A empresária angolana Isabel dos Santos terá mudado a residência para Dubai e assumido a cidadania russa, revelou o jornal português Expresso, citando documentos depositados no registo comercial de Malta. E enquanto se esmiuça, e bem, a vida pública da filha de Eduardo dos Santos, a governação de João Lourenço continua incólume e blindada à escrutinação da maioria dos jornalistas.

Na sua edição do dia 3, aquele jornal escreve que na Finisantoro Holding (sociedade de Malta que detém parte do banco EuroBic) o advogado português Jorge Brito Pereira apresentou em Novembro o registo de alteração de dados dos accionistas, Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que, de acordo com a mesma fonte, “passaram a ter morada profissional na Almas Tower, um arranha-céus no Dubai”, pelo menos desde Junho de 2019.

Meses antes, o mesmo advogado tinha depositado no registo de Malta uma outra alteração na Kento Holding (que detém parte da posição de Isabel dos Santos na operadora de comunicações NOS).

Na rede social Twitter, Isabel dos Santos reagiu hoje a estas revelações ao escrever: “Jornal Expresso de Portugal, você sugere que alguém vá mentir numa declaração fiscal e dizer que reside em Angola? As pessoas sabem que Isabel dos Santos está fora de Angola há muito tempo. A razão: #perseguiçãopolítica a família de #JES. Isso não é notícia”.

O Dubai é um dos mais conhecidos paraísos fiscais do mundo, não taxando os rendimentos dos cidadãos nem os das empresas (o que é compensado por uma forte taxação do petróleo).

O jornal refere que é sobretudo a partir da Holanda e de Malta que Isabel dos Santos controla as suas participações em Portugal, avaliadas em mais de 1,5 mil milhões de euros.

Recorde-se que no passado dia 30 de Dezembro, o Tribunal Provincial de Luanda arrestou bens e contas de Isabel dos Santos, do marido Sindika Dokolo e do presidente do Banco de Fomento de Angola, Mário Leite da Silva.

O Tribunal Provincial de Luanda acusa ainda a empresária, que tem mãe russa (presume-se – mas não se tem a certeza – que não seja crime), de ter tentado transferir 10 milhões de euros para a Rússia, através do general Leopoldino Nascimento “Dino”.

Isabel dos Santos prometeu continuar a trabalhar por aquilo que acredita para o seu país, ao reagir ao despacho do Tribunal Provincial de Luanda que arrestou, de forma preventiva, bens e contas em Angola.

“Vamos continuar, todos os dias, em todos os negócios, a dar o nosso melhor e a lutar por aquilo que eu acredito para Angola”, escreveu no Twitter a filha do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que começou por dizer que “gostaria de deixar uma mensagem de tranquilidade e confiança às minhas equipas”. “O caminho é longo, a verdade há-de imperar”, escreveu Isabel dos Santos.

Numa conversa com internautas no Instagram Isabel dos Santos revelou que o seu pai está ao corrente do que passa e que numa última conversa lhe terá pedido “muita coragem, que a luta continua”.

A propósito do Dubai, recorde-se a declaração de Isabel dos Santos, feita em 19 de Dezembro de… 2017:

“Na sequência de várias notícias postas a circular por alguns websites e canais noticiosos em Angola sobre alegados pagamentos e transferências ilegítimas ou ilegais de fundos da Sonangol E.P. para entidades terceiras, informamos que as mesmas são falsas:

– É falsa a notícia da existência de transferências realizadas para entidades terceiras depois da exoneração do anterior Conselho de Administração;

– É falsa a notícia de transferência de 57 milhões para conta offshore no Dubai;

– É falsa a notícia de transferências mensais de 10 milhões de euros da Sonangol para a Efacec.

De salientar que nunca foram pedidos esclarecimentos sobre estes temas à anterior Administração, não podendo, por isso, a mesma estar em falta com a prestação de qualquer informação.

De referir que a anterior equipa sempre esteve disponível para clarificar as dúvidas que pudessem surgir relacionadas com a sua gestão.

Está neste momento montada uma campanha de difamação contra a Eng.ª Isabel dos Santos promovida pelos mesmos e já conhecidos autores – Rafael Marques e Gustavo Costa – usando vários meios de comunicação e redes sociais. Estas falsas notícias são publicadas por estes autores, umas vezes assinadas outras não, e não merecem qualquer crédito já que têm como única e exclusiva motivação pôr em causa a integridade da Eng.ª Isabel dos Santos.”

Folha 8 com Lusa

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