O Presidente da República, João Lourenço, reafirmou, nesta segunda-feira, em Luanda, o compromisso do Executivo com o sector social, particularmente as áreas da educação e saúde, com vista a melhoria da prestação destes serviços à população. Isto, é claro, sem esquecer que a Educação e a Saúde não eram preocupações nos últimos 44 anos de governação do MPLA porque… não existiam.

João Lourenço falava à imprensa depois de ter descerrado a placa inaugural do Centro Ortopédico e de Reabilitação Polivalente António Agostinho Neto, que antes se designava Centro Ortopédico de Viana. Aliás, não havia melhor local para falar do sector social do que um que homenageia o nosso maior genocida.

João Lourenço, dilecto e nostálgico acólito desse genocida, disse que, em quase dois anos de mandato, está em construção o novo Hospital Sanatório de Luanda (que tal chamar-se também António Agostinho Neto?), especializado no tratamento da Tuberculose, e vários centros de hemodiálises, para cobrir o maior número de províncias.

O Titular do Poder Executivo, e igualmente presidente do MPLA, destacou ainda a reparação de 11 centros de reabilitação física para assistir vítimas de minas anti-pessoais e de acidentes de viação que, como disse, “infelizmente” ocorrem praticamente quase todos os fins de semana.

João Lourenço anunciou a realização de concursos públicos para o ingresso de novos funcionários no sector, esclarecendo que o número de vagas vai variar anualmente de acordo com os recursos que o Estado tiver disponíveis e congratulou-se com a qualidade da empreitada, feita por angolanos, frisando que a juventude, se for apoiada, é capaz de realizar obras de grande valor e servir a Nação.

Para João Lourenço, a designação de Centro Ortopédico e de Reabilitação Polivalente António Agostinho Neto representa uma merecida homenagem ao fundador da Nação – médico de profissão, assassino por convicção e sádico prazer -, no último dia do mês dedicado ao Herói Nacional… do MPLA.

A instituição, que, por quatro meses, beneficiou de obras de reabilitação e ampliação, possui fábrica de órteses (dispositivos ortopédicos de uso provisório) e próteses, bem como ginásio e área de fisioterapia pediátrica.

O Centro oferece também serviços de clínica geral, medicina interna, pediatria, fisioterapia, neurologia, psicologia, urologia e estomatologia, bem como laboratórios, farmácias e oficina de próteses.

Este Centro faz parte do programa denominado “Plano de Reabilitação de todos os Centros Ortopédicos e de Reabilitação de Angola’’, do qual constam igualmente os Centros da Samba e Neves Bendinha (Luanda), Huambo, Bié, Cuando Cubango, Moxico, Gabela (Cuanza Sul), Negage (Uíge), Benguela e Lubango (Huíla), sendo que todos devem ser baptizados com o nome de António Agostinho Neto.

O primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, foi considerado no dia 10 de Setembro de2017, em Luanda, como impulsionador da libertação da África Austral e um defensor intransigente da luta de libertação dos povos em África e no mundo, pelo docente universitário, Francisco Bala Francisco. Terá o massacre de milhares e milhares de angolanos no 27 de

Em declarações à Angop, a propósito da comemoração do 17 de Setembro, dia do Herói Nacional do MPLA, o professor (por aqui se vê o nível do nosso ensino) revelou que a contribuição de Agostinho Neto para causa africana é cada vez mais reconhecida, sobretudo na região, mas ainda assim, podia fazer muito mais. E podia mesmo não fosse haver cada vez mais gente a pensar pela própria cabeça.

“Agostinho Neto, para além de ter sido o herói da libertação de Angola e pai da Independência, deu um apoio incomensurável, inestimável, à libertação da Namíbia, do Zimbabwe e também a erradicação do Apartheid na África do Sul”, frisou. E então a libertação da Alemanha do jugo de Hitler? E então o fim da segregação racial nos EUA? E então a descoberta da roda? Isto já para não falar da descoberta do Raio X que, erradamente, se diz que foi feita pelo alemão Wilhelm Conrad Röntgen; da Penicilina (falsamente atribuída a Alexander Flemming), do computador, da máquina a vapor, da pólvora ou do telégrafo…

Para Francisco Bala Francisco, o primeiro Presidente de Angola tinha uma visão muito mais ampla sobre a luta de libertação dos povos. É verdade. Tão ampla que quem não estivesse de acordo com ele era fuzilado. Talvez por isso tenha agora o seu nome associado ao ex-Centro Ortopédico de Viana.

“Nós tivemos, sem dúvida, a felicidade de ter encontrado em Agostinho Neto um Presidente com uma visão global da nossa luta e também, com a visão esclarecida de que a nossa luta não estaria completa sem a libertação de vários outros povos do mundo”, exaltou a criatura, cuja teoria da bajulação não demorou muito a fazer de Neto o mais proeminente político mundial, ofuscando figuras como Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e Martin Luther King.

No seu entender, por todos os feitos do “Herói Nacional do MPLA”, o reconhecimento actual ainda não é o devido, porque se sente que, às vezes, há alguma modéstia em enaltecer a sua figura. É verdade. A malta do MPLA (não esquecendo que o massacre do 27 de Maio vitimou muita boa gente do próprio MPLA) tem memória curta e é modesta. Porque não recordar que, para honrar os feitos do seu herói, o nosso país deveria chamar-se Agostinho Neto e não Angola?

“Felizmente, o Presidente José Eduardo dos Santos continuou nesta via e a ele, também, devem ser tributadas, como continuador dessa política no plano externo, as devidas honras e o devido reconhecimento, por ter sabido colocar-se a altura do tempo vivido na luta de libertação dos povos”, reconheceu Francisco Bala Francisco. E tem razão. Eduardo dos Santos não é o pai dos massacres do 27 de Maio, embora seja parente próximo, mas é o pai do assassinato de 50 mil cidadãos angolanos (Ovimbundus e Bakongos), entre os quais o vice-presidente da UNITA, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.

Em Setembro de 2009, o então ministro da Educação de Angola, Burity da Silva, afirmou que “a construção da angolanidade deve ser edificada com a participação de todas as culturas existentes, sem critérios estereotipados de exclusão”. Prova dessa tese, segundo o regime, continua a ser a comemoração do Dia do Herói Nacional do MPLA como sendo o de todos os angolanos. Não admira, desde logo quando o actual, como anterior, Presidente do MPLA tem a lata de dizer que é o presidente de todos os angolanos.

Mas é assim. Se o MPLA é Angola e Angola é o MPLA, herói nacional há só um, Agostinho Neto e mais nenhum. O lugar esteve, embora de forma mais subtil, ocupado por José Eduardo dos Santos, mas quando João Lourenço resolveu passá-lo de bestial a besta…

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