O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou hoje a criação de um Laboratório de Inovação do Sistema de Pagamentos de Angola que deve integrar jovens com propostas inovadoras para o sistema financeiro do país. Aplauda-se. Só falta uma iniciativa similar para ensinar os governantes a… governar.

O anúncio foi feito aos jornalistas por Pedro Castro e Silva, administrador do BNA, à margem de uma conferência sobre Inclusão Financeira, referindo que o laboratório foi aprovado, no princípio de 2019, pela administração do banco central.

“É a forma que o BNA quer trazer mais ‘startups’, mais jovens que tenham ideias para o sistema financeiro”, disse, adiantando que uma incubadora está em fase final de implementação na Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto (UAN), a maior de Angola.

Segundo o administrador do banco central angolano, a instalação a incubadora, onde jovens poderão submeter projectos, é fruto de um memorando assinado com o Ministério da Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação angolano.

“Todos os jovens poderão submeter projectos para serem desenvolvidos nessa incubadora e teremos ainda consultores, que com base na sua experiência vão orientar os jovens de como abrir projectos ou empresas sustentáveis”, frisou.

“E a partir do momento que as empresas passarem a fase de incubação, e o BNA se sentir confortável para elas começarem a prestar serviços à sociedade poderão faze-lo através de um projecto piloto controlado”, salientou.

Em relação a inclusão financeira, reconheceu que os actuais níveis de acesso aos serviços bancários “continuam baixos”, defendendo participação activa dos cidadãos no processo por ser um dos instrumentos para “promover também o bem-estar das populações”.

Os nossos jovens devem inscrever-se neste laboratório de inovação e, assim, deixarem essa preocupação de querer fazer golpes de Estado usando – como num passado recente – diverso material bélico, altamente letal, como 12 esferográficas BIC (azuis), um lápis de carvão (vermelho), três blocos de papel (brancos) e um livro sobre como derrubar as ditaduras.

E não basta ser inovador e esconder mísseis nas lapiseiras, camuflar Kalashnikovs nos telemóveis e outro armamento pesado e letal disfarçado nos blocos de apontamentos. É que agora, com João Lourenço, essa estratégia não pega…

Relembre-se que a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) decidiu em 2017 dedicar um “triénio à juventude”, com o tema “Jovem, quero ficar em tua casa”, manifestando-se solidária com as preocupações dos jovens, desde a “falta de emprego, ensino, e desestruturação das famílias”.

Na altura, Armando Manuel, membro do voluntariado da Universidade Católica de Angola (UCAN) e também docente desta Universidade, assinalou a importância do triénio que se estende até 2020, considerando ser “um tempo de graça vermos a Igreja toda virada para nós, preocupada em nos ouvir, decidida a ser uma igreja verdadeiramente em saída”, expressão utilizada pelo papa Francisco.

“A juventude quer continuar a acreditar, contando sempre com o suporte daqueles que são os nossos pastores. Queremos uma Igreja angolana próxima do jovem, atenta nas suas dificuldades e capaz de ser uma verdadeira mãe e mestra, que acolhe e não exclui”, adiantou.

Ainda na ocasião, Zeferino Zeca Martins, arcebispo auxiliar de Luanda, padre sinodal e também presidente da Comissão Episcopal para a Juventude da CEAST, garantiu que os bispos africanos serão os porta-vozes dos jovens em relação às suas mais variadas preocupações direccionadas sobretudo às lideranças africanas.

“Os nossos jovens na África Austral preocupam-se de tal maneira que a Igreja forme famílias enraizadas na verdadeira espiritualidade cristã católica e nos princípios morais, e pediram-nos ainda que a igreja faça uma advocacia séria diante das estruturas políticas e sociais”, afirmou.

Os jovens africanos, ainda segundo Zeca Martins, pediram também para que os líderes políticos de África nas suas políticas “contemplem essencialmente os jovens” para que estes “não continuem a ser meros consumidores na vida dos mais velhos, eles querem ser participantes na feitura dessas políticas”.

“E ainda pediram que a Igreja intervenha de modo sério, para que não continuem a morrer mais jovens africanos no mar Mediterrâneo”, rematou.

Com a devida vénia, publicamos o artigo de Aura Miguel, divulgado no dia 18 de Março de 2018 na site da Rádio Renascença (Portugal), sob o título “A juventude não existe, existem jovens, diz Papa Francisco em novo livro”.

«Na obra “Deus é Jovem”, uma série de conversas com um entrevistador, Francisco responde a questões como o que diria a um suicida ou a uma prostituta.

“A juventude não existe”, assim como “não existe a velhice”, diz o Papa logo no início desta entrevista. Para Francisco, o que existe são jovens e velhos, ou seja, “é necessário que uma pessoa se sinta feliz e orgulhosa por ser velha, da mesma forma que é comum o sentimento de orgulho em ser-se jovem”.

Numa conversa com Thomas Leoncini, jovem especialista em modelos psicológicos e sociais, o Papa abordou diversas questões relacionadas com a situação dos jovens na cultura actual e pede-lhes perdão “porque nem sempre os levamos a sério, nem sempre os ajudamos a ver o caminho e a construir os meios que poderiam permitir-lhes não acabarem descartados”.

O Papa quer jovens protagonistas e não vítimas da exploração patronal, do trabalho precário e do desemprego; jovens capazes de dialogar com os idosos e criar raízes, para não andarem ao sabor da cultura líquida e conformista. Contra a “homologação do pensamento único”, que os torna “todos iguais, fracos e sem identidade”, a viver “dentro de uma bolha”, Francisco quer jovens de “pensamento forte”, “genuíno” e “pessoal”.

Sobre o medo de crescer e envelhecer, Francisco considera “triste que alguém queira fazer um lifting também ao coração”, pois “com demasiada frequência são os adultos que fazem de conta que são meninos, que sentem a necessidade de se colocar ao nível do adolescente, mas não percebem que isso é um engano”, e lamenta que existam “demasiados pais com cabeça de adolescentes, que brincam à vida efémera eterna e, com maior ou menor grau de consciência, fazem dos filhos vítimas deste perverso jogo do efémero”.

Ainda sobre o medo de envelhecer, é lamentável que se recorra “cada vez mais à cirurgia plástica”, para se ficar “em sintonia com o padrão da sociedade”. Para o Papa, as pessoas que o fazem não passam de vítimas da “exacerbação de uma estética artificial” que “desumaniza a beleza”.

Outro dos sintomas do medo de crescer e envelhecer é o aumento das “mascotes” – animais de companhia “que cada vez mais as pessoas levam para todo o lado, todos os dias e durante o dia inteiro”, como reflexo de “um incómodo sentimento de solidão”.

O Papa lamenta que se use os animais sem respeitar a sua dignidade, “identificando a mascote como pessoa”, acabando o animal por se tornar “um escravo do dono”.

Neste livro Francisco explica que quer jovens “em saída”, capazes de testemunhar a alegria do Evangelho, mesmo em locais incómodos e sem medo de “sujar os pés”. Interrogado sobre o que diria a uma pessoa à beira do suicídio, o Papa responde: “fitá-la-ia nos olhos, deixaria falar o coração, o meu e o seu”. E sobre o que podem fazer os jovens pelas mulheres da sua idade que vivem na prostituição, o conselho de Francisco é: “aproximar-se delas, não para explorá-las, mas sim para falar com elas”. E, em vez de perguntar “quanto queres?”, perguntar “quanto sofres?”»

Folha 8 com Lusa

Partilhe este artigo