Na nossa escola há um cartaz afixado na parede que convida as crianças a serem honestas e coerentes, com uma ilustração acompanhada do seguinte pensamento: coragem é dizer e fazer o que está certo quando a maioria das pessoas que nos rodeia diz e faz o que está errado.

Por Domingos Kambunji

No Huambo e em outras províncias do país há um pássaro, com cores muito alegres, que não voa em bandos, e admiramos com muita atenção quando, rapidamente, voa entre os ramos de uma árvore ou de árvore para árvore com o objectivo de se alimentar de pólen. É o beija-flor.

Em Luanda, principalmente nos territórios mais urbanizados, raramente aparecem os beija-flores. A passarada que gosta de dar nas vistas voa em bandos de beija “almofada no fundo das costas”, normalmente escrita com três letras, em que a primeira é a letra C e as restante são as letras U e S. Estes bandos têm uma densidade populacional demasiado elevada para as necessidades da qualidade de vida dos angolanos, em geral, e apresentam um comportamento gregário.

Esta passarada manifesta comportamentos e atitudes de chico-espertismo matumbo, demasiado parasitário e, em grande medida, saprófita. O Eduardo Magalhães é um dos passarões deste bando, muito ruidoso, mascarado de Director Nacional de Comunicação Institucional.

O Eduardo Magalhães, concorrente directo do deputado João Pinto na competição dos disparates, é um especialista de tudo o que, cientificamente está demonstrado, é uma característica de quem é um demagogo, excretando muitas vulgaridades balofas e oportunistas. Ele é especialista de lengalenga. Ele é especialista de bajulação. Ele é especialista na invenção de paradigmas de lana caprina. Ele é um especialista na produção de poluição sonora e intelectual. Ele é um especialista a virar a casaca e a tentar defender que o seu comportamento de réptil é o método mais ergonómico de locomoção. Há quem diga que ele pensa e movimenta-se através da “locumoção”.

A competição dentro deste bando de aves de Luanda, no comensalismo que as caracteriza, é muito grande, cada uma delas, enquanto alimenta o ego de ostentação e de megalomania, emite sons demasiado ruidosos para conquistar a atenção do soba do bando. As pessoas menos bem formadas ou distraídas pensam que estes escapes das suas barrigas de aluguer são os grandes intelectuais do país, uns grandes sabichões.

Os minimamente bem formados percebem que estas aves são bonecos de barro grotesco, usados só para mostruário, com conteúdos ocos. Quando pessoas que merecem o nosso respeito e admiração se manifestavam contra a cleptocracia do re(i)gime de José Eduardo dos Santos e em defesa da democracia e dos direitos humanos, o partido onde o Eduardo Magalhães exerce servilismo acusava essas pessoas de pertencerem a uma organização de malfeitores e de serem traidores à Pátria.

O Eduardo Magalhães dizia nessa época que o paradigma defendido pelo MPLA e as tácticas de governação e de fraude nas campanhas e contagens eleitorais seguiam as estratégias mais acertadas, mais modernas, mais inteligentes…

O “povo angolano foi forjado para superar desafios”? Nem todos porque, devido aos paradigmas deste bando de aves das zonas mais urbanizadas de Luanda, muitos desses angolanos não conseguiram superar, sair com vida da guerra civil iniciada pelo MPLA, dos fuzilamentos do 27 de Maio perpetrados pelo MPLA, das epidemias negligenciadas pelo MPLA, da fome implementada pelo MPLA…

É por isso que, quando ouvimos o os eduardositas a criticarem a rebaldaria anterior ficamos com a certeza de que quando o novo soba for destronado, apesar de tanto o bajularem e endeusarem no presente, irão usar a mesma conversa fiada que vomitam para humilhar o anterior “messias”, que cognominavam de querido líder, escolhido por deus, pai da nação, arquitecto da paz e do desenvolvimento… O que era homenageado com um feriado nacional no dia do seu aniversário e era, ininterruptamente, premiado como a figura do ano nos órgãos oficiais de propaganda e educação patriótica da Re(i)pública da Angola do MPLA, onde os eduardositas eram arautos protegidos pelo re(i)gime.

Agora o Eduardo Magalhães também é futurólogo dos novos paradigmas do partido, o Movimento do Peculato dos Ladrões de Angola. Ele já está a prever que o combate ao Covid-19 “conduzirá ao urgente trabalho de reestruturação do sistema nacional de saúde”. Será que está equivocado e queria dizer sistema nacional das doenças endémicas? Como se poderá reestruturar algo que, em termos gerais, não existe ou não passa de uma declaração de intenções? Quererá dizer que será necessário reestruturar e melhorar as idas aos melhores hospitais do estrangeiro dos dirigentes do partido que a CNE do Comité Central do MPLA decide ser maioritário?

O que quer o Eduardo Magalhães restruturar na saúde se o governo nem sequer tem dinheiro para pagar o fiado que andou a mendigar?

“Sabemos que os grandes líderes são conhecidos nos momentos de adversidade”. O nosso país tem muito pouca sorte. Apesar de tanta adversidade ainda não conseguiu arranjar um grande líder. Só conseguiu observar as Ordens Superiores dos Senhores da Guerra. As s forças militares e militarizadas do partido dominante não permitem a concretização desse sonho já bastante antigo, de encontrar um líder a sério.

O último soba que se conseguiu arranjar, cúmplice e beneficiário da rebaldaria da anterior cleptocracia, passa o tempo a insultar o seus companheiros, comensais durante situação, com os nomes de malandros, marimbondos, corruptos… Falta-lhe competência, coerência, honestidade e verniz para poder ser líder.

“A transparência é uma das luzes da democracia”. A opacidade da oligarquia reinante no nosso país permite que haja muitos milhões de cidadãos nacionais com falta de assistência médica, milhares a morrerem de fome e muitíssimas crianças fora do sistema escolar por falta de escolas e de professores. Mas conseguimos comprar caríssimos aviões de guerra, com uma modernidade e eficácia a matar bastante aceitáveis, e lançamos para o espaço satélites surdo-mudos… que se recusam a dialogar e a respeitar as ordens superiores baixadas pelos parasitários e virulentos comandantes-chefes.

O governo do nosso país está a tomar todas as medidas políticas e científicas para combater a expansão da pandemia Covid-19? Como? A grande percentagem da população, de Luanda e muitíssimo extensos arredores, nem sequer tem um abastecimento de água potável, só para citar uma das carências mais observáveis à vista desarmada?

A quarentena, de prevenção contra o Covid-19 “não é uma prisão, é um retiro”? A “quarentocincoena” de governação do MPLA é uma prisão, é um martírio.

O bando de aves de rapina que desempenham funções de directores nacionais de comunicação institucional não querem ver nem falar disso para não caírem do poleiro. Até são capazes de dizer que os efluentes deste curral são flores muito vistosas e perfumadas de um jardim nacional.

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