Hoje, dia 2 de Novembro de 2020, para o mundo cristão/católico é Dia dos Finados, aquele em que os vivos vão de forma material, prestar, mais uma, homenagem espiritual aos ente-queridos que partiram.

A procissão é feita na última morada: o cemitério onde, por regra, levamos ramos de flores para enfeitar o jardim eterno dos nossos ente-queridos, que espiritualmente, continuam a preencher um espaço no nosso disco duro mental.

Infelizmente, neste dia, 2 de Novembro, um inimigo dos cristãos, mais feroz que todos os que antes foram combatidos, vencidos ou irão ser derrotados, ainda se agiganta e impede-nos de estarmos mobilizados e irmanados: o Covid-19, ao encerrar os “condomínios da saudade” (cemitérios).

Em Angola, muitos pensaram ser mais uma estratégia do Titular do Poder Executivo, temeroso em manifestações silenciosas, que poderiam transformar-se em ruidosas, depois de prestarem homenagem aos ente-queridos, mas a medida foi partilhada por muitos outros países do mundo, como forma de evitar a propagação e o contágio da pandemia, nestes locais, onde por vezes, os sentimentos extravasam a prudência que se impõe.

A porta do cemitério do Alto das Cruzes, estava encerrada, com polícias a protegê-la e, caricatamente, com trabalhadores a ser explorados, num dia de feriado, pois nada justifica que neste dia, precisamente, no Dia dos Finados, houvesse uma brigada de pedreiros e pintores. Nada! Salvo, afinal um temor justificativo, para eventuais reacções, se ainda assim, alguém ousasse, atravessar estas seculares portas, que abrigam os ente-queridos de muitos de nós.

Em Portugal, a bandeira nacional foi colocada a meia haste numa cerimónia de homenagem aos mortos junto ao Palácio de Belém em que chefe de Estado, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro cumpriram um minuto de silêncio.

Em dia de luto nacional, as mais altas entidades do Estado participaram numa curta “cerimónia do içar da bandeira nacional em homenagem a todos os falecidos, em especial às vítimas da pandemia da doença Covid-19”, que durou cerca de três minutos.

Em Portugal, já morreram mais de 2.500 pessoas com esta doença provocada por um novo coronavírus, e nos últimos dias tem havido entre 30 e 40 mortes em cada 24 horas.

Este ano, a decisão de manter os cemitérios abertos, fechados ou com redução de horário coube às câmaras municipais. Nos que estão abertos é preciso cumprir regras mais rígidas, mas a afluência tem sido fraca.

Tradicionalmente, no Dia de Todos os Santos e no Dia dos Finados, milhares de famílias regressam à Terra Natal para homenagear os entes queridos que já partiram. Nos cemitérios que estão abertos nestes dias, o ritual cumpre-se com restrições.

A circulação de pessoas para fora do concelho de residência tem estado limitada em Portugal desde as 00:00 de sexta-feira e manter-se-á até às 06:00 de terça-feira, no âmbito das medidas para conter a pandemia.

A fiscalização foi apertada até terça-feira e quem não seguir as regras incorre num crime de desobediência, punível com uma coima que pode chegar aos 500 euros.

Legenda: À esquerda, o Presidente da República, João Lourenço no funeral do nacionalista e deputado do MPLA, Guilherme “Makala” Tonet, pai do nosso director, William Tonet. À direita, trabalhos na entrada do cemitério do Alto das Cruzes.