogiou os jornalistas que chamam de “injustiça à injustiça” e que realizam um jornalismo de “pessoas para pessoas”. Fê-lo durante uma audiência com um grupo de uma escola alemã de jornalismo. Obrigado, Papa Francisco. A luta é difícil mas, também é verdade, só é derrotado quem deixa de lutar. E é por isso que a nossa luta continua e é contínua.

Ao receber os estudantes, professores e líderes deste centro com mais de 50 anos de história, Francisco agradeceu-lhes porque “como jornalistas se dedicam às pessoas e chamam injustiças às injustiças”.

“Obrigado por falarem sobre as coisas bonitas que podem não ser manchetes, mas que colocam as pessoas no centro, obrigado porque com o seu estilo cristão elas continuam a fazer um jornalismo de pessoas para as pessoas”, disse Francisco.

O Papa explicou que às vezes, “por hábito”, “permitimos que as coisas saiam à medida que vão ou como alguns decidiram que deveriam ir”.

“Vamos pular o muro de tristeza e resignação e ajudar as pessoas a abrirem seus olhos e ouvidos, mas acima de tudo, os seus corações para serem guardiões uns dos outros e assim perceberem que são filhos e filhas do único Pai”, aconselhou.

E é exactamente no sentido do Jornalismo (não da propagada feita pela mão de supostos jornalistas) que o Folha 8 chama “injustiça à injustiça”, dá voz a quem a não tem, trabalha para os milhões de angolanos que têm pouco, ou nada, e não para os poucos que têm milhões.

Gay Talese (esse perigoso inimigo do regime angolano) no livro “The Kingdom and the Power” (“O Reino e o Poder”), publicado em 1971, diz que “o papel da imprensa, numa democracia, é atravessar a fachada dos factos”.

Como diz Gay Talese, cabe ao jornalista procurar incessantemente a verdade e não se deixar pressionar pelo poder público ou por quem quer que seja. Não interessa se as opiniões são do Secretário-Geral da ONU, da Rainha de Inglaterra ou do “dono” de Angola, de seu nome João Lourenço.

Nós por cá somos cerca de 30 milhões, considerando a soma dos angolanos de primeira (os do MPLA), de segunda (os que dizem que são do MPLA) e os outros. Pobres? “Só” 20 milhões. Somos independentes dos portugueses e dependentes do MPLA há 45 anos, 18 dos quais em paz total.

Será então caso para dar os parabéns a este partido, nomeadamente a João Lourenço (mas sem esquecer José Eduardo dos Santos), e lembrando que o actual Presidente fez durante anos, muitos anos, parte da estrutura dirigente do MPLA, sendo por isso conivente activo no desastre deste país. País que, aliás, é líder noutros “rankings”, casos da corrupção e da mortalidade infantil.

A estratégia de João Lourenço é simples e transparente e respeita todos os cânones do MPLA: os escravos não têm direito a reivindicar seja o que for, muito menos quererem ser considerados iguais aos seus donos. Por muito musculada que seja a força da razão dos escravos, nunca vencerá a razão da força dos seus proprietários.

Assim sendo, antes de ser provado já o MPLA provou o seu direito legal de propriedade sobre – entre outros – os pretos ovimbundos, tal como “consta” do acordo de rendição assinado em 2002 pela UNITA. E não adianta aos “chefes” dos escravos virem falar de “intolerância política”. Não nos esqueçamos que o emblemático e histórico dirigente do MPLA, general Kundi Paihama, disse que em Angola existem dois tipos de pessoas, os angolanos e os kwachas, tal como aconselhou estes a comer farelo porque “os porcos também comem e não morrem”.

A democracia é isso mesmo. Recordam-se de uma célebre Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI) sobre a intolerância política na Província do Huambo e que foi presidida pelo deputado e general Higino Carneiro, e que era composta por 15 deputados, dos quais 12 do MPLA e os restantes três divididos democraticamente pela UNITA, PRS e FNLA?

Como seria de calcular, essa CPI apurou que “os assassinatos invocados pela UNITA como tendo ocorrido nos municípios do Bailundo, Katchiungo, Tchikala Tcholohanga, Ukuma, Ecunha, Londuimbali e Caála não resultaram de intolerância política, mas, de crimes do foro comum, relacionados, com práticas ligadas à feitiçaria”.

E apurou muito bem. Aliás, sendo o MPLA dono absoluto da verdade, estava fácil de ver que a teoria da UNITA era uma manifesta mentira. E a CPI foi, mesmo assim, muito condescendente com os escravos do Galo Negro porque, num acto de assinalável magnanimidade, não acusou a UNITA de ter sido ela própria a provocar as mortes só para acusar, denegrir e enxovalhar a impoluta imagem do partido que nos governa desde 1975.

Aliás, qualquer CPI poderá um dia destes provar que a UNITA é que é responsável pelos milhares e milhares de angolanos torturados e assassinados em todo o país depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime.

Qualquer CPI não terá igualmente dificuldade em mostrar ao mundo que angolanos são pessoas como Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos, João Lourenço, Higino Carneiro.