Muita gente se questiona acerca da razão do extremo sucesso dos judeus e se prova fosse necessária bastaria consultar com atenção a lista de laureados com o prémio instituído pelo Alfredo Nobel, talvez o mais alto galardão que um terráqueo pode receber… depois de um Oscar, eventualmente, ou de uma Bola de Ouro.

Por Brandão de Pinho

Mas garantidamente não é uma propensão genética que lhes dá mais inteligência até porque não há genes para isso nem esta pode ser aferida e mensurada de forma tão simplista e simplória tal a sua multifactorialidade expressa em graus diversos e interdependentes com complexas ramificações e interligações entre os muitos e distintos factores e também, pelo facto de premissas ambientais e comportamentais ao longo da vida poderem interferir na aprimoração desta capacidade. Para além disso há a questão da epigenética e mutações a que todos os seres-vivos estão sujeitos. Adiante.

E em verdade vos digo Irmãos que o Povo Escolhido ao longo dezenas de séculos deveu as suas capacidades ao Livro e ao Seu estudo e interpretação bem como documentos advindos e apensos a quesitos bíblicos que tinham de ser analisados – e que davam sempre azo a alegres e ruidosas tertúlias – e como dizem os jornalistas da bola, escalpelizados, por rabinos, através dos mais inusitados – mas sempre fundamentados – ângulos e prismas, mas sempre com lógica irrepreensível e sólidos argumentos.

Os judeus são semitas. São racistas. Sofreram mil e uma vicissitudes que mais ninguém sofreu, desde que um labrego pastor de carneiros de nome Abraão migrou para a Palestina.

São semitas como os árabes (aliás os árabes são genética e linguisticamente os verdadeiros semitas e mais do que irmanados seriam os pais dos judeus, curioso), como alguns povos da Mesopotâmia e até como os primeiros egípcios. São o povo culturalmente mais forte do mundo. Inclusivamente experiências sociais e psicológicas demonstram inequivocamente que inclusivamente não só eles têm aquela noção de superioridade racial – que dentre inúmeros exemplos ao longo dos tempos, era comum aos europeus desde o Império Romano e até à II Guerra Mundial sobretudo os europeus protestantes e do norte do velho continente designados nos USA por “WASP” – como os outros povos lha reconhecem mais ou menos explicitamente, mesmo os WASP.

Amigo leitor, se vos lembrais, aqui há atrasado falei-vos de um romance histórico, no caso “O Físico” em que se aborda aspectos da questão judaica após o declínio do Império Romano e uma coisa que retive e me marcou em obsessiva profundidade foi o que um personagem disse: “… um bom judeu divide cada dia em 3 partes, 8 horas para trabalhar, 8 horas para estudar, escrever e discutir aspectos da Torah e por fim 8 horas para dormir e descansar higiénica, tranquila e confortavelmente (ainda que sem luxos)…”.

Quando afirmei que eram racistas não é no sentido habitual de implicações biológicas, mas sim no verdadeiro sentido – o cultural e religioso. A única forma de um judeu casar com um gentio seria se este se convertesse através de um penoso e demorado processo de lavagem cerebral. Todavia isto foi feito amiúde pois os judeus à medida que foram migrando para o mediterrâneo (Europa do Sul e Norte de África) e depois restante Europa, muitas vezes não levavam elementos femininos e por isso tinham de constituir núcleos familiares para formarem comunidades, coagindo mulheres autóctones. Razão pela qual há tantos hebreus branquelas, de olhos claros e penugem arruivada.

E das mil e uma vicissitudes bastaria ler o antigo testamento para constatar as sevícias que sofreram – não bastasse o tórrido clima e aterra agreste, ainda que prometida – por parte das civilizações mesopotâmicas (bem como outras do Crescente Fértil) sobretudo a babilónia que os reduziram às mais hórridas condições. Verdadeiramente só os Persas – grande paradoxo tendo em conta que, actualmente, o Irão é o maior inimigo de Israel – foram benevolentes, clementes e piedosos e não é por acaso que único gentio mencionado na Bíblia em termos como que divinos é Ciro I, descrito como enviado e ungido pelo próprio Jeová. Miraculosamente sobreviveram e constituíram um povo coeso e hoje temos uma imensa diáspora dos descendentes daqueles que foram capazes de tomar as decisões certas no menor lapso de tempo e escapar da morte. Por si só essa é uma das definições mais curtas e assertivas de inteligência: Resolução de problemas complexos de forma correcta e rápida.

Posto isto e partindo do princípio que aprender a ler e escrever, bem como interpretar textos e discuti-los, era característica incondicional destes semitas transumantes, não será difícil perceber a razão do seu triunfo neste mundo tão competitivo (apesar de haver outros factores igualmente importantes, o mais notório é o sentimento de comunidade e entre-ajuda que lhes proporcionou vantagens nos negócios sobretudo como mercadores).

Aliás há outro exemplo relacionado com a alfabetização bíblica em que – neste caso aos textos da Torah acresce o Novo Testamento – os povos de Norte da Europa de matriz cristã protestante se demarcaram dos católicos e ortodoxos, atingindo graus de desenvolvimento e riqueza e porventura supremacia sobre os demais, pelo facto de – à boleia da invenção da imprensa com caracteres móveis (na China já há muito existia mas o Império do Meio é um caso à parte e eles sim um dia dominarão o mundo) – terem sido digamos que tolerantes (mais por motivos políticos fugazes do que espirituais) a correntes dissidentes do Papa e seitas cristãs, derivadas da Religião Apostólica Romana, cujos cânones, nesse tempo passado passaram a passar pela adjecção directa a Deus e através da leitura e interpretação das escrituras pelos próprios e na próprias língua.

Inclusivamente deparo-me bastantes vezes com um fenómeno similar relacionado com aquela primeira vaga de emigração dos portugueses para França antes do 25 de Abril. Nessa altura Portugal era profundamente atrasado e Salazar pese embora os muitos méritos não apostou seriamente no ensino primário (apesar de ter construído muitas e belas escolas com uma traça típica e única e que podem ser vistas também em Angola ) e médio universal e sem discriminações de género.

Essa vaga era constituída pelas pessoas dos mais baixos estratos sócio-económicos e sobretudo do Interior da Lusitânia e pouco mais que iletrados eram. Todavia aqueles que gostavam de futebol tinham uma grande vantagem. Liam o jornal “L’Équipe” que os nativos franceses iriam deitar fora e depois de o lerem entregavam-no às esposas que muito ecologicamente o reciclavam, ou em duplas folhas para embrulhar sardinhas ou cortando-o em quadradinhos para serem usados para as abluções higiénicas necessárias após a defecação. Graças a isso passaram a desenvolver competências de leitura assinaláveis e a melhorar o seu francês e não poucas vezes começaram também a interessar-se por outras temáticas extra-futebolísticas e na minha opinião acabaram por ser melhor sucedidos bem como as segundas gerações e no caso das terceiras e até quartas há um padrão que nada tem a ver com a imagem típica do emigrante português (que ao contrário do que se passa em Angola acabavam – até há pouco tempo – por ter trabalhos menos qualificados).

Posto isto, como é que é possível que o Governo angolano -mesmo que herdando um sistema já de si decadente, irracional e desajustado fruto do desmazelo da cúpula emepeliana e de influencias perniciosas da escola soviética pós-colonial – permita o verdadeiro flagelo de milhares de crianças em idade escolar estarem fora do sistema normal de ensino e não só este ano – já não há desculpas para falar mal e culpar Dos Santos – um pouco por todo o Quadrado Austral cujo exemplo flagrante é o município da Caála, na província do Huambo, cujo director da repartição local da educação, Albano Urbano, imputou a escassez de salas de aula e professores sobretudo às grandes distancias entre as aldeias e às vilas comunais (nalguns casos) como os motivos desse flagelo.

E para quando apostar num verdadeiro ensino pré-primário dos 6 meses aos 6 anos? Que agora percebo ser fundamental pois tenho uma filha de 2 anos que por opção minha frequenta apenas a creche 2 ou 3 dias por semana desde há algumas semanas mas que dessa forma permite: a conciliação dos pais com o trabalho e aumento da sua produtividade e felicidade; a aprendizagem e desenvolvimento de competências psico-sociais doutra forma impossíveis no seio familiar ainda que o mais alargado possível; e a aprendizagem com métodos pedagógicos, didácticos e científicos comprovadamente adequados de matérias realmente importantes (o facto da minha filha com menos de um ano de idade saber localizar Portugal e Angola no Mapa Mundi e antes dos 2 já saber os Reis de Portugal das 4 dinastias e muitas capitais, tal não significa nada de realmente importante).

Como é possível que as escolas primárias não tenham as condições mínimas nem estejam disseminadas por todos os rincões do território onde haja comunidades nativas para que Angola de Cabinda ao Cubango e do Namibe às Lundas seja um território onde todos tenham – pelo menos em termos de educação – igualdade de oportunidades?

Porque não criar uma empresa estatal do género da Parque Escolar portuguesa – dos tempos do cleptomaníaco Sócrates – para construir e melhorar escolas existentes?

A construção civil é uma poderosa enzima económica e esses trabalhos poderiam ser dados a empresa locais com trabalhadores locais (chineses e portugueses deveriam estar o mais afastados possível) já que as exigências técnicas não são muitas nem seriam necessários grandes luxos, bastando apenas salas abrigadas, mesas, cadeiras, cadernos, livros, canetas e quadros… e sobretudo uma boa cantina preparada para confeccionar várias refeições simples e saudáveis, e, um recreio para brincadeiras e desporto ainda que de início não houvesse orçamento para todas essas infra-estruturas não essenciais, mas mais tarde, que não fosse por falta de planeamento e de espaço físico para expansões ou pela necessidade de se ter de deitar abaixo para fazer de novo demolindo paredes, chãos e tectos, que se alegasse a não execução de determinadas obras.

O essencial seria ter escolas – esse é o imperativo nacional – preparadas para incrementos modulares futuros, quando a economia melhorar, e, tendo em conta um aspecto muito importante que seria o cuidado de se cumprir com os desígnios desta nova era e erguer escolas ecológicas, que ainda para mais consumiriam menos energia e poupariam água (que nalguns sítios de Angola ainda há-de valer tanto como o petróleo).

Claro que a Parque Escolar portuguesa foi só um meio para Sócrates e os seus sipaios e amigalhaços roubarem Portugal (nalgumas matérias em termos de corrupção Portugal e Brasil ainda têm muito para ensinar aos palancas) havendo casos em que nem janelas funcionais havia, sendo que a climatização estival só poderia ser feita com Ar Condicionado e como as contas de electricidade eram insuportáveis escolas houve que retiraram os vidros para correr uma brisa refrescante impossível que era abrir uma janela…

Como é possível que os elementos mais importantes de uma sociedade – os professores primários – mais do que médicos, governantes, engenheiros e juízes tenham uma formação superior científica e pedagógica tão aquém do minimamente aceitável?

Em Portugal não faltam professores primários desempregados e por circunstancias absolutamente típicas de países sub-desenvolvidos são os melhores pois o Ministério da Educação contrata professores pela média com que acabam a faculdade e as piores faculdades formaram os piores alunos que são os actuais professores pois por suprema ironia DÃO-LHES NOTAS que nem os melhores alunos das Públicas conseguem tirar!!!

Um dos problemas dos países corruptos com uma cultura de cunha, pequeno favor, nepotismo e favorecimento descarado é que as instituições públicas para contratem recursos humanos ou para adquirir serviços têm de obedecer a rígidas normas, demoradas e burocratizadas, e, no caso específico da contratação de professores uma análise curricular e uma entrevista seriam impossíveis pois a suspeita de favorecimento andaria sempre a pairar no ar e no caso das habilitações académicas se as instituições não se cingissem só à média final mas também à qualidade da Universidade, o poderoso “loby” das Universidades Privadas impediria quaisquer tentativas de mudanças.

Espero que João Lourenço não cometa estes erros.

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