Abel Chivukuvuku disse hoje que, ao contrário de 2012, quando teve de se juntar a partidos políticos sem relevância para participar na vida política, vai lutar agora até à legalização do PRA-JA Servir Angola. Abel Chivukuvuku é mesmo um alvo abater pelo MPLA de João Lourenço, não sendo (ainda) certo se a ideia é só derrubá-lo ou, eventualmente, matá-lo… politicamente.

Abel Chivukuvuku, coordenador da Comissão Instaladora do Partido do Renascimento Angolano – Juntos por Angola – Servir Angola (PRA-JA – Servir Angola), falava na reunião da ‘Task Force’, que analisou o recurso ao plenário do Tribunal Constitucional, que negou provimento ao pedido de nulidade do despacho que rejeitou a inscrição do projecto político.

Segundo Abel Chivukuvuku, em 2012, considerou que se tentasse criar um partido político seria “travado” e tentou participar na vida política nacional através de partidos já existentes, mas sem relevância na sociedade.

“Foi por isso, já sabíamos que se tentássemos, em 2012, também teriam “chumbado”. Decidiu entretanto procurar outra via, de afirmação própria, com o processo de criação do PRA-JA Servir Angola, contudo inviabilizado até à presente data, “por medo” e por que “têm noção do sentimento do cidadão”.

“Eles têm mecanismos para colher o estado de espírito dos cidadãos, por isso conseguem perceber que neste momento o país não está com eles e é por isso que têm essa tendência de procurar travar todos os outros”, disse.

O político, que em 2012 criou a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), segundo maior partido da oposição angolana, do qual foi afastado por problemas internos em Fevereiro de 2019, disse que o PRA-JA Servir Angola “já é uma realidade na vida dos cidadãos”, por isso vai continuar “na senda da luta” pela nova formação política.

“Temos que lutar pela democracia em Angola, temos que lutar pelo Estado democrático em Angola, pela justiça social, temos que ser a voz dos mais desprotegidos neste país, este é o propósito”, frisou Abel Chivukuvuku, dando garantias que, se este ano, houver eleições autárquicas estará presente, bem como nas eleições gerais de 2022.

De acordo com Abel Chivukuvuku, o desafio actual tem a ver com a situação do país, caracterizada por um aumento da degradação da vida dos angolanos, nos últimos quatro anos.

“O desespero hoje assola a maioria das famílias angolanas, para agravar as coisas hoje vem a Covid-19 e o Governo vai gingando de estratégias, para cima e para baixo, e aproveitam-se da pandemia para mais uma vez afirmarem os seus instintos autoritários, porque neste momento a qualidade do nosso processo democrático está em franca regressão”, salientou.

A perseverança e firmeza são as linhas orientadoras, segundo Abel Chivukuvuku, porque continua a luta pelo PRA-JA Servir Angola.

“A vida ensinou que há sempre caminhos para realizar o bem na sociedade”, referiu, acrescentando que “há uma indignidade generalizada no país”.

“O país está atento e quem está neste momento a promover a nossa causa é o próprio regime no país, com os actos que pratica contra nós. Se fossemos assim tão pequenos, por que teriam medo? Porque representamos alguma coisa, que é o sentimento do cidadão”, vincou.

Em Agosto de 2019, um grupo de cidadãos liderados por Abel Chivukuvuku entregou formalmente no Tribunal Constitucional os documentos preliminares exigidos para a criação de uma nova força política denominada PRA-JA Servir Angola, que de lá para cá tem recebido sucessivos chumbos do tribunal, por alegada insuficiência de documentos, para prover as 7.500 assinaturas exigidas por lei para a sua legalização.

Tchizé dos Santos, Abel e João

A ex-deputada do MPLA e filha do antigo Presidente de Angola, Welwitschea Tchizé dos Santos, afirmou em Maio deste ano que se em 1992 o Presidente da República fosse João Lourenço, Abel Chivukuvuku teria tido o mesmo que fim que Jeremias Kalandula Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces e Elias Salupeto Pena. Ou seja, a morte.

Tchizé dos Santos reagia às declarações de Abel Chivukuvuku, que defendeu o regresso a Angola dos familiares do ex-Presidente José Eduardo dos Santos para se defenderem das acusações de que são alvo.

“Há um ditado que diz: quem não deve não teme (…) Teria sido bom se eles estivessem aqui e se defendessem aqui, mostrando que têm razão e não temem. Seria muito bom para o país, porque ao estarem longe, as pessoas ficam com a ideia que fugiram”, afirmou Chivukuvuku em declarações à Lusa, questionado sobre alegações de familiares do ex-chefe do Estado, que dizem estarem a ser perseguidos pelo actual Presidente, João Lourenço.

“Eu ia querer ver se o Dr. Abel Chivukuvuku ia ter essa opinião quando foi capturado ferido pelas tropas do governo [MPLA] do então Presidente da República e comandante-em-chefe José Eduardo dos Santos, após os confrontos de 1992, se o Presidente da República fosse o General João Lourenço e não o dos Santos”, afirmou Tchizé dos Santos.

Na altura, Angola vivia ainda em guerra civil e Abel Chivukuvuku era dirigente da UNITA, o principal partido da oposição que o MPLA ainda permite que exista em Angola, tendo sido ferido em confrontos militares, em Luanda, e mantido sob custódia das autoridades governamentais quase durante um ano.

Nessa mesma altura Angola (e a comunidade internacional) assistiu a um outro massacre (o primeiro foi no 27 de Maio de 1977) em Luanda que visou o aniquilamento e de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.

Tchizé dos Santos disse que a UNITA “teve mais sorte do que a famílias dos Santos” pois foi José Eduardo dos Santos que decidiu o destino dos derrotados em combate, e não João Lourenço.

“Se quando o Dr. Jonas Savimbi morreu em combate e a UNITA foi derrotada, em 2002, o Presidente da República fosse o Sr. João Lourenço, certamente o Dr. Abel Chivukuvuku não teria hoje opinião alguma porque provavelmente estaria morto ou em prisão perpétua”, afirmou Tchizé dos Santos.

Abel Chivukuvuku sublinhou nas declarações à Lusa que “gostaria de ver as coisas discutidas aqui [em Angola]”, admitindo no entanto que a justiça é “excessivamente” partidarizada.

“Tenho noção disso, mas é com a nossa luta que vamos transformar os fenómenos, não é estando ausente disso tudo, é participando, é fazendo face e mostrando ao cidadão: estou aqui”, insistiu.