A Economist Intelligence Unit (EIU), uma entidade que comete o crime de emitir análises sobre a economia angolana sem ouvir o Departamento de Informação e Propaganda do MPLA (ou, ao menos, a ERCA), atreveu-se agora e novamente a prever uma recessão económica em Angola neste e no próximo ano. João Lourenço foi aos arames e quando isso acontece…

O documento da EIU prevê uma inflação de 17,8% para este ano “devido ao enfraquecimento do kwanza e às descidas das taxas de juro”. Analistas dizem que “ambiente operacional ainda é desafiante”.

A EIU prevê que a economia de Angola se mantenha em recessão até 2020, prolongando os crescimentos negativos dos últimos anos devido à descida de preço do petróleo desde o Verão de 2014.

“As perspectivas económicas de Angola continuam fracas, com a recessão de três anos a continuar até 2020”, lê-se numa análise à economia e à política de Angola, em que se refere que a produção de petróleo caiu quase 10% no ano passado e que a atracção de investimento externo continua difícil.

De acordo com o relatório, que não detalha a previsão de crescimento económico negativo para este e o próximo ano, “apesar da introdução de numerosos incentivos fiscais, tem sido difícil atrair investimento internacional para os seus recursos petrolíferos nas águas ultra-profundas, onde o preço de ‘break-even’ é mais elevado”.

O documento, enviado aos clientes, prevê uma inflação de 17,8% para este ano “devido ao enfraquecimento do kwanza e às descidas das taxas de juro” e afirma que “as medidas para combater a inflação vão ser prejudicadas pela dinâmica cambial, combinada com o corte de Julho aos subsídios da electricidade”.

Os últimos dados disponíveis sobre o andamento da economia angolana registam uma recessão de 1,2% no ano passado, segundo a revisão feita pelo Instituto Nacional de Estatística no final de Julho, que melhorou a previsão de crescimento negativo, de 1,7%, para 1,2% do PIB.

De acordo com o documento sobre as Contas Nacionais Trimestrais relativas aos primeiros três meses deste ano, a economia angolana teve crescimentos negativos de 2,5% de Janeiro a Março de 2018, de 3,8% no segundo trimestre, de 1,3% no terceiro trimestre e entrou em território positivo nos últimos três meses do ano, quando registou uma expansão económica de 2,6%.

Nos primeiros três meses deste ano, a economia angolana voltou a ‘entrar no vermelho’, registando uma contracção da actividade económica que o INE estima ter sido de 0,4%, o que terá levado o executivo a rever, logo em Abril, a perspectiva de crescimento, de 3,2%, para 0,4% no conjunto de 2019.

Em Abril deste ano, o governo reviu em baixa a estimativa de crescimento, de 3,2% este ano esperados no final do ano passado, quando assinou o programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional, para 0,4%.

A nível político, a EIU prevê que o MPLA, partido de João Lourenço, no poder há 44 anos, vença as eleições do próximo ano, “mantendo o seu domínio nas urnas devido ao forte controlo do aparelho de Estado e tendo a vantagem de estar no poder a nível nacional”.

O Presidente, prevê a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, “vai tentar manter aquilo que considera ser a sua posição de líder regional, consolidando as ligações económicas e de comércio, continuando a assinar acordos com os seus vizinhos, mas o sentimento proteccionista e os gargalos logísticos vão continuar, dificultando o crescimento potencial a médio termo”.

As decisões políticas vão continuar a ser determinadas pelos esforços para aumentar o sector privado na economia, diversificando a economia e aumentando os fluxos de investimento, mas estes esforços vão ser constrangidos pelo ambiente operacional, que ainda é desafiante”, dizem os analistas, concluindo que mesmo o programa de privatizações recentemente anunciado vai enfrentar dificuldades não só pelas “dificuldades logísticas”, como pela relativa incipiência do sector financeiro angolano.

“Apesar de os anúncios de reformas parecerem positivos, tal como é positivo o empenho de João Lourenço em combater a corrupção, continua por se ver quão séria é a agenda de reformas”, escrevem os peritos da EIU, em Novembro de 2018, acrescentando que “no curto a médio prazo, Angola vai continuar altamente vulnerável a mais choques no preço do petróleo”.

Por outras palavras a ementa do Governo tem produtos variados, pratos de alta qualidade, cozinheiros mundialmente afamados. No entanto, na cozinha só existe um prato para servir aos angolanos: peixe podre, fuba podre. Quem refilar… porrada neles.

Folha 8 com Lusa

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