O marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo, morreu, esta quinta-feira, no mar no Dubai. A notícia do óbito foi avançada por jornais internacionais, especialmente congoleses, e confirmada por fontes ligadas à família. Tinha 48 anos.

A imprensa congolesa adianta que Sindika Dokolo morreu no Dubai, enquanto praticava mergulho. Outras fontes indicaram que a causa da morte foi uma embolia.

Sindika Dokolo nasceu em Kinshasa, na República Democrática do Congo, em 1972. Casou com Isabel dos Santos em 2002.

O marido da mulher mais rica de África, filha de José Eduardo dos Santos, tinha uma das mais importantes colecções de arte contemporânea africana, provavelmente a maior, com mais de 3 mil peças.

Isabel dos Santos publicou, esta quinta-feira, uma fotografia (a que reproduzimos) com Sindika Dokolo e o filho na rede social Twitter.

Já Michée Mulumba, assessor do Presidente da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, confirmou a notícia no Twitter, onde prestou a sua homenagem a Sindika Dokolo. “Foi durante um mergulho que partiu para a eternidade, uma actividade habitual que o afastou da sua luta e dos seus entes queridos. Descansa em paz, caro Sindika Dokolo”, lê-se no tweet.

Tal como Isabel dos Santos, os negócios de Sindika Dokolo estavam a ser investigados pela justiça angolana, na sequência das revelações do Consórcio Internacional de Jornalistas que ficaram conhecidas como Luanda Leaks.

Sindika Dokolo e a mulher são suspeitos de terem lesado o Estado angolano em milhões de dólares e foram alvo de arresto de bens e participações sociais em empresas, em Dezembro do ano passado, por determinação do Tribunal Provincial de Luanda.

Dokolo era filho do banqueiro Augustin Dokolo Sanu, e da sua segunda mulher, a dinamarquesa Hanne Taabbel. Frequentou o liceu Saint Louis de Gonzague, em Paris, e prosseguiu os estudos na Universidade Paris Vi Pierre et Marie Curie.

Inspirado pelo pai, amante de arte, começou a sua colecção de arte quando tinha 15 anos e criou mais tarde a Fundação Sindika Dokolo, a fim de promover as artes e festivais de cultura em Angola e noutros países.

Em Outubro do ano passado, a sua Fundação comprou e repatriou para Angola 20 peças de arte que tinham sido levadas de museus angolanos para colecções estrangeiras e preparou-se para entregar ao museu de Kinshasa a primeira peça congolesa recuperada, segundo uma entrevista concedida na altura à agência Lusa.

Crítico dos quase 20 anos do regime do Presidente Joseph Kabila na República Democrática do Congo, Sindika Dokolo esteve cerca de cinco anos no exílio, devido aos processos movidos contra si em Kinshasa, tendo regressado apenas em maio de 2019, já depois da chegada ao poder de Félix Tshisekedi, que tomou posse como chefe de Estado congolês em Janeiro.

Em Fevereiro de 2016, ainda com José Eduardo dos Santos nas funções de Presidente em Angola, a Fundação Sindika Dokolo entregou ao chefe de Estado, no Palácio Presidencial, em Luanda, duas máscaras e uma estatueta do povo Tchokwe (leste de Angola), que tinham sido saqueadas durante o conflito armado, recuperadas após vários anos de negociação com coleccionadores europeus.

Condecorado pela Câmara Municipal do Porto (Portugal) com a medalha de ouro da cidade, na altura em levou a sua importante colecção de arte africana para ser exibida na cidade. A Fundação Sindika Dokolo adquiriu a Casa de Manoel de Oliveira por quase 1,6 milhões de euros para aí instalar a sua sede, mas o projecto nunca saiu do papel. E depois do Luanda Leaks e das investigações à fortuna de Isabel dos Santos, já não se esperava que o mesmo viesse um dia a concretizar-se.