A taxa de desemprego em Angola aumentou no terceiro trimestre para 34%, 1,3 pontos percentuais em relação aos três meses anteriores (32,7%) e 3,9 pontos percentuais face ao período homólogo (30,1%), contabilizou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“O s indicadores sobre o mercado de trabalho mostram algumas evidências marcadas pelo impacto da pandemia de Covid-19”, realça a Folha de Informação Rápida do Inquérito ao Emprego em Angola datada de 31 de Outubro.

A publicação indica, por exemplo, que pessoas que nos trimestres anteriores foram classificadas como desempregadas e pessoas que efectivamente perderam os seus empregos devido à pandemia podem, neste trimestre, ser classificadas como inactivas.

“A não-disponibilidade para começar a trabalhar, por motivos relacionados com a pandemia, pode levar ao acréscimo da população inactiva”, explica o INE.

A situação de Calamidade Pública que vigora até à data em Angola resultou no encerramento temporário e limitação na produção de bens e serviços, bem como restrições à livre circulação de pessoas e encerramento das escolas.

No terceiro trimestre de 2020, as escolas continuavam encerradas e as instituições apenas trabalhavam com 75% dos trabalhadores, levando a que muitos trabalhassem a partir de casa.

A população desempregada em Angola aumentou 9,9% no terceiro trimestre, face aos três meses anteriores e 22% em termos homólogos, segundo os números divulgados pelo INE.

No terceiro trimestre de 2020, a população desempregada, estimada em 5,2 milhões de pessoas com 15 ou mais anos, aumentou 470.898 pessoas em relação ao trimestre anterior e soma mais 937.540 pessoas comparativamente ao trimestre homólogo,

A população empregada com 15 ou mais anos, ou seja 10,1 milhões de pessoas, registou um aumento de 3,7% relativamente ao trimestre anterior (mais 361.442 pessoas) e 1,8% em relação ao trimestre homólogo de 2019.

A taxa de emprego situou-se em 59,7% tendo-se verificado um aumento de 1,3% em relação ao trimestre anterior (58,9%) e uma diminuição de 2,0% relativamente ao trimestre homólogo (60,9%).

No terceiro trimestre de 2020 a população empregada, que esteve ausente no trabalho, foi estimada em 195.287 pessoas, o que representa cerca de 2% da população empregada. Cerca de 30,7% estiveram ausentes por um período até três meses e mais de metade (69,3%) por mais de três meses.

A principal razão para a ausência no trabalho foi essencialmente a pandemia de Covid-19, razão apontada por 68,9% dos empregados ausentes do trabalho.

Quanto à economia, registou um crescimento negativo de 8,8% no segundo trimestre deste ano face ao período homólogo, anunciou o Instituto Nacional de Estatística, atribuindo esta “desaceleração acentuada” à pandemia de Covid-19.

“A desaceleração acentuada da actividade económica reflectiu o impacto da pandemia da Covid-19, que se fez sentir no referido trimestre”, lê-se no comunicado sobre as contas de Abril a Junho, que salienta que “a variação negativa é atribuída, fundamentalmente, às actividades de Pesca (-27,8%), Petróleo (-8,2%), Extracção de Diamantes (-15,6%), Construção (-41,0%), Comércio (-0,1%), Transporte (-78,9%), Governo (-7,1%), Imobiliária (-17,6%), Impostos (-53,6%), Outros serviços (-2,1%), Indústria Transformadora (-4,0%) e Subsídios (-71,7%)”.

A divulgação das estatísticas relativamente ao segundo trimestre, feita durante uma conferência de imprensa no dia 26 de Outubro, surge depois da demissão do presidente do INE, Camilo Ceita, provocada por ele ter apresentado uma versão preliminar do documento, no qual a queda do Produto Interno Bruto no segundo trimestre era de 12,7%, valor que desagradou a quem sabe da matéria, o Governo, tal como terá também acontecido em Janeiro relativamente aos números da inflação.

Num email de despedida aos trabalhadores, o agora ex-presidente do INE salientou que “a autonomia é um dos pilares dos INE e o INE de Angola, nossa casa grande de equilíbrio da Democracia, não deve nunca descorar dela”.

A Direcção do INE não explicou esta alegada diferença entre o relatório inicial e o que foi publicado.

No encontro com os jornalistas, a nova directora-geral lembrou que a queda do PIB no segundo trimestre face ao período homólogo resulta dos “problemas estruturais que estão na nossa economia, e que foram agravados pelo impacto da pandemia de Covid-19”. Acresce que quem percebe de estatísticas não é o Instituto Nacional de Estatística mas o dono da verdade, no caso o Titular do Poder Executivo.

Channey Rosa John alertou ainda que “a pandemia não vai terminar agora” e concluiu que “estão a ser tomadas medidas para ver o que se consegue fazer para termos uma economia saudável e restaurada”.

Durante a conferência de imprensa, a Direcção do INE foi também questionada sobre o impacto de uma queda de 8,8% no segundo trimestre, que se junta à variação negativa de 0,5% nos primeiros três meses deste ano, que por sua vez surge na sequência de quatro anos de crescimento anual negativo.

“O mundo em geral está a passar por um momento muito difícil, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para uma quebra acima de 4%, e Angola não é um país isolado, essas questões afectam significativamente o país, sendo que Angola não foi só afectada pela pandemia, já vinha experimentando recessões ao longo dos últimos quatro anos, que foram agravadas com a situação da pandemia”, disse a directora adjunta do departamento económico.

De seguida, acrescentou: “O INE faz inferência estatística, não define a política macroeconómica, apresenta a fotografia do ponto de vista da caracterização, para ajudar os decisores de política macroeconómica a tomarem decisões coerentes, consistentes e que certamente vão impactar a vida de todos nós; o que o INE deve fazer para ajudar a tomar essas decisões é entregar e colocar à disposição dados estatísticos fiáveis e credíveis que vão permitir a tomada de decisões de política macroeconómica”.

Folha 8 com Lusa