Hoje é hora de cada um perguntar se devemos, ou não, agradecer ao Titular do Poder Executivo (governo unipessoal), por nos ter, em tão pouco tempo, tornado imortais. IMORTAIS, sim! Malária, paludismo, febre amarela, diarreias, doença do sono, gota…? Ora, ora!

Por William Tonet

A invulgar energia governativa, em concentrar recursos financeiros públicos, exclusivamente, para a importação de medicamentos, material gastável e recursos humanos, para atender os infectados do COVID-19 parece demonstrar que todos quantos sobrevivam a esta pandemia, estarão imunes às outras endemias e doenças.

A fome, diariamente, mata mais de 150 pessoas (entre crianças, jovens e idosos), 878 de malária, 596 de paludismo, 350 de febre amarela, 480 de diarreias, 50 de doença do sono, 98 de gota, sem que os holofotes governamentais as coloquem nas estatísticas, como se, de repente, os angolanos se tornassem imortais, face ao COVID–19.

Somos mortais e, estupidamente, empurrados por um diagnóstico selectivo, enquanto se calcina o péssimo atendimento nos hospitais, onde falta tudo, para um eficaz atendimento ao cidadão, empurrado, antecipadamente, para as valas dos cemitérios.

O coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Malária, José Martins, deve ser um homem decepcionado, pelo aumento de mortes: 2.548 óbitos por malária, no primeiro trimestre deste ano, ante o descaso de quem de direito, por não ter meios para estancar a propagação de uma epidemia que mata, todos os dias, mais angolanos, que os casos positivos do COVID, apresentados, pomposamente pela ministra da Saúde e pares, em Luanda.

Só de Janeiro a Junho de 2020 existem mais de 250.437 casos de Malária, com alguns sintomas muito próximos do da COVID-19, a nova menina de ouro do Executivo, que enterra milhões e milhões de dólares, em menosprezo claro das demais doenças.

Infelizmente, o Presidente da República e o seu staff esquecem-se ser a Malária a principal causa de morte, do absentismo escolar e laboral, bem como dos internamentos nos postos médicos, centros clínicos e hospitais, devido à catastrófica situação de saneamento básico, cujas valas comuns, são as principais fábricas de produção de mosquitos.

Outrossim, como antever resultados positivos no combate à COVID-19, quando o executivo, desconseguiu manter os níveis do controlo das principais epidemias, muitas à beira da extinção, no tempo colonial e que vêm, infelizmente, se agravando, nos últimos 45 anos, face à indiferença e incompetência de gestão de um sector tão importante como o da saúde.

As permanentes políticas paliativas poderão ser responsáveis por crimes graves, num futuro próximo, quer pelo descaso, como do caso, uma vez a visão míope, ser avessa a um verdadeiro programa nacional de prevenção de saúde pública. Vencer as epidemias e a pandemia seria possível, se o Executivo buscasse a competência, numa âncora que coloca Angola no topo dos países com abundantes bacias hidrográficas. Sendo a água a primeira vacina: “Lave as mãos com água e sabão”, para combater a COVID-19 e demais doenças, a fome e a seca, mas o Executivo não a consegue levar, com regularidade às escolas, residências, hospitais, para atendimento dos cidadãos, nada leva a augurar, a redução da mortandade, no país.