A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) prevê que Angola continue em recessão económica no próximo ano, antevendo um crescimento económico negativo de 1,9%, produzindo menos de 1,4 milhões de barris de petróleo diários. Nada disso, diz o Governo, para quem haverá uma recessão de 1,1% este ano e um crescimento de 1,8% no próximo ano, sustentado no aumento da produção petrolífera e na economia não petrolífera.

“A s perspectivas económicas de Angola continuam fracas, com a recessão a prolongar-se para 2020″, escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Na análise ao país, enviada aos investidores, lê-se: “A produção petrolífera continua a cair devido à maturação dos poços e à falta de investimento nos últimos anos; esperamos que a produção caia ainda mais em 2020, ficando abaixo da limitação imposta pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo de 1,4 milhões de barris diários”.

Por isso, continuam, “o Produto Interno Bruto real deve contrair-se 1,9% em 2020, devido aos efeitos da reduzida produção petrolífera e limitado pela descida das receitas governamentais, pela despesa pública e pelo consumo privado”.

No relatório, a EIU melhora a perspectiva de evolução da inflação para 16,9% no próximo ano, actualizando a estimativa de 17,8% para este ano, “devido à desvalorização do kwanza, à descida dos preços do petróleo e à redução das exportações e consequente disponibilidade de dólares, para além da introdução do IVA e da redução dos subsídios à electricidade”.

A EIU estima que, até 2024, a inflação abrande para 10,4%, argumentando com o abrandamento da depreciação do kwanza. A moeda nacional perdeu 15,8% este mês, segundo os dados oficiais do Banco Nacional de Angola, o que arrastou o kwanza para uma perda de 31,3% desde Janeiro

A nível político, a EIU prevê (bem podia garantir) que o MPLA, partido de João Lourenço, no poder há 44 anos, vença as eleições do próximo ano, “mantendo o seu domínio nas urnas devido ao forte controlo do aparelho de Estado e tendo a vantagem de estar no poder a nível nacional”.

O Presidente, prevê a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, “vai tentar manter aquilo que considera ser a sua posição de líder regional, consolidando as ligações económicas e de comércio, continuando a assinar acordos com os seus vizinhos, mas o sentimento proteccionista e os gargalos logísticos vão continuar, dificultando o crescimento potencial a médio termo”.

As decisões políticas vão continuar a ser determinadas pelos esforços para aumentar o sector privado na economia, diversificando a economia (o que é prometido e garantido há dezenas de anos) e aumentando os fluxos de investimento, mas estes esforços vão ser constrangidos pelo ambiente operacional, que ainda é desafiante, dizem os analistas, concluindo que mesmo o programa de privatizações recentemente anunciado vai enfrentar dificuldades não só pelas “dificuldades logísticas”, como pela relativa incipiência do sector financeiro angolano.

As mais recentes previsões económicas feitas pelo Governo apontam para um crescimento económico de 1,1% este ano e para uma recuperação de 1,8% do PIB no próximo ano, ao passo que o Fundo Monetário Internacional, nas previsões apresentadas na semana passada, estima uma recessão de 0,3% este ano e um crescimento de 1,2% em 2020, que acelera até 3,8% em 2024.

O Ministério das Finanças, agora liderado por Vera Daves, aposta em três pilares: aprofundamento da consolidação fiscal e solidificação da estabilidade macroeconómica, reanimação do sector produtivo e diversificação da economia, e reforço na implementação do conteúdo sectorial do PDN (Plano de Desenvolvimento Nacional) 2018-2022.

Sobre o primeiro pilar, o Governo aposta na qualidade da despesa pública, reforma estrutural do sistema tributário e aumento da base tributária, alteração da estrutura da dívida pública, descentralização das finanças públicas e maior eficiência das políticas monetárias e cambial.

O segundo pilar centra-se no Programa de Apoio ao Crédito, estímulos do banco central para o financiamento da economia, programa de privatizações, plano integrado de intervenção nos municípios, planos de acção para a promoção da empregabilidade e reforço do processo de regularização de atrasados.

Para sustentar a previsão de crescimento de 1,5% do sector petrolífero, o Ministério das Finanças aponta como alvos a “execução dos programas de manutenção e inspecção visando a eficiência operacional acima dos 95%; a revitalização dos campos Malongo West, Kungulo e Banzala, no Bloco 0, bem como nos Blocos 14,15,18 e 31, e o restabelecimento e melhoramento da injecção de água em várias concessões”.

Além disto, Angola visa a “implementação de estratégia de desenvolvimento de campos marginais, o reinício de produção dos campos Raia, Bagre e Albacore no Bloco 2/05, a entrada em produção do campo Agogo, fase 1, no Bloco 15/06 com uma produção média anual de 8 mil barris de petróleo por dia, e a entrada em produção do projecto Gimboa Noroeste (GimNW) no Bloco 4/05 com uma produção média anualizada de 4 mil barris diários”.

Para o sector não-petrolífero, o Ministério das Finanças estima um crescimento de 1,9% no próximo ano, resultando “de uma maior aceleração do crescimento nos sectores de agricultura, pescas e derivados e serviços mercantis”.

Para isso, apresentam o objectivo de “implementação do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI); surgimento de novas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), a concessão de microcrédito e crédito com juros bonificados, à luz do Projecto de Apoio ao Crédito (PAC); PIIM – Plano Integrado de Intervenção nos Municípios; e PAPE – Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade”.

Folha 8 com Lusa

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