Uma sociedade que analisa os seus avanços económicos dissociados dos seus avanços sociais reflecte um alarmante vazio moral e compromete gravemente a base do seu sistema económico. A pobreza empobrece a todos que padecem. Em Angola a desigualdade é hoje uma grande ameaça para o nosso futuro.

Por Adão Xirimbimbi “AGX”
Jurista

Por isso, as políticas económicas devem ser instrumento de inclusão social, complementando-se com as políticas sociais, porque a política económica é um combate à pobreza. Lamentavelmente quando o governo angolano analisa o país desde uma perspectiva política, somente analisa desde o poder político, não mete o ser humano nas suas políticas, ou seja, as políticas públicas não atingem uma configuração humana.

Não se pode admitir que se combate as técnicas da corrupção passada, mas ao mesmo tempo se criam as condições para a corrupção no futuro. Estamos a combater o corrupto ou a corrupção?

É necessário sair do estado de ineficiência a que estamos submissos ao longo desta Angola independente. Um Estado ineficiente é também um estado imprevisível, relegando o futuro da juventude ao acaso e geralmente impedindo a elaboração de planos e acções racionais das mentes vivas do país.

A ineficiência é o oposto a modernização. Um estado ineficiente é também, ao mesmo tempo, um estado injusto, visto que inevitavelmente ameaça a solidariedade social porque um dos traços característicos da ineficiência é sua propensão a deixar caminhos abertos para a corrupção, isto é, caminhos abertos para a distribuição desigual de recursos. Num estado ineficiente, os privilegiados vivem, e os pobres? Resposta óbvia.

A inflação está a ser nestes últimos anos o fenómeno central da nossa vida económica, fonte de irracionalidade e imprevisibilidade e, consequentemente, também tem essa faceta desmobilizadora. Portanto, hoje, é importante que com o mesmo esforço, a mesma magnitude que todos nós colocamos para acabar com a guerra civil, é fundamental também acabar com esta guerra económica que se chama inflação. Todos somos chamados a esse esforço, porque a classe que mais sofre sobre este fenómeno é o pobre cidadão que não tem nada para nada.

É necessário que diversifiquemos a economia, disso já se falou bastante em Angola, mas não se fez quase nada. Impulsar o sector produtivo, não podemos estar sempre dependendo unicamente desta variável exógena que é o preço do barril do petróleo, que baixou consideravelmente como todos sabemos, e todas as perspectivas indicam que seguirá aí nos próximos anos. Temos que nos acostumar a essa nova realidade. É necessário impulsar também os investidores nacionais.

Todos os angolanos que têm capital no exterior, devem pensar que Angola precisa mais do que nunca de capitais (claro que são aqueles que tem capitais com origem lícita). Entramos num processo em que é necessário a acumulação de capitais, Angola está descapitalizado. Angola pode ser um empolo gigantesco de riqueza (já é, mas em potencia).

A agricultura é um sector estratégico para Angola e deve ser esse um critério levado ao âmbito constitucional (para a futura e tão esperada reforma constitucional). Temos que escolher ao menos 4 ou 5 produtos que sejam vantagens comparativas e que podem ser competitivas para o desenvolvimento nacional, para criar emprego, para criar desenvolvimento. Como pode ser possível angolanos que vivem no campo passarem fome? Com tanta riqueza agrícola, pesqueira, tanta riqueza marítima. O pessoal do campo tem que voltar ao campo, é absolutamente necessário.

Devemos evitar a todo o custo que o nosso crescimento económico seja com autoritarismo, para evitar futuros fracassos. Será que a sociedade civil está de acordo com as políticas económicas que estão a ser implementadas? Ou, as políticas económicas implementadas vão em benefício do povo? A política económica nacional deve ser acompanhado com um debate nacional, estamos a tratar de políticas que impactam a sociedade no seu todo. Para que o país supere a crise actual, as soluções devem ser democráticas, porque se trata da vida de um país e não de um partido.

É fundamental que os partidos políticos se involucrem na vida social e económica do país. Pois, os partidos não podem ter nome somente em épocas eleitorais. Devem propor soluções concretas para que o nosso país saia o mais rápido possível desta crise profunda. O que podemos esperar de um partido político cujo principal papel na sociedade é criticar o governo?

Para a oposição angolana é melhor que o governo falhe e que não tenha solução das problemáticas que tem o país, para poder seguir criticando e, depois dizer que o governo não é efectivo e que a solução para o bem-estar dos angolanos são eles. Todos os partidos políticos estão a falhar. O povo não quer luta política, o povo quer soluções políticas.

Para salvar Angola desta crise profunda é fundamental que todos os actores políticos deixem de lado o seu compromisso partidário, o seu compromisso pessoal. O compromisso único e indivisível de um verdadeiro político é com o seu povo.

Nota. Todos os artigos de opinião responsabilizam apenas e só o seu autor, não vinculando o Folha 8.