João Lourenço, Presidente angolano e também Presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo, considerou hoje que, perante o “mar de dificuldades” decorrentes do baixo preço do petróleo e da Covid-19, a “única saída” que resta a Angola é “produzir internamente tudo o que as potencialidades do país permitirem”. Demorou 45 anos a descobrir, pelo que é verosímel que demore mais 55 anos a concretizar-se.

“Estimular a produção interna de bens e de serviços, contando com o investimento privado nacional e estrangeiros na agricultura, nas pescas, na indústria, no turismo, na imobiliária e outros ramos da economia nacional”, afirmou hoje João Lourenço.

O Presidente de Angola, que falava no Palácio Presidencial, em Luanda, na cerimónia de posse dos membros do Conselho Económico e Social, sublinhou que o estímulo da produção interna deve concorrer para o “aumento da oferta de emprego”, sobretudo para os jovens.

Pelo menos 46 pessoas, entre economistas, académicos, ambientalistas, analistas, bajuladores e demais actores da sociedade civil angolana compõem o actual Conselho Económico e Social, criado recentemente e hoje empossado. João Lourenço disse contar com o saber e a experiência das personalidades que integram o Conselho.

“Para juntos encontrarmos as melhores saídas desta situação difícil em que nos encontramos”, afirmou, sublinhando: “Mas que será ultrapassada se trabalharmos unidos e com optimismo e esperança em dias melhores”.

“A tempestade passará, mas a bonança só vem com o trabalho organizado e abnegado dos melhores filhos da pátria, daqueles que procuram fazer bem o que sabem fazer, colocando esse saber em prol do desenvolvimento económico e social do país”, notou. E se for possível que os “melhores filhos da pátria” sejam do MPLA, então a salvação e o paraíso estarão aí mesmo ao dobrar da esquina.

O Presidente angolano manifestou também confiança aos membros do Conselho Económico e Social, referindo: “Juntos descobriremos as oportunidades que se escondem por detrás do que aparenta só serem dificuldades”. “Descobriremos juntos as formas de criar riqueza e acabar com a pobreza”, observou.

Num olhar às dificuldades mundiais, agravadas pela queda do petróleo e pela Covid-19, com reflexos negativos igualmente para a condição socioeconómica de Angola, referiu que a situação “obriga a ser cada mais engenhosos e criativos”.

Salientando que todos pretendem “o melhor” para Angola, “independentemente de quem tenha o mandato do povo para governar”, realçou que ao longo dos três anos de mandato à frente do poder em Angola, o executivo tem procurado “sempre trabalhar com a sociedade civil organizada”. Ou seja, a sociedade civil organizada opina mas quem decide é João Lourenço.

“Com as ONG, igrejas, associações profissionais e empresariais que nos têm ajudado a encontrar os melhores caminhos na solução dos problemas económicos e sociais que enfrentamos”, apontou.

Os economistas Alves da Rocha, Carlos Rosado de Carvalho, José Severino e Precioso Domingos, o ambientalista Vladimir Russo e a activista e defensora dos direitos da mulher Delma Monteiro são algumas das personalidades que integram o Conselho Económico e Social.

Mostrando ao que vão, os membros do Conselho Económico e Social enalteceram a criação do órgão considerando que o mesmo será um “espaço privilegiado de influência de políticas públicas” e onde João Lourenço terá “melhor informação para decidir”. Pois!

“Isso pode ser considerado um passo, num bom caminho, este Conselho tem um conjunto de pessoas que pensam pela própria cabeça e que dizem aquilo que pensam, e é isso que espero que os conselheiros façam e que eu pessoalmente vou fazer junto do Presidente”, afirmou o economista Carlos Rosado de Carvalho. E como não é pecado… esperar é uma qualidade. Aliás, em Angola não se aplica o adágio popular português que nos diz que “quem espera desespera”. Por cá só vale o que afirma que “quem espera sempre alcança”.

Para o também jornalista, um dos 46 membros que compõem o Conselho Económico e Social, o chefe de Estado angolano não vai ter de fazer aquilo que os conselheiros disserem. “Não vamos dizer aquilo que o Presidente quer ouvir, mas vamos dizer aquilo que pensamos e dar um contributo e, no caso de economistas, tenho a certeza de que o Presidente da República vai ter melhor informação para decidir”, acrescentou.

Já Delma Monteiro, directora executiva da Associação Observatório de Políticas Públicas da Perspectiva do Género (Assoge) angolana, também hoje empossada, considera o conselho como um “espaço privilegiado de influência de políticas públicas”.

“Queremos acreditar que poderemos dar um contributo real para que as políticas públicas tragam melhorias palpáveis na vida das mulheres economicamente vulneráveis do país”, adiantou. A defensora dos direitos da mulher “zungueira”, afirmou também que a Assoge, que defende maior inclusão social, constata que “vários programas aprovados ao longo do tempo acabaram sendo excludentes à mulher ‘zungueira’”.

Por seu lado, a economista e docente universitária Laurinda Hoyggard assinalou igualmente a importância do Conselho Económico e Social, composto por várias sensibilidades da sociedade civil angolana, para o país.

“Trata-se da intenção de enriquecer os contributos para que cada vez tenhamos uma vida melhor para o nosso país e todas as pessoas”, disse.

Os membros do Conselho Económico e Social deve, aliás, fazer o que João Lourenço recomendou ao Conselho da República, ou seja que conjuguem bem o verbo reflectir. E é por essa mesma razão que, embora o Folha 8 apenas integre o Conselho dos que se recusam a amover a coluna vertebral e a intestinar o cérebro, reflectimos todos os dias.

Por isso, irmãos, vamos então reflectir. Eu reflicto, tu reflectes, ele reflecte, nós reflectimos, vós reflectis, eles reflectem. Ou será mais correcto dizer: eu reflectirei, tu reflectirás, ele reflectirá, nós reflectiremos, vós reflectireis, eles reflectirão?

Pelo sim e pelo não, seria bom que eu reflectisse, que tu reflectisses, que ele reflectisse, que nós reflectíssemos, que vós reflectísseis, que eles reflectissem.

No entanto, o melhor de tudo (segundo o MPLA) é não reflictas tu, não reflicta ele, não reflictamos nós, não reflictais vós, não reflictam eles…

Folha 8 com Lusa