O MPLA já esgotou todas as mentiras e desculpas para poder enganar os angolanos? Nós avisámos anteriormente de que a culpa era das desculpas. Toda a gente conseguia perceber, excepto os que revelam atrasos no desenvolvimento da capacidade de raciocínio.

Por Domingos Kambunji

Ainda não há muito tempo, quando se iniciou a anterior crise internacional, o MPLA dizia que o país não entraria em crise porque foi capaz de diversificar a economia atempadamente.

Depois começou a faltar kumbu devido ao abaixamento do preço do petróleo. O MPLA disse que o país não entraria em crise porque a venda de diamantes compensaria a quebra nas receitas do petróleo.

Depois o MPLA disse que a economia iria crescer mais para distribuir melhor. O MPLA não conseguiu fazer crescer a economia e os seus dirigentes não distribuíram, roubaram mais.

Depois o MPLA disse que iria corrigir o que está bem, melhorar o que está mal, fazer mais com menos dinheiro e instalar a Califórnia em Benguela. Não melhorou, não corrigiu, não fez e a Califórnia recusou-se a ir para Benguela, porque não é tola.

Depois o MPLA prometeu que iria voltar a prometer todas as promessas que prometeu anteriormente. Prometeu e não cumpriu.

Depois o MPLA mandou a Luísa Damião, a vice-presidente do MPLA que dá carinho e solidariedade aos familiares das zungueiras que a polícia do MPLA mata, dizer o que disse Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos, João Lourenço e já se dizia no tempo do colonialismo. Desta vez as pessoas já não acreditaram nas promessas e desculpas para o fracasso da governação do MPLA. A Luísa Damião, coitada, diz o que lhe mandam dizer porque está a demonstrar não ter capacidade para mais e melhor.

Agora o MPLA pede a união de todos os angolanos para combater a crise? Afinal não disseram que o mais importante era resolver os problemas do povo, o país não entraria em crise, que a situação económica e social era boa, que a economia iria crescer mais para distribuir melhor, que iria melhorar o que está bem e corrigir o que está mal, que iria fazer mais com menos dinheiro?…

O MPLA pede a união de todos os angolanos para combater a crise económica? Agora o MPLA já não sabe fazer tudo e bem, sem necessitar de ajuda?

Então e agora? Afinal como é?

Quando choviam dólares os dirigentes do MPLA enriqueceram, em progressão geométrica, através da corrupção, esqueceram-se de dividir com o povo. Agora o MPLA pede a união de todos os angolanos para combater a crise? Já falta kumbu para construir mais estátuas de Agostinho Neto, o herói nacional, o fundador da guerra civil e pai dos fuzilamentos do 27 de Maio de 1977? Já falta kumbu para enriquecer ainda mais o Santos e os Netos. Os Santos já fugiram do altar do Bureau Político do Comité Central do MPLA? Alguns Netos vivem no estrangeiro, onde os filhos estudam nas universidades muito caras? Não há crise para os Santos e os Netos e os Lourenços, só para o povo?

Acabou-se a gasolina que abastecia os aviões nas viagens para o estrangeiro com o objectivo de “assinar protocolos de cooperação”, a pedir fiado para pagar o fiado?

Então e agora? Afinal como é?

Os que diziam que o país não entraria em crise, porque o MPLA diversificou a economia atempadamente, dizem que “nos dias de hoje somam-se dificuldades na solução de muitos problemas que, entretanto, foram surgindo no nosso percurso histórico e que se renovam a cada dia, mesmo depois de ultrapassado o identificado primeiro mal que era a guerra fratricida”.

Essa guerra foi iniciada pelo MPLA. Os problemas sempre existiram e o MPLA mentiu quando os negligenciou. Os arautos do sistema cleptocrático, pagos pelo MPLA, sempre souberam disso mas tentaram escamotear essas injustiças sociais para manter no poder os demagogos e os ladrões.

Os que diziam que o país não entraria em crise agora dizem que a guerra foi fonte de enriquecimento, de dirigentes de ambos os lados. Não consta que as contas bancárias e fortunas escondidas e estão a ser desmascaradas no estrangeiro, provenientes do gamanço em Angola, sejam de dirigentes da oposição. Essas fortunas foram “alimentadas oficiosamente por esse esquema de criar uma burguesia nacional que vinha sendo empiricamente abastecida desde o período do primeiro mal”.

Os novos ricos são todos do MPLA. Vejam o exemplo do actual presidente da Re(i)pública da Angola do MPLA, o tal que diz que participou na corrupção, beneficiou da corrupção e agora diz ser o maior especialista para combater a corrupção… Essa burguesia, maioritariamente militante no MPLA, deixou de ter “empresários de sucesso”, desde que secou a chuva de dólares disponíveis para serem abifados pelos corruptos, porque o país está à rasca. Os “empresários de sucesso” perderam a capacidade de acrescentar riqueza nas suas fortunas pessoais desde que o país entrou na crise, declarada oficialmente?

Então e agora? Afinal como é?

Agora…

… a versão masculina da Luísa Damião, o embaixador na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Francisco Cruz, diz que a credibilidade de Angola em termos de paz, segurança e resolução de conflitos, vem desde os tempos de Agostinho Neto, o fundador da guerra civil e pai do fuzilamento de muitas dezenas de milhar de angolanos no 27 de Maio de 1977.

Pobre credibilidade. Esta alucinação é demasiado evidente e, do mesmo modo que o MPLA congelou as contas bancárias e bens de Irene Neto, filha de Agostinho Neto, por suspeita de corrupção, o MPLA também foi capaz de congelar a memória e capacidade de raciocínio de muitos angolanos, dirigentes do MPLA, incluindo nessa matilha o embaixador Francisco Cruz.

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